Quatro sinais de que a recessão brasileira vai piorar

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Antes de escrever o Econoleigo, sempre fazemos uma leitura completa do Valor Econômico, o melhor jornal financeiro disponível no mercado, e também consultamos uma série de boletins produzidos por consultorias e empresas do ramo. Normalmente escolhemos um tema de destaque e discorremos em cima dele, pois acreditamos que o mesmo será consumido pelo grande público em jornais de grande público, que não são focados em economia. Fazendo isso, já preparamos quem não é especialista em economiquês para entender o que os jornalistas estão fazendo. A recessão brasileira preocupa a todos, e é normal que nesta época o brasileiro se preocupe com a economia.

Hoje ao lermos o Valor de ponta a ponta, pescamos algumas notícias que a princípio parecem não ter relação alguma, mas quando colocadas lado a lado, e analisadas sob a mesma luz, ilustram um cenário extremamente sombrio para o futuro próximo da nossa economia.

A primeira notícia afirma que o desempenho do setor de serviços, que pode parecer bobagem pelo nome, mas que representa 58% de tudo o que se produz de riquezas no Brasil, foi péssimo. Embora a receita do setor tenha crescido 2,3% no primeiro semestre do ano, devemos considerar que os primeiros seis meses de 2014 registraram um crescimento de 7,4% e 8,5% em 2013. A retração do setor de serviços é reflexo da economia nos lares. As pessoas estão comprando menos, saindo menos, gastando menos. Isso tem reflexo diretamente no empreendedor que presta um serviço.

A segunda coisa que chamou a atenção no jornal foi a notícia de que o desemprego em junho pode ter chego a 7%. Isso significa que 115 mil brasileiros foram demitidos somente entre o dia 01 e 31 de julho. Uma taxa de desemprego 2% maior do que a registrada em 2014 é reflexo direto na retração do setor de serviços, que normalmente conta com uma alta carga tributária e poucos incentivos do governo.

A terceira notícia que preocupa é a redução das vendas das siderúrgicas brasileiras. Segundo o Instituto Aço Brasil, houve uma queda de 22% no volume de aço vendido em comparação com julho de 2014. Quando a indústria de aço para de vender é um péssimo sinal, pois indica que as metalúrgicas e a construção civil tiraram o pé do acelerador. Aliás, falando em construção civil, quase todas as grandes construtoras e incorporadoras do Brasil anotaram prejuízo no último mês.

A quarta notícia, que tem relação com as demissões, corte no consumo e também com a venda menor de aço, é o socorro que o governo vai dar para o setor automobilístico. O governo federal, através da Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, lançou uma linha de empréstimos com taxas menores para as empresas do setor. O carro no Brasil custa uma pequena fortuna, custando quase que 70% a mais que o mesmo modelo em outros países, e em um momento de crise ninguém quer comprar um item de “luxo”, pagando um juros alto, sem ter a certeza de que em breve você só usará este bem para procurar emprego.

Entenderam a ligação entre as notícias? O setor de serviços vai mal, pois as pessoas estão economizando o pouco que tem, e com isso quem tem um comércio ou empresa ligada ao setor, acaba demitindo funcionários. Com mais pessoas procurando emprego, e com o resto de quem ainda tem um holerite economizando grana, a compra de veículos, eletrodomésticos e outros artigos industrializados e de alto custo caem, o que desacelera como um todo a cadeia produtiva.

Isso já é um péssimo sinal, certo? Agora leve em conta que boa parte das receitas do governo federal estão atreladas ao faturamento das indústrias e do comércio. Isso significa que há menos recurso na mão de quem está no poder para tentar fazer alguma coisa.

É o que chamamos de efeito bola de neve.

Neste momento boa parte das pessoas do ramo já dão o ano de 2016 como perdido também. A crise econômica é gravíssima, mas ela é agravada pela crise política, pois tanto a população quanto os empresários e investidores perderam a fé no governo, encabeçado pela presidente Dilma. Eles temem decisões erradas, tomadas somente para afastar o impeachment, medidas populistas ou equivocadas, feitas “na medida do possível”.

Resumindo: Falamos antes que a situação era preta e poderia ficar preto-escuro. Bem, se o cenário de agosto for pior que o de julho, podemos considerar que a coisa está preto-escuro em um dia de eclipse, e é assim que você deve se sentir ao ler isso:

 

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