Quanto ganha um jogador de futebol? Conheça a realidade do esporte mais popular do planeta

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Quase todo garoto brasileiro sonha em ser jogador de futebol. Se uma vida de fama e dinheiro seduz, imagine a possibilidade de ganhar rios de dinheiro fazendo aquilo que muita gente paga para fazer. O que pouca gente sabe, entretanto, é quanto ganha um jogador de futebol e quanto dinheiro é possível ganhar como atleta profissional do esporte. É possível ficar rico jogando futebol? Leia o Econoleigo de hoje para descobrir quanto ganha um jogador de futebol.

Quanto ganha um jogador de futebol

Assim como um médico faz em uma consulta, preciso ser sincero com você. É bastante improvável que você fique rico jogando futebol. Segundo um levantamento feito pela Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, mais de 80% dos jogadores de futebol ganham menos de mil reais por mês. O levantamento foi feito somente com atletas em atividade no Brasil e teve como base os cerca de 25 mil contratos profissionais registrados na entidade. A empresa Dover, especializada em telemarketing, por exemplo, paga cerca de R$ 1.200 de salário para seus funcionários. A situação não é ruim apenas no Brasil. A Fifpro, o sindicato mundial de atletas de futebol, conversou com 14 mil atletas que atuam em 54 países e que disputam 87 ligas diferentes, e a resposta pode deixar você ainda mais desapontado. 20% de todos os jogadores de futebol do planeta ganham entre 0 e 300 dólares americanos por mês.  Indo mais além, 45% dos jogadores de futebol ganham menos de R$ 3.500 por mês.

Mas é claro que existem as exceções, e é possível que você seja de fato muito bom e acabe atuando em uma equipe de ponta no futebol. A tabela abaixo mostra o salário médio anual dos atletas nos principais campeonatos mundiais. Antes que você se empolgue, fique avisado: apenas 0,9% de todos os jogadores profissionais recebem mais de 100 mil dólares por mês.

Crédito: https://fourfourthreefootball.wordpress.com

A carreira de jogador de futebol é boa?

Depende. Embora no Brasil não seja possível atual de forma profissional sem um contrato assinado, algo que é realidade na África e em outros países da América Latina, ainda existem outros fatores que tornam essa profissão um pouco menos atraente. Vamos a algumas delas.

  • Idade: Um atleta assina sem primeiro contrato bom com 20 anos de idade. Com exceção dos goleiros, que jogam até 40 anos, a maioria dos atletas profissionais pendura a chuteira com 35 anos de idade. Isso ocorre pois a explosão muscular diminui, as lesões aparecem com maior frequência e demoram mais para serem solucionadas. Ou seja, na teoria você tem apenas 15 anos para montar um pé de meia que vá te sustentar pelo resto da vida. Se você ganhar R$ 40.000 por mês, que é o salário inicial de um atleta da Série A do Brasil, talvez seja possível, talvez não. Você vai descobrir mais adiante o porque.
  • Salário: Como quanto ganha um jogador é variável, seu salário vai depender de muitos fatores. Como 80% dos atletas profissionais ganham menos de R$ 1.000 por mês, eles têm duas alternativas: ou são sustentados por empresários, que em contrapartida ficam com quase que a totalidade do seu passe, ou é necessário arrumar um outro emprego. É muito comum, por exemplo, que jogadores de futebol também trabalhem como profissionais na construção civil ou outro tipo de emprego com flexibilidade de horário. Outro ponto interessante são as lesões. Em clubes pequenos, que é onde você começa a carreira, é comum que os times parem de pagar salário quando o atleta passa muito tempo lesionado.
  • Passe: Com a Lei Pelé, o passe do atleta passa a pertencer somente a ele. Boa notícia, já que é possível ganhar uma bolada a cada transação, certo? Errado. Conforme mencionado acima, hoje os empresários dominam o mercado da bola e, consequentemente, os passes dos jogadores. Isso faz com que muitas vezes um atleta novo, de 20 anos, seja negociado pela primeira oferta recebida. Jogar na Inter de Milão? Que nada. Boa parte dos primeiros contratos são assinados com times de pouca expressão no segundo ou terceiro mercado da bola, como Coréia, Tailândia, Malásia, Sérvia ou Irlanda do Norte.
  • Direitos trabalhistas: Como forma de baratear a folha salarial e os encargos trabalhistas, boa parte dos atletas profissionais recebem uma pequena fração do salário com a carteira assinada. É isso que vai cobrir seu fundo de garantia e derivados. A parte “grauda” do seu ganha pão é paga através dos direitos de imagem, que são repassados para uma empresa aberta em seu nome, ou então no nome do seu empresário. Isso leva a duas coisas: imposto alto e o próximo item.
  • Atrasos: Como a lei atual só permite a quebra do contrato profissional com atraso de salário superior a três meses, o atraso salarial é realidade constante em TODAS as divisões brasileiras. No ano passado, por exemplo, menos de 5 times da Série A estavam com a folha salarial em dia.

