Quanto custa um cigarro para você e para o sistema de saúde

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Saiba quanto custa um cigarro, maço ou box, e quanto custa tratar o câncer de um fumante.
Saiba quanto custa um cigarro, maço ou box, e quanto custa tratar o câncer de um fumante.

O cigarro faz parte da minha vida. Ele estava lá no meu casamento, nos aniversários, churrascos e confraternizações. Ele não é parente e nem amigo, mas está em todos os álbuns de família. Meus pais fumam, minha irmã e tias também. Botei um cigarro na boca duas vezes mas, sortudo que sou, achei um troço sem graça e fedorento. Tentei fumar na mesma idade que todo tonto decide tentar a vida da fumaça: aos quinze anos. O marketing me dizia que fumar era legal, coisa de adulto, de rebelde, era aventura e era chique. Caí na armadilha, mas escapei das estatísticas. Fumar é um troço caro e que mata, e hoje vamos tentar esclarecer quanto custa um cigarro para seu bolso e para o do contribuinte.

Cigarro é vendido no Brasil de duas formas e categorias. As formas são simples. Há quem compra o maço, que é aquela embalagem mole, e há quem prefira o “box”, que é a embalagem rígida. Temos também as categorias: o cigarro de rico e o cigarro de pobre. Quem tem grana, ou acha que tem, fuma Marlboro, Free, Dunhill, Vogue, e por aí vai. Quem é pobre, normalmente fuma cigarros como o Derby, Minister e o Belmont. Esses mais baratos são popularmente conhecidos como “estoura peito”, já que a “filtragem” não é eficiente e o refino do fumo não é tão bom, logo a fumaça é consideravelmente mais forte ao passar pelo trato respiratório.

Quanto custa um cigarro: maço, box e avulso

Um maço de Marlboro, cigarro fabricado pela americana Philip Morris, custa em São Paulo R$ 8,00. Já um box do vermelho e branco custa R$ 8,50. Não há diferença na “qualidade” do cigarro. Quem paga os cinquenta centavos a mais o faz pela “economia”, já que o cigarro não esfarela dentro da bagunça da bolsa ou da mochila. O famosíssimo Free (lembra da propaganda “O futuro é daqui a um segundo” e dos Free Jazz Festival?) será descontinuado e substituído pelo Kent. Já dos cigarros mais baratos, custa cerca de R$ 5,50 um maço de Derby. Veja aqui a tabela de preços dos cigarros da Souza Cruz.

Há um fumante de grana, que fuma Marlboro, há o fumante sem tanto dinheiro, que fuma Minister e Derby de maço, e há o consumidor que é duro ou desesperado pela fumaça, que vai e compra um “avulso”, ou seja, um único cigarro, e não uma caixinha fechada, com 20 unidades. Um “avulso” custa em torno de R$ 0,50 no boteco ou na padaria. Tem também o cigarro falsificado ou de contrabando, mas aí o buraco é muito mais embaixo, e a qualidade (se é que podemos dizer que um cigarro tem qualidade) é inexistente. Um maço desses é vendido pela região da Cracolândia por dois ou três reais.

Agora que você já é um especialista em quanto custa um cigarro no varejo, vamos ao custo disso no orçamento das famílias brasileiras. O viciado em cigarro não fuma pouquinho, ele fuma bastante. Reflexo disso é o cálculo que cada fumante faz do próprio consumo. Não se faz a conta de quantos cigarros são consumidos, e sim em maços. Digamos que um fumante moderado consome um maço por dia e um viciado profundo fuma três maços.

Ao custo de R$ 7,00 por maço (uma média entre o cigarro da patroa e do porteiro), fumando-se um maço por dia, temos um montante de R$ 217,00 por mês. Multiplicando por ano, temos um gasto de R$ 2.604. Se essa pessoa fumar um maço por dia entre os 18 e 70 anos, quando ela provavelmente irá morrer, ela terá gastado R$ 135.408,00 em cigarros. Levando em conta os custos com remédios e médicos, esse valor sobe consideravelmente. Acha pouco? Uma pessoa que fuma três maços por dia queima por mês R$ 651,00 em cigarros, e R$ 7.812 ao ano. Ou seja, se essa pessoa parar de fumar e ao invés de ir na padaria, for ao banco, em aproximadamente cinco anos ela terá dinheiro suficiente para comprar um carro novo de R$ 40 mil.

