Por que o Brasil está em crise?

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Por que o Brasil está em crise? Entenda aqui!

Que o Brasil está enfiado na pior crise de sua história todos sabemos, mas você tem na ponta da lingua a explicação de como é que chegamos no fundo deste buraco financeiro? Se alguém te perguntar como o Brasil entrou na crise, você saberia dizer? É para te ajudar nisso que o Econoleigo de hoje te ajuda a explicar: Por que o Brasil está em crise?

Antes de analisarmos os erros, precisamos entender sua origem. Em todo governo, a economia é tocada de acordo com as orientações do Ministro da Fazenda, que as tira de suas convicções e ideais, todos estes derivados de um Pensamento Econômico. Ou seja, se a uma nutricionista acredita que porco faz mal à saúde, não será servido porco na mesa de jantar. Desde 2003, quando Antonio Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, o governo brasileiro dedicou-se a implantar a chamada Doutrina Keynesiana, criada pelo economista John Keynes. Segundo os ensinamentos de Keynes, um país só será prospero com o aumento do consumo interno.

O conceito da Doutrina Keynesiana parece ótimo no papel, mas para que seu objetivo seja alcançado é preciso adotar uma série de medidas que levam diretamente à elevação do endividamento da população e do governo, que através da intervenção política na economia e com as estatais, acaba alimentando o orçamento de empresas que sobrevivem do gasto público. A alternativa à Keynes é o liberalismo de Locke, aplicado atualmente na Alemanha e que é focado 100% na austeridade e na responsabilidade com os gastos. Criticado pela esquerda de todo o mundo, a austeridade ocorre quando um governo decide cortar gastos, vender propriedades e tornar-se mais produtivo. É como uma pessoa que, ao se afundar em dívidas, corta a TV a cabo e começa a comer carne de frango ao invés de picanha. É chato, é ruim, mas funciona.

Em uma metáfora, Keynes e Locke são encontrados no futebol a todo momento. O primeiro monta super times sem se preocupar com o salário, esperando que os craques ganhem o Brasileirão e a Libertadores. O segundo monta times competitivos, mas sem estrelas, esperando que a regularidade o leve ao título. No primeiro caso, se o time não conseguir a taça (imprevistos acontecem, mesmo) então os próximos anos serão destinados a pagar um rombo gigante e que não fecha. Lembram de times que atrasam 3 meses de salário mas contratam jogadores europeus? É isso. No segundo caso, ao não conquistar a taça, o presidente dispensa alguns jogadores e os repõe por atletas do mesmo nível e salário. O impacto no orçamento do ano seguinte? Nenhum.

É exatamente isso o que foi feito no Brasil nos últimos 13 anos. Com um governo focado não na prosperidade, mas na popularidade, Brasília tomou uma série de decisões que teriam como objetivo final números atraentes para apresentar na propaganda política: gasolina barata, aumento no salário mínimo e redução no desemprego. Tudo isso é muito atraente e necessário, mas a qual custo? Vale mais à pena pagar 2 reais na gasolina por 5 anos e depois pagar R$ 3,50 nos próximos 10 anos, ou pagar R$ 2,90 durante uma década?

Um exemplo disso é a conta de energia paga hoje pelos brasileiros. O governo Dilma descobriu acertadamente que o brasileiro pagava um absurdo de energia. Para reduzir essa conta havia duas alternativas: abaixar o imposto na conta de luz e o pago pelas empresas de geração, o que reduziria a arrecadação do governo, ou exigia na base da caneta que as empresas reduzissem os preços da tarifa para que as concessões fossem renovadas. O resultado? A presidente Dilma foi à televisão dizer que pela primeira vez na história, haveria uma redução de 20% no valor da conta de energia. Como toda essa caridade saiu dos bolsos das empresas, elas tiveram que compensar isso reduzindo o ritmo da expansão das redes de energia e também de geração. Pulamos alguns anos e temos em 2014 uma seca preocupante em um país onde a grande maioria da energia é produzida em Hidroelétricas (a partir da água) e com grande demanda de energia. Como qualquer leigo sabe, a vida é dirigida pela lei da oferta e da procura. Com pouca energia a disposição e muita gente precisando comprar, as empresas aumentaram o valor da conta. Resultado? A redução de 20% na luz custou alguns anos depois um aumento de 180% ao consumidor. Todos esses preços “congelados” pelo governo foram “liberados” após a reeleição de Dilma em outubro do ano passado, e o consumidor pagou em média 18% a mais a partir de então em tudo que o governo “segurou” artificialmente.