Como é a vida do jogador de futebol

Se você pensa que jogar bola é viver intensamente, você está correto. Se você acha que essa intensidade acontece na noite, você está enganado. O calendário profissional brasileiro comporta até cerca de 80 partidas por ano. Descontando férias e a pré-temporada, um jogador precisa atuar duas vezes por semana, na quarta e no domingo (na maioria das vezes). O que isso significa? Simples. Você joga no domingo e na segunda-feira tem descanso e regeneração muscular, que pode parecer como um descanso, mas na verdade não é. Na terça-feira tem treinamento tático e academia. Terça-feira de noite você vai concentrar com o elenco. Quarta-feira tem jogo. Quinta-feira é descanso e regeneração. Sexta e sábado são dias de treino e concentração, para atuar novamente no domingo.

Outra coisa. Um jogador de futebol normalmente inicia sua carreira com 12 anos de idade, dividindo seu tempo entre a escola, treinamentos e concentração. É um regime puxado e exigente, e faz com que boa parte dos meninos acabem abandonando ou deixando os estudos em segundo lugar. Isso é um problema anos mais tarde, quando o atleta chega aos 18 anos e, sem conseguir um bom contrato profissional, também não tem diploma para seguir carreira fora do mundo da bola.

Dormitório das categorias de base de um time que disputou a Copa Amazônica Sub-17. Fonte: GloboEsporte

Gostou? Tem mais. O Brasil é um país de dimensões continentais. Se você atua em uma equipe de Porto Alegre, por exemplo, e precisa jogar com o Sport em Recife, é necessário pegar um ônibus da delegação até o aeroporto, voar até Guarulhos e pegar outro vôo para Recife. Com sorte, você faz um vôo direto. E depois tem a volta. Já pegou vôo de 6 horas naquela cadeira econômica? Imagina fazer isso depois de correr aproximadamente 10 KM em menos de uma hora. Os musculos da sua coxa vão travar. Você então vai jogar na sua cidade e três dias depois voar novamente. Isso no campeonato nacional. No estadual, que ocupa três meses do ano, você vai repetir esse processo só que, ao invés de um avião, você vai viajar durante 10, 12 horas dentro de um ônibus.

Jogadores do União Barbarense dormem no chão do ônibus, e em jejum, durante viagem na série A-2 do Paulistão. Crédito: Esporte Fera

Agora vamos falar de mulheres. Você conhece a mulher da sua vida através do futebol e decide casar. Sabe quando você vai curtir seus filhos e sua família? Durante um mês por ano, nas férias, e depois quando você se aposentar. A grande maioria dos jogadores profissionais não comparecem nas festas de aniversário dos filhos, já que aos finais de semana eles estão concentrados. Nascimento? Só no dia do parto, já que um atleta não pega licença paternidade sob risco de perder lugar no elenco.

Balada? Por conta e risco. Álcool e cigarro são os grandes vilões na carreira de um atleta. O Zé Roberto, que atua profissionalmente e em alto nível aos 43 anos de idade, nunca fumou ou bebeu, e aproveita as férias para correr nas montanhas em países gelados. Tudo isso para preservar ao máximo o físico e esticar a carreira, proporcionando mais títulos na prateleira mas também mais tempo de salário dentro de sua casa. Beber e fumar é receita do fracasso, e o meia Valdívia, o famoso Mago, nunca conseguiu atuar por um grande clube europeu devido às frequentes lesões. A causa? Ele mesmo admitiu: muita balada e cerveja.

Resumindo: É óbvio que você pode ser realmente muito bom e tornar-se um jogador de ponta em atividade no Brasil. O salário? Cerca de R$ 600 mil por mês. Se você for ótimo, pode ser um jogador mediano na Europa e ganhar entre R$ 800.000 e R$ 1.500.000 por mês. Mas esses são menos de 1% de todos os atletas em atividade. A lógica diz que você vai ralar muito, treinar horas todos os dias e comer uma variação de frango e macarrão todos os dias, tudo isso para ganhar menos de R$ 1.000,00. Existem outras formas de se ganhar esssa grana, e é assim que você deve reagir ao saber que a grande maioria dos times profissionais do Brasil, aqueles que disputam da Série D para baixo, atuam menos de 6 meses do ano:

 

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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