Este é o custo que você, seu pai ou mãe, ou namorado, tem com o cigarro. Já parou para pensar em quanto o estado brasileiro gasta para limpar a lambança que esse vício causa? O Ministério da Saúde estima que 10,8% dos brasileiros vivos sejam fumantes. Isso significa que aproximadamente 25 milhões de temerzinhos e dilminhas acendem um cigarro todos os dias.

Fumar é o pesadelo de qualquer organismo, e o fumante está propenso, ou predestinado, a sofrer de muitos males, como as doenças coronárias (o fumante é mais propenso a ter um infarto ou angina e aproximadamente 45% das mortes por doença coronária, em vítimas com menos 65 anos, são causadas pelo cigarro). Leia aqui uma listinha com tudo que pode estar escrito no seu obituário se você for fumante.

Como um não fumante vê a boca de alguém que fuma, principalmente na balada.

Para tratar toda essa turma de fumantes o Ministério da Saúde gastou, só em medicamentos, R$ 41 milhões entre 2013 e 2014. Tratar um paciente com câncer de pulmão custa R$ 29 mil (por indivíduo). Um câncer no esôfago custa R$ 33 mil, e na laringe custa R$ 38 mil. Em média são 1800 internações por mês para tratar de usuários de tabaco. Além do câncer, que é figurinha batida, é preciso considerar também que o cigarro é um dos sócios, junto do álcool, da gordurinha, sedentarismo e dieta ruim, no clubinho chamado DCNT, que são as Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Fazem parte das DCNT o diabetes, colesterol, hipertensão arterial e a depressão. Sabe quantos por cento dos brasileiros morrem todos os anos devido as DCNT? 72%.

Sabendo disso, é natural pensar que talvez seja mais barato pagar para que o brasileiro pare de fumar, e é isso que o SUS está fazendo há bastante tempo. O ciclo completo de um viciado pelo Programa de Cessação de Tabagismo do Sistema Único de Saúde custa R$ 1.433.

De acordo com o governo brasileiro, as famílias brasileiras gastam 1,08% de seu orçamento mensal com o cigarro. Parece pouco, né? Essas mesmas famílias gastam 1,12% com o feijãozinho. Um mata, outro é essencial fonte de ferro e felicidade (especialmente se for usado na feijoada). A coisa agora mudou de figura, né?

Sendo assim, pergunto: faz sentido gastar R$ 50 mil na sua vida com algo que só vai ajudar a te matar? Além disso, quando você for parar no hospital, é certo que seus filhos gastem mais R$ 40 mil para tentar tratar o câncer que está comendo seu esôfago? O cigarro é tão danoso que a carga de impostos em cima dele é de 75% a 88%, dependendo do estado em que ele for vendido. Ou seja, a cada maço de cigarros de R$ 7, você paga R$ 5,60 em imposto ao governo. Tudo isso para deixar a coisa tão estupidamente cara, que você não queira mais fumar. E mesmo assim você o faz. Faz mesmo sentido? Se você acha que não, clique aqui e saiba mais sobre o programa gratuito do governo que vai te ajudar a largar esse vício.

Resumindo: O vício de fumar faz um mal extremo para a saúde, custa caro para o viciado e para a sociedade que vai tratar dele, e é assim que você deve se sentir ao saber de tem gente que sabe de tudo isso e insiste em acender um “avulso” depois do café:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

6 COMENTÁRIOS

  1. O cigarro tem o imposto alto e é caro não necessariamente para desestimular o consumo, mas sim para que o governo tenha uma boa arredação. Produtos viciantes, como cigarros e bebidas, normalmente tendem a ter elasticidades demanda-preço inelásticas, o que faz um aumento de preços nesses produtos não implicarem em reduções no consumo dos mesmos.

    Se tentassem taxar um produto com elasticidade demanda-preço alta, como um bem substituto por exemplo — macarrão, o consumidor simplesmente pararia de demandar o produto diante do aumento — não havendo aumento na arrecadação, e provavelmente consumiria mais arroz, por exemplo.