Outro ponto importantíssimo na explosão da crise foi a corrupção. Como o modelo de Keynes adotado pelo governo defende o consumo a qualquer custo, o governo descobriu o gabarito da prova:

A pergunta era: Em um país cujo sonho é a casa própria, como elevar o consumo da população?

A resposta: Construindo casas, apartamentos, rodovias e pontes país afora.

Bingo!

Como o exército não pode construir casa para todos, o governo aproximou-se das grandes empreiteiras do país: Oderbretch, OAS, Camargo Correa e derivados. Elas seriam responsáveis por tocar obras de reforma de aeroportos, rodovias, pontes, prédios públicos, refinarias e derivados. Esse aquecimento da economia levaria dinheiro ao bolso das pessoas, e as construtoras maiores, e também as pequenininhas espalhadas pela nação, poderiam se esbaldar construindo e lançando prédios populares e de classe média em qualquer pedaço de chão disponível nas cidades. A construção destes prédios e também das grandes obras publicas geraria milhões de empregos na industria. Um ciclo positivo e que não poderia falhar.

Mas falhou.

Construir é caríssimo, e isso precisa ser pago de alguma maneira. Em um país com tributos quase criminosos, a conta final chegou no colo do governo e do povão: o primeiro com aumento atrás de aumento em cima do orçamento das obras, e o segundo com financiamentos bancários com juros de 1% ao mês, com duração de 30 anos. A bolha aumentou até um ponto já previsto por muitos em 2008: um dia faltaria dinheiro para emprestar, e a inadimplência cada vez maior acabaria gerando um calote generalizado, que quebraria todo o sistema como peças de dominó.

Mas como é que o dominó caiu “do dia para a noite”? O nome do culpado é a operação Lava-Jato. Ao identificar um esquema criminoso de corrupção na Petrobras, a Policia Federal investigou até chegar aos donos das principais construtoras do Brasil. A aproximação do governo com elas aparentemente se deu da seguinte forma:

Governo: “Escuta, vamos fazer um bocado de obras. Estão afim de participar?”

Empresas: “Claro!”

Governo: “Ótimo, mas tem uma condição: de tudo que entrar no cofre de vocês, uma caixinha de 20% vai para nossas contas, ok?”

Empresas: “Fechado”

Em um país onde tudo terminava em pizza e impunidade, aparentemente não haveria problema nesse esquema de Pixuleco. O angu econômico azedou quando a PF colocou os donos de todas as grandes construtoras atrás das grades. Mas qual o impacto disso na economia, vocês me perguntam. O Brasil tem uma economia 100% dependente do consumo, que é todo atrelado à construção civil, eu te respondo. Com denúncia de corrupção nas licitações com construtoras, e com os donos delas atrás das grades, não se constrói mais nada no país desde o final do ano passado, e como consequência toda cadeia produtiva que dependia disso para viver ruiu.

Durante o tempo em que esse esquema funcionou, o governo precisava bancar essa gastança desenfreada que tomou conta de toda administração pública. Como a única coisa elástica em um orçamento é a despesa, a dívida pública começou a crescer sistematicamente, e um país que anualmente “economizava” no início dos anos 2000 R$ 100 bilhões anuais para pagar a dívida pública chegará em dezembro de 2015 com aumento direto na dívida de R$ 51 bilhões, sem contar os juros.

