Produção industrial cai 8,3% em 2015. O que isso significa?

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Queda na produção industrial bate recorde na década

O IBGE soltou um relatório preocupante na manhã de hoje. Segundo o instituto oficial de números sobre o Brasil, a produção industrial encolheu 8,3% entre janeiro e dezembro do ano passado. Se o número por si só já é ruim, imagine agora que isto representa o pior resultado para o setor nos últimos 13 anos. Sim, desde o último ano do governo FHC. De 2003 a 2015, o país viveu um boom econômico puxado pelas nossas commodities, e que levou nossas industrias e construção civil no rastro. Resultado? Desemprego baixíssimo, crescimento do PIB e modernização do nosso parque produtivo. A chamada Crise da Dilma, que mês a mês enterra um pouco mais nossa economia, está tratando de destruir essa conquista.

Primeiro vamos às causas.

A produção industrial cai quando, obviamente, as industrias (e fábricas) produzem menos. As causas diretas dessa retração é a queda no consumo, por parte de Pessoas Jurídicas e também de Pessoas Físicas, estas de forma indireta, ou seja, através do comércio. A confiança da população e dos empresários na economia também prejudica essa produção. Por exemplo, se um empresário acredita que a crise vai se agravar nos próximos 24 meses, ele corta investimentos, o que significa que a contratação de serviços de fornecedores é interrompida, e isso vai fazer a produção de outra industria diminuir, e ele também vai acertar a redução da produção na própria empresa. Por que? Reduzir o estoque, que além de ocupar espaço, também significa um custo sem retorno, pois a empresa gastou para construir aquele material que não está sendo vendido.

Quando uma empresa para de produzir, ela segue necessariamente um de três caminhos. Ou ela coloca os trabalhadores em férias coletivas, como aconteceu nos últimos meses com quase todas as grandes metalúrgicas e montadoras do Brasil. A segunda opção é diminuir a jornada, como por exemplo fechar a empresa às sextas-feiras e diminuir o salário dos funcionários em 20%. A terceira alternativa, e a que geralmente acontece, é simplesmente demitir os trabalhadores. O primeiro cenário é paliativo e ocorre normalmente para evitar confronto com sindicatos. O segundo passo é temporário, e normalmente precede o terceiro. No caso do primeiro cenário, normalmente ele é implementado enquanto o empresário negocia as demissões com o sindicato. De qualquer forma, cabeças sempre rodam.

Agora vamos às consequências.

Além do aumento no desemprego, que é sempre uma consequência direta da queda na produção industrial, precisamos considerar também a mudança no perfil da nossa matriz produtiva. Ao mesmo tempo em que temos uma diminuição no que sai das industrias e fábricas, temos um aumento na produção agrícola e pecuária. Ou seja, a crise está no levando de volta às décadas de 70 e 80, quando o Brasil era apenas uma grande fazenda, e todos os produtos transformados, de carros a computadores, eram todos importados.

É claro que não há nenhum problema em sobreviver de plantar alface, até porque uma fração importante do PIB americano vem do campo. A diferença é que lá há o Google, a Microsoft, Facebook, Apple e derivados, além de fábricas de foguetes, aviões e etc. Ocupar 100% do material humano na agricultura vai gerar uma receita nacional X. Ocupar 30% do material humano na agricultura e 70% na industria vai gerar uma receita nacional X + Y. O que é o Y? É maior que o X. Por que? O valor de venda de uma caixa de tomate é inferior ao de uma caixa de transmissão de automóvel. A regra é simples. O custo de produção de bens transformados, ou industrializados, é maior, mas seu valor de venda também cresce proporcionalmente se comparado com o que vem do campo.

Resumindo: A queda na produção das industrias pode, a médio prazo, levar a uma desindustrialização de nossa economia, e é assim que você deve reagir ao saber disso:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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