    • Todos os estudos que li apontam a tarifação como forma de combater o consumo e financiar o tratamento, Jorge. Imagina se o cigarro tivesse a tributação habitual. Acha que muita gente não fumaria mais simplesmente por ser mais barato?

  2. Como o Jorge comentou o aumento da tarifação não tem grande impacto na demanda.
    O governo é safado e hipocrita ao taxar fortemente o cigarro usando o argumento de que é para combater o vício.
    Fato é que, ao aplicar uma alta taxa de imposto, o governo simplesmente está lucrando com o vício do cidadãos.
    Se houvesse de fato interesse em combater o vício a primeira coisa séria proibir a venda.
    Mas é claro que o governo não vai fazer isso, afinal perderiam um bom volume de arrecadação de imposto.
    Que aliás, dizer que vai pra pagar o tratamento de fumantes, é só mais uma patifaria deslavada.
    Colocar as doenças coronárias na conta do cigarro é não ter vergonha na cara.
    A obesidade, no mundo todo, mata muito mais que o cigarro.
    Os quadros de câncer geralmente se dão em sinergia, tendo diversos fatores envolvidos, desde os hábitos alimentares, fatores ambientais até fatores psicológicos.
    Aliás, mesmo o câncer de laringe e pulmão, não pode ser colocado na conta do cigarro sozinho.
    Haja visto que nem toda pessoa com estes cânceres fuma, e que tais quadros tem grande impacto da poluição do ar, quer num quadro de um fumante que desenvolva câncer, quer no quadro de um não fumante (coisa que se resolvia proibindo a venda e uso de veículos com motor de combustão interna).
    A verdade sobre a tarifação é arrecadação que vai para no bolso de alguém, ponto.
    Não fosse isso a venda de cigarros seria proibida para coibir o vício.
    Coisa que, permita-me dizer, é uma babaquice de um autoritarismo tremendo e absolutamente injustificável.
    Não só o governo, como qualquer outra pessoa (incluso o autor do artigo), têm qualquer autoridade para me dizer o que eu devo ou não fazer.
    E não é o argumento de que é para o meu bem, que é para preservar a minha saúde e qualquer outro argumento que legitimará esse assalto a minha liberdade de escolha.
    Do mesmo modo que o cigarro se poderia querer enfiar o bedelho naquilo que as pessoas bebem, naquilo que as pessoas comem, com que tipo de pessoa e com que frequência se relacionam, que tipo de literatura e entretenimento consomem e por aí vai, com quase tudo que de uma maneira ou de outra pode impactar na saúde física, psicológica ou mental do indivíduo.
    Não que cada um destes assuntos seja tabu, muito pelo contrário, mas são assuntos de foro íntimo não de domínio público, que você pode tratar com as pessoas que conhece, mas que não deveriam jamais ser institucionalizados.
    Se eu fumo, quanto eu fumo, se eu desejo parar ou não, e os motivos pelos quais eu desejo parar ou não, são questões que dizem respeito somente a minha pessoa.
    Em última instância, se for a minha vontade, fumar até morrer de câncer é um direito que me assiste e que deveria me assistir sempre, tanto quanto me assiste o direito de escolher em que áreas trabalhar, com quem me relacionar, o que comer, o que beber, em resumo: como tocar a minha própria vida.
    Se você discorda eu gostaria de fazer um pequeno comentário a respeito do direito que as pessoas acreditam que tem de impor sua visão de mundo para as outras.
    O tipo de entretenimento, literatura e educação comumente disseminado no nosso país, bem como os hábitos de vida digital, estão criando (e já criaram bastante) pessoas deficiente cognitivas, que afetam não somente a economia como também a política negativamente. Este efeito também se faz sentir nas relações sociais e no tipo de conteúdo cultural que se produz (visto ser esta geração idiotizada a que está em plena gaze produtiva e portanto de consumo).
    Esta maioria de pessoas cognitivamente deficientes torna, para mim (e prefiro falar só por mim, embora eu não esteja sozinho nessa percepção, tendo mesmo exemplo públicos, pedagógicos e filosóficos, deste “mal de início de século”) o mundo um lugar pior de se viver.