Já vimos no caso da energia que nosso governo não sabe reduzir impostos e cortar na carne, certo? Então qual seria a solução para o caso do endividamento público (o chamado Déficit Fiscal, já explicado aqui):

a) Redução de despesas e corte no orçamento

b) Aumento de impostos

Nosso governo é discípulo de Keynes, e o corte do orçamento se traduz em redução dos gastos públicos, o que tem impacto direto no orçamento das empresas que sobrevivem do dinheiro do povo, e essas empresas param de contratar e a bola de neve continua descendo. Sabendo disso, não é surpresa que o governo tenha decidido pelo aumento de impostos, que eleva a arrecadação do governo e permite que ele continue gastando para “aquecer” a economia. O problema de tudo isso é que ao aumentar o imposto, o governo literalmente tira comida da boca da população para colocar na dele. Com menos dinheiro nas mãos, as empresas continuam funcionando, mas cortam salários, demitem pessoal e congelam investimentos. No final das contas, o resultado será o mesmo e a única diferença é que o vilão é o empresário, e não o político.

Só existe dinheiro no Brasil hoje em dois setores: agronegócio e investidores, e ambos os casos são reflexo do dólar a R$ 4. Com uma unidade da moeda americana custando 4% do salário mínimo brasileiro, fica muito barato para outros países importar carne, trigo, soja, milho e outros produtos do nosso campo. Isso é bom para nossa balança comercial, mas horrível para a cadeia produtiva pois não há valor agregado no que sai do nosso solo. O milho é colhido, ensacado e enviado para o Japão. Quando a industria está em movimento, o ferro é extraído do solo, convertido em aço, transformado em chapas, vira uma geladeira, que será vendida a um grande distribuidor que acabará vendendo para um comércio de bairro. Enquanto a agricultura emprega 10 pessoas (número fictício) a industria acaba empregando 50 (número fictício).

Já os investidores comentados no parágrafo acima são todos estrangeiros. Com o real desvalorizado e as empresas brasileiras à beira da falência, grandes investidores internacionais estão comprando negócios tupiniquins em ritmo impressionante. Se por um lado isso é bom, pois entra dólar no Brasil, e a moeda continua ligeiramente estável, por outro lado isso é péssimo, pois toda receita (lucro) gerada por essas empresas será remetida ao país de origem desses investidores, saindo do território nacional.

Uma análise breve dos dois últimos parágrafos deixa fácil observar que o Brasil está voltando ao passado, à época do primeiro governo de Getulio Vargas, quando éramos potências no café e na pecuária, mas não tínhamos sequer uma siderúrgica para transformar minério de ferro em maçaneta de porta.

A situação é complicadíssima de entender e trocar em miúdos, mas tentamos aqui explicar de forma simplificada e resumida alguns pontos chaves que nos trouxeram a essa situação. O ano de 2015 foi péssimo e catastrófico, mas no mercado a esperança é que 2016 seja apenas ruim igual, e 2017 menos pior, e assim sucessivamente até finalmente nos recuperarmos dessa lambança que nossos políticos populistas nos enfiaram.

No final, há mais de 70 anos a Doutrina Keynes produz SEMPRE o mesmo resultado: a estagflação, que é a estagnação econômica com aumento na inflação. O encolhimento de 2,8% na economia brasileira e a inflação de 10% em 2015 deixam claro que chegamos a um ponto de estagflação. Isso acontece há 70 anos pelo menos, mas nossos políticos se acham muito inteligentes, e pensaram que seriam capazes de produzir um resultado diferente. Mas não foram.

Resumindo: Ao ler isto você entenderá que o responsável pelo seu desemprego hoje vai te pedir um voto amanhã e que não existe almoço grátis neste mundo, e é assim que você deve se sentir ao entender isso:

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