PALAVRA DE ESPECIALISTA: É o fim dos concursos públicos?

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Tem sido cada vez mais comum o debate acerca do fim dos concursos públicos no Brasil. Para muitos, o fato do Ministro da Economia, Paulo Guedes, possuir viés liberal e defender o Estado mínimo é motivo para que acreditar que os concursos não acontecerão durante esse governo. Caso essa visão seja concretizada, toda a indústria pode passar por um período de estagnação e afetar não apenas o sonho dos concurseiros.

Existe, no Brasil, toda uma cadeia produtiva que está ligada aos negócios gerados pelos concursos públicos. Direta ou indiretamente, a diminuição da confiança na realização dos certames afeta gráficas que imprimem livros e apostilas, jornais e outras publicações especializadas, profissionais com experiência na preparação dos candidatos e cursinhos, apenas para citar alguns envolvidos no setor.

Uma questão pouco levada em consideração, no entanto, é o fato de que a União precisa repor o corpo técnico. Mesmo com a utilização de tecnologias para dar mais eficiência ao setor público, muitos servidores entraram com pedidos de aposentadoria diante do cenário de mudança das regras da Previdência. Algumas carreiras que estão com os recursos humanos defasados são responsáveis por trazer receitas para os cofres públicos e precisam ser reestruturadas.

Estados e municípios também se enquadram nessa análise, tanto em relação às aposentadorias quanto à defasagem de técnicos especializados. Nesse caso é preciso lembrar, também, que nem todos os gestores possuem a visão liberal do Ministro da Economia.

Pode-se concluir que o mercado de concursos talvez não seja tão afetado. Assim como outros segmentos, passa a existir a necessidade de reposicionar suas estratégias para manter o interesse dos potenciais candidatos.

Embora possa acontecer a diminuição da quantidade de vagas em futuros certames, o número de inscritos não deve diminuir. Ao contrário, a tendência é que a busca por cada vaga seja aumentada e que essas sejam ainda mais disputadas. Assim, mesmo as bancas organizadoras continuarão a ter garantidos os seus projetos e manterão sua posição de protetoras dos sonhos de estabilidade e segurança que o emprego público representa.

Leonardo Carlos Chaves é advogado, especialista em concursos e dedicado ao ensino e educação no Brasil.

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