    Muito pior do que seria para um não fumante uma baforada de fumaça nas fuças, haja visto que a fumaça logo se dissipa no ar, já o ambiente criado por essa geração imbecilizada perdura (não dando inclusive sinais reversão que indique melhora).
    E no entanto nem eu, nem ninguém, clama ditatorialmente, como que é possuidor da razão última, o que as pessoas deveriam consumir cultural e intelectualmente.
    E não fazemos isso porque sabemos da parábola que diz: o sujeito pergunta para o outro “- fumar faz mal viu, porque você continua fumando?”, ao que o sujeito fumante responde “- porque minha vó viveu até os 98 anos”, e impressionado o primeiro sujeito pergunta “- fumando?”, ao que o fumante responde “- Nao. Cuidando da vida dela”.
    Então, em resumo: pare de fazer coro com esse discurso hipocrita e ditatorial que enche o saco do fumante (que se quiser se matar é problema dele) com esse discursozimho pseudônimo moralista, falando dos males da saúde que todo mundo já tá careca de saber (e ninguém quer ouvir repetir já que fumante fuma mesmo sabendo que faz mal) mas acha que essa postura te faz algo além de um ditadorzinho sacal, que deveria aprender a cuidar da sua vida, e por outro lado tá fazendo coro com o governo safado que arrecada às custas do vício alheio (e que só mante o discurso “é pra combater o vício”) pra não ficar mal na foto como explorador dos viciados.
    Antes de falar bosta sobre cigarro assiste o filme “Obrigado por fumar” que embora seja uma ficção dá uma ótima perspectiva da realidade.
    E da próxima vez que pensar em fazer um artigo falando sobre os males do cigarro, vá encontrar um amigo, irmão, sobrinho ou pessoa próxima que desconheça os males do cigarro, para encher o saco e, caso eles não estejam a fim de ouvir, isso é só mais um indicativo que quanto o que você tem pra dizer não deveria ir para em um artigo que os fumantes vai achar óbvio, banal, sacal, escroto é absolutamente irrelevante e os não fumantes vão achar que foi uma boa ideia mas vão estar cagando do mesmo jeito, já que o artigo não foi escrito para eles.
    Aliás, uma boa pergunta que você deveria fazer antes de escrever qualquer artigo é: pra quem eu estou escrevendo este artigo? Porque se você não repondes essa pergunta, deus artigos terão uma qualidade pífia (embora possam ser bem escritos e por isso parecer ter qualidade).
    Pra quem vc escreveu este artigo a respeito do impacto do cigarro na economia?
    Para os fumantes (que já estão careca de saber do que vc falou) que não estão nem um pouco a fim de ler as enfiadas de nariz de um não fumante nas suas vidas?
    Ou será que foi para os não fumantes, que vai acreditar pianente nos dados que você aponta e na forma que você arranjou os mesmo é passaram a ter mais raiva de fumante achando que os fumantes tem um grande impacto na economia, o que poderá fazer com que encham ainda mais o saco dos fumantes (já explorados em seu vício pelo governo sacam)?
    Pra quem você escreveu?
    Será que foi pra você mesmo?
    Pra impor sua opinião para os outros?
    Mesmo que você não tenha nenhum direito a isso?
    Mesmo sabendo que você está contribuindo para que o “fumante” seja mais um “grupo discriminado”?
    Eu acho que você escreveu só porque é um babaca (talvez não em todos os sentido), meio alienado, influenciado pela “propaganda antitabagistas” que se faz em massa pra acobertar o fato de que o governo lucra com o vício alheio.
    Da próxima vez tenha mais senso crítico ao escolher uma pauta.

    • Não concordo com sua opinião, mas adorei a forma com a qual você exprimiu sua opinião. O mundo seria um lugar melhor se todo mundo dialogasse e não acusasse ou ofendesse. Obrigado pela crítica e pela argumentação. Fico feliz por ter você entre nós.

  3. Gostei demais da matéria, apesar de eu ser leigo no assunto, me convenceu que fumar não é a coisa “mais legal do mundo” !

  4. É por isso que gosto de fumar o palheiro. Primeiro porque tu fuma muito menos, já que não dá pra fumar um inteiro por ser muito forte. Segundo porque não deixa tanto cheiro de fumo na roupa, só na boca pq não tem jeito.
    Tomara que eu nunca tenha a ideia de fumar um cigarro industrializado.

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