Os efeitos da crise chinesa na economia brasileira

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Crise chinesa é perigosa para o Brasil

Boa parte do crescimento econômico brasileiro dos últimos anos se