Por que o dólar abaixa e sobe o tempo todo?

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Entenda o porque o dólar sobe e desce constantemente.
Entenda o porque o dólar sobe e desce constantemente.

Já escrevemos um tanto sobre dólar, câmbio e cotação, mas ainda sentimos que o assunto não esgotou. Se quiser ler o que já foi escrito, dê uma passadinha aqui, aqui e aqui. Vamos insistir na questão pois, em se tratando de economia, entender o porquê do dólar ser o balizador da nossa economia é importantíssimo e vai te dar maior compreensão sobre o impacto das frases “o dólar subiu” ou “o dólar abaixa” no jornal. Sendo assim, vamos logo a questão: por que é que a cotação do dólar abaixa frequentemente e depois volta a subir?

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que para ser significativa, uma moeda precisa refletir a importância política e a estabilidade econômica do país e os Estados Unidos, apesar das dificuldades econômicas que vem passando, ainda é considerado o país mais forte entre as economias. Ou seja, o que acontece na economia brasileira tem impacto direto na vida dos outros países da América Latina, afinal somos a nação mais rica e industrializada do continente, mas mesmo assim, nosso Real tem importância somente marginal na força da moeda deles. Toda e qualquer conta é feita em dólar, moeda que nós também respeitamos. É, no fundo, uma questão de hierarquia e solidez.

Todas as moedas precisam de um lastro, ou seja, reservas que comprovem que a moeda de fato vale o que representa. Até a 1ª Guerra Mundial essa reserva era feita em ouro e cada país lastreava sua própria economia – por exemplo: cada dólar emitido valia 1/20 de uma onça-ouro e este ouro ficava estocado em bancos americanos. A necessidade de financiar a guerra, entretanto, fez com que o chamado “padrão-ouro” não suportasse a emissão desenfreada de dinheiro dos países europeus, causando forte inflação e desvalorizando outras moedas em relação ao dólar.

O período entre guerras foi essencial para consolidar a posição da moeda norte-americana, especialmente após a Grande Depressão de 1929. Com o enfraquecimento da economia mundial e o mundo à beira do colapso provocado pela 2ª Guerra, as 44 nações aliadas organizaram a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas e assinaram o Acordo de Bretton Woods onde foi criado o FMI, Fundo Monetário Internacional, e o BIRD, Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento – atualmente conhecido como BID. O principal legado do acordo, no entanto, foi a determinação de que os países participantes deveriam adotar uma política monetária baseada no dólar, ou seja, os países manteriam reservas em dólar que garantissem sua economia enquanto os Estados Unidos manteriam as reservas em ouro.

E foi assim que o dólar se tornou a moeda mais desejada do mundo. Entendeu porque o fascínio em relação ao Fort Knox, nos Estados Unidos? É lá que boa parte das reservas de ouro estão guardadas. É por isso que sempre que vão assaltar um banco “central” nos EUA, os bandidos carregam caminhões de ouro, não de dólares.

Cena do assalto bilionário ao Federal Reserve em Nova Iorque, no filme Duro de Matar 3.
Cena do assalto bilionário ao Federal Reserve em Nova Iorque, no filme Duro de Matar 3.

Essa história é boa a título de curiosidade, mas também para compreender porque a cotação da moeda norte-americana afeta a balança comercial do país. A balança comercial é a diferença monetária entre as exportações e as importações e essa oscilação determina qual grupo de empresas estará mais forte no país, criando mais postos de empregos e fechando mais negócios, fortalecendo a economia como um todo.

Se a balança comercial, as indústrias que produzem para o mercado interno e o turismo doméstico são beneficiados com a alta do dólar, então por que todos estão tão ávidos para que o valor diminua? Talvez porque o dólar alto traga para a população geral a sensação de pobreza.

Com o dólar mais baixo os brasileiros gastam mais, especialmente com turismo internacional. Com o dólar baixo, as pessoas viajam mais, compram mais e dão ao mundo aquela sensação de “tem brasileiro em todo lugar do mundo”. Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima, dias atrás relembrou algo que às vezes nos esquecemos, que confiança é um dos indicadores mais importantes da saúde econômica de um país. E é essa sensação de confiança que faz baixar o dólar.

Mas Econoleigo, você é economista ou mochileiro para gostar de dólar baixo?

Nenhum dos dois e os dois ao mesmo tempo, ou seja, vivo na pele o desafio diário que é equilibrar a repercussão do preço da moeda norte-americana no meu orçamento doméstico. Por um lado, o dólar mais alto aquece o mercado interno, faz com que as commodities brasileiras sejam mais competitivas no exterior. Além disso, as indústrias com ativos em dólar recebem mais, e acabam contratando mais e todo aquele ciclo maravilhoso de crescimento.

Por outro lado, um dólar mais baixo contém a inflação e estimula o consumo, o que é bom para toda a cadeia de turismo e serviços, fazendo com que os brasileiros gastem mais, e a história nos mostra que os habitantes de um país só gastam quando tem confiança que não vão entrar em recessão ou pagar IOF (mais uma das invenções malucas do país da jabuticaba) absurdo depois de fazer uma comprinha no exterior.

Resumindo: Como tudo na vida, o preço do dólar também é equilíbrio e se ele sobe alguém ri e outro chora, e vice-versa, e é assim que você deve se sentir ao saber que ainda hoje tem gente que defende um dólar custando um real:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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