Queda no setor de construção civil derruba economia brasileira

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Qual a relação entre o setor de construção civil e a performance da indústria brasileira? Qual o impacto que  a redução nas vendas de apartamentos e casas tem em nossa economia? Para tentar explicar isso nosso leitor Roberto enviou o texto abaixo para o e-mail blog@econoleigo.com, inaugurando assim nossa seção de colaborações. Gostou? Quer participar? Basta mandar seu texto por e-mail. O anonimato, se desejado, é garantido!

O Brasil passa por uma crise grave que atinge todos os setores, mas há tempos muitos especialistas vêm prevendo uma grande instabilidade na área de construção e imóveis. Com o atual cenário econômico fica mais evidente ainda que a perda de confiança seja mais uma preocupação para os Brasileiros. Segundo a FGV, o Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 6,5% MoM em Setembro, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,9% MoM, além da queda de 1,5% MoM das admissões aliada à alta de 0,5% MoM dos desligamentos no mês de Agosto. Mas o que isso significa e o como vai afetar você?

O ICST e ICI fazem parte da Sondagem da Construção, que é uma pesquisa feita mensalmente pela FGV. É um conjunto de informações usadas no monitoramento e antecipação de tendências econômicas do setor,sendo o principal atributo dessa sondagem a rapidez com que é produzida e divulgada, tornando-se uma ferramenta essencial para a análise de conjuntura e tomada de decisão nos âmbitos públicos e privados. Nessa sondagem, que é feita em empresas com perguntas qualitativas, temos o Índice de Confiança da Construção com quatro quesitos para compor um indicador-síntese para as pesquisas, sendo eles: volume de demanda atual, situação atual dos negócios, expectativa para ao volume da demanda em três meses e para a situação dos negócios em seis meses. Então o objetivo da pesquisa é medir qual a expectativa das empresas para os próximos meses e assim medir a confiança no mercado.

Agora que você entendeu o que significa o ICST, entenda que isso afeta diretamente a você. Se uma empresa não tem confiança no mercado, ela não faz investimentos, se não há investimentos não há crescimentos e se a empresa não cresce não contrata mais, podendo até demitir funcionários. No cenário econômico do Brasil onde o Dólar não para de subir, a inflação está tomando conta, os impostos estão aumentando, o Governo cortando programas sociais como o PAC e o Minha casa Minha vida e as altas taxas de juros deixa o quadro desfavorável para a atividade industrial.

Os Estados Unidos entraram uma recessão muito pior do que a nossa em 1929, quando houve a quebra da bolsa de valores. Entre 1933 e 1937 o presidente Franklin Roosevelt implantou o New Deal, um programa de ações governamentais com o intuito de reerguer a economia estadounidense. Um dos pilares deste programa foi uma série de obras estruturais desenvolvidas pelo governo federal, como a construção de estradas, pontes, barragens, escolas e derivados. Com o governo gastando na construção, uma série de empresas envolvidas no setor produtivo, como siderúrgicas, concreteiras, metalúrgicas e fábricas de maquinarias acabaram recebendo um dinheiro que até então tinha deixado de circular. Assim, além dos milhares de trabalhadores empregados direto na obra como “pedreiros”, outros milhares foram contratados pelas empresas que passaram a fornecer ao estado, reduzindo assim o desemprego e gerando uma renda que voltou a circular na economia, alimentando padarias, açougues, lojas de roupa e por ai vai.

Nossa economia tem um modelo muito similar ao americano, e uma infinidade de empresas tem seu faturamento totalmente atrelado aos gastos públicos de estrutura. Quando houve o escândalo de corrupção das construtoras e a Petrobras, com o roubo de bilhões de dólares em dinheiro público por parte de políticos ligados ao governo do PT, o governo federal congelou. No modelo atual, sem propina não tem obra, e com a polícia federal em cima, todo esquema de corrupção aparentemente foi congelado. Se isso por um lado é bom, por outro é preocupante, pois como as obras não estão acontecendo e todas as grandes construtoras estão sendo investigadas por corrupção, toda cadeia produtiva atrelada ao setor de construção civil de obras públicas está em estado de espera.

Paralelo a isso, com a recessão e a crise econômica, as empresas estão demitindo, congelando salários ou, como se diz por ai, “naquele climão maneiro”. Sendo assim, e também porque os bancos não emprestam um real sem que você tenha MUITAS garantias, o brasileiro percebeu que este não é o momento para se enfiar em um financiamento bancário.

Não precisa ser um gênio como o presidente Lula para perceber que, se ninguém compra apartamentos e se as obras públicas estão em um ritmo infinitamente inferior ao de antes, o setor de construção brasileiro está na lama, e assim como no modelo americano, toda cadeia produtiva atrelada foi para o vinagre. Isso explica a baixa confiança no setor de construção e também a baixa confiança na industria.

Com isso em mente, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não causam surpresa ao mostrar que foram fechados 86,5 mil empregos formais em agosto, pior saldo negativo para o mês desde 1999. No mesmo período em 2014 foram criados 101,4 mil vagas de empregos, quando consideramos a série com ajuste sazonal (comparar o mesmo período em vários anos diferentes), o saldo foi negativo em 171,3 mil vagas, patamar mais baixo da série histórica.

Resumindo: Uma simples pesquisa da FGV sobre a confiança das empresas mostra a gravidade da recessão que o Brasil está passando e que pode afetar diretamente você, que está empregado ou a procura de emprego, e é assim que você deve se sentir ao ler isso:

Contribuição: Roberto

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