Quanto custa estudar em uma universidade pública?

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Imagine a seguinte situação: você é um estudante de baixa renda em época de vestibular. Depois de muito estudo e esforço heróico, graças à péssima qualidade das escolas públicas e privadas brasileiras, você vê seu nome na lista de aprovados em uma universidade federal ou estadual. Felicidade total. Já de cabelo raspado no trote e frequentando as aulas, um choque: o estudo é grátis, mas estudar ali não é tão barato quanto te fizeram acreditar. No Econoleigo de hoje vamos mostrar o custo de vida do estudante e quanto custa estudar em uma universidade pública.

É impossível trabalhar frequentando uma universidade pública

Quando se estuda em faculdade pública, uma das primeiras mudanças notáveis são os horários de aulas. A grade de um aluno é totalmente maluca. A primeira aula pode ir das 10:00 às 12:00, e a próxima só de tarde, das 16:00 às 18:00. Com esse calendário bagunçado, como é que um estudante consegue um emprego? Pois é, salvo raríssimas exceções, não consegue. Para quem vem de uma família com boas condições financeiras, é possível se dedicar apenas aos estudos. Aos alunos que saem de lares com menor poder aquisitivo, sobre somente o auxílio estatal.

O governo ajuda os alunos de baixa renda de diversas formas. Existem os passes estudantis para o transporte e  os restaurantes universitários que custam, em média, de R$ 2 a R$ 4 por refeição, para a alimentação. Parece barato, mas se considerarmos que um aluno pode fazer as três refeições na universidade, o custo diário pode chegar a R$ 12 reais. Ao longo do mês, um estudante queima R$ 252 somente para se alimentar. Parece pouco, mas para uma família com renda até R$ 1.500,00, usada para manter marido, esposa e três dependentes, é muito dinheiro.

Para esses alunos é impossível frequentar uma sala de aula sem as bolsas governamentais. Uma delas é o PNBP, o Programa Nacional de Bolsa Permanência, que destina R$ 400 mensais a alunos que estudam em uma cidade diferente de onde residem, provenientes de uma família com renda inferior a 1,5 salários mínimos, com carga horária diária próxima a 5 horas. A solução encontrada pelos estudantes longe de casa é ficar em uma república. Um quarto nas repúblicas próximas a USP não sai por menos de R$ 500,00 e podem chegar, brincando, a R$ 1.500,00 nas mais badaladas.

Hora da calculadora:

Refeição econômica: Entre R$ 126 e R$ 252 por mês para comer três vezes no bandejão.

Transporte: Grátis.

Festas: No mínimo R$ 100 para festas/cerveja.

Vestuário: No mínimo R$ 50 para manter um guarda-roupa enxuto.

Para quem mora longe ou sozinho

Moradia: Entre R$ 500 e 900.

Higiene: R$ 50 de papel higiênico, escova, sabão e derivados.

Como podemos ver, frequentar uma universidade pública custa, no mínimo, R$ 500,00 por mês. A mensalidade é grátis, mas a carga horária muitas vezes te impede de trabalhar, pelo menos nos primeiros semestres, o que torna a vida do estudante de baixa renda extremamente complicada. Há a possibilidade do estágio, mas ele dificilmente aparece nos primeiros semestres. Quando aparece, é uma boa alternativa, já que a Lei do Estágio garante a compatibilidade com carga horária. O salário médio, de acordo com o SINE, é de R$ 800, mas na prática as empresas oferecem R$ 600 por 6 ou 8 horas diárias trabalhadas.

A quem não tem grana para se manter no ensino superior público ou falhou no vestibular da Federal por vir de uma escola fundamental e média extremamente fraca, resta o ensino privado. A mensalidade de administração na UNINOVE em São Paulo custa, no período noturno, entre R$ 450 e R$ 550. Um operador de call center ativo, a profissão de entrada de muitos jovens brasileiros, recebe cerca de R$ 1.200,00 por mês de salário. Dá para pagar a faculdade, o transporte e alimentação (graças aos vales da firma) e ainda sobra dinheiro para ajudar em casa ou pagar as próprias contas. Parece bom, certo? No papel sim. Difícil é conseguir um emprego digno, no país da crise, com um diploma das universidades mais acessíveis. A alternativa é se matricular, passar no vestibular e frequentar uma universidade mais gabaritada. Sabem quanto custa a mensalidade de administração da PUC SP? R$ 2.200. Resta recorrer ao FIES, o financiamento estudantil. Problema resolvido? Não. Junto do diploma vem a fatura do empréstimo.

Resumindo: Estudar em uma universidade, pública ou privada, é extremamente caro e custoso, e é assim que você deve se sentir caso seja um dos 95% dos jovens brasileiros que não pertencem à classe A:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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