Quem casa quer casa: vale a pena casar com dívida?

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Quem casa quer casa: vale a pena se enfiar em uma dívida para casar?
Quem casa quer casa, mas ela deve ser própria ou alugada?

Assim como “um olho no peixe, outro no gato” ou “não adianta chorar o leite derramado”, a expressão “quem casa quer casa” é daquelas que só existem no Brasil. Ao contrário das outras, entretanto, esta última tem um custo financeiro pesado na vida de quem insiste em repetir essas quatro palavrinhas: quem casa quer casa. Quem, assim como eu, já passou por um altar, com certeza ouviu essa frase mais de uma vez, principalmente das mães, que insistem em que nos empurrar em direção ao financiamento bancário. Como os mais velhos costumam dizer: quem casa quer casa. Como o Econoleigo vai te perguntar agora: mas você precisa de uma?

Não. Comprar uma casa ou apartamento para casar é uma furada. Há quem discorde, mas como o Econoleigo é uma ditadura de um homem só, vou dar minha opinião e apresentar argumentos. Se você não concordar, é um direito seu.

Comprar um imóvel já é um investimento arriscado. Comprar um durante a crise é algo próximo a loucura (a não ser que você tenha mesmo capacidade para isso). Sendo assim, vou escrever este texto para ser consumido em um futuro próximo, quando a situação voltar ao normal.

Quem casa quer casa: própria? Ou pode ser alugada?

O grande problema para um jovem casal comprar um imóvel é a imobilização de capital que isso representa. Ou seja, de partida, você vai comprometer boa parte do orçamento de sua família em algo que não pode ser tocado. No geral, as parcelas de um financiamento imobiliário orbitam em torno de 30% da renda familiar. Isso pode parecer pouco para quem sempre morou com os pais, mas morar sozinho representa uma infinidade de despesas ocultas e pequenas, mas que somadas, corroem seu salário, como a conta da internet, da TV a cabo, o condomínio, a conta de luz, o mercado, gasolina, IPVA, vestuário, diversão, alimentação. São faturas de R$ 30,00, R$ 67,00, mas que no final do mês, somadas, deixam o saldo de sua conta negativa. Como o financiamento de um imóvel é normalmente feito pelo prazo mais longo, o que garante a parcela mais baixa, sua dívida pode chegar facilmente a 30 anos de duração. São quase oito Copas do Mundo pagamento o mesmo boleto todos os meses.

Você fez suas contas e sua contabilidade, e mesmo somando todas as despesas esperadas e o valor da parcela, ainda sobra dinheiro no final do mês. Ótimo. Você tem um plano de contingência? Então tenha um. O desemprego é uma realidade para todos, e se vocês dois trabalham, o desemprego de um de vocês significa uma redução de 50% (supondo que vocês ganham a mesma quantia) na renda familiar. A soma do valor das despesas e da parcela ainda é menor do que somente o que um de vocês ganha? Ótimo. Ou então se você tem dinheiro para dar 50% de entrada no imóvel, ou então comprar o imóvel à vista, então talvez para você valha a pena comprar uma casa, mas a realidade da maioria dos brasileiros não é essa.

A grande maioria dos casamentos se desfaz nos primeiros anos de matrimônio. As razões são muitas, e vão desde a incompatibilidade de gênios à falta de amor, o que leva ao adultério. A falta de dinheiro, por outro lado, vem crescendo entre as causas de separação. Segundo pesquisa mostrada na InfoMoney, a grana curta é o 4 motivo de divórcio entre homens e mulheres. Outros dizem que é a segunda em todo mundo. A realidade do casal fazendo contas para passar o mês no azul é bem diferente dos namorados que, por não terem contas a pagar, saem todos os finais de semana e viajam nos feriados. Quem casa quer casa, mas não quer dívida e nem aperto.

Alugar é muito mais barato do que comprar. Uma parcela de financiamento de um apartamento de dois quartos em São Paulo dificilmente sai por menos de R$ 2.500,00. Por outro lado, é possível alugar um imóvel deste tamanho por R$ 1.700,00. A diferença é pouca? Sim, mas se você investir esses R$ 800,00 no banco todo mês, logo você tem uma bela poupança.

Quer outro argumento? Vamos dizer que você e sua esposa foram despedidos. Um financiamento é para a vida toda. Se você não aguentar pagar, o banco vai tomar seu imóvel, descontar uma boa parte do que você pagou e, no seu bolso, vai ficar um pequeno troco, ou uma boa dívida. No caso do aluguel, em caso de falta de grana, você paga a multa (três alugueis, pró-rata, ao tempo que falta para o fim do contrato) e vai morar com sua mãe ou em uma casa mais barata. Lembre-se que você não tem fonte de renda no desemprego, mas aqueles R$ 800,00 guardados todos os meses vão te servir bem.

Outro argumento importante para não se comprar uma casa nos primeiros meses do casamento. Um imóvel financiado te aprisiona. E se você engravida logo no início, e aquele apartamento de dois quartos fica pequeno para um bebê? Vender um apartamento financiado é difícil, e no final, você vai perder dinheiro.

No mesmo dia em que pedi minha esposa em casamento, compramos um imóvel na planta em Guarulhos. Faltando um ano e meio para que as chaves fossem entregues, recebi uma bela proposta de trabalho para me transferir para Florianópolis, e tive de vender um apartamento onde sequer morei. Depois de um ano morando de aluguel em Floripa, decidimos que gostaríamos de passar nossas vidas lá. Compramos então outro apartamento na planta, que são sempre mais baratos, e continuamos pagando aluguel. Faltando dois anos para que o imóvel ficasse pronto, decidimos mudar para o Canadá. Durante esse período, eu tive que pagar aluguel, pagar prestação, pagar uma mudança internacional e depois pagar aluguel em dólar. Só então, um ano depois, consegui vender esse segundo imóvel. Eu dei sorte. Pessoas próximas a mim tiveram que declinar excelentes oportunidades por ter um belo financiamento para quitar.

Esqueça essa bobagem que aluguel é desperdício de dinheiro. Boa parte do financiamento de um imóvel é composto de juros. Comprar um apartamento de R$ 300.000 e dar R$ 100.000 de entrada, pagando o restante em 30 anos, vai dar uma conta total de aproximadamente R$ 1.000.000. Ou seja, você paga três imóveis para ter somente um. Ou então, podemos dizer que os primeiros vinte anos vão para o banco, os últimos dez para você.

Se você optar pelo aluguel e não pela propriedade de um imóvel, desde que você não seja burro e alugue algo do mesmo valor de uma parcela de algo próprio, ao final de alguns anos sem aperto financeiro, sobrando uma grana para se divertir e viajar e ainda investir em uma poupança, você e sua cara metade terão certeza do que realmente querem, seja geograficamente, seja no tamanho da família, e ainda terão uma graninha para abater no financiamento. Ah, outro conselho do Econoleigo: se enfiar em uma dívida de festa de casamento é bobagem. Tá sem grana? Faz um jantar e vai viajar. Confie em mim.

Resumindo: Sendo assim, quem casa quer casa, mas ela não precisa ser própria. É muito mais sensato alugar uma coisa mais barata e guardar a diferença, e é assim que você vai se sentir daqui alguns anos, se seguir o conselho do Econoleigo:

Quem casa quer casa: vale a pena se enfiar em uma dívida para casar?

2 COMENTÁRIOS

  1. Oi!

    Só na paz?

    Eu estava até esse momento procurando informações a respeito
    disso tudo que você disse aqui! Acho que foi por isso que acabei chegando
    aqui…

    Penso que você é a pessoa mais adequada pra eu fazer uma pergunta…

    Você pode me passar mais dicas pra eu me aprofundar mais?

    de qualquer jeito, obrigado mesmo por todos esses textos que vem compartilhando de
    graça com todo mundo!

    sucesso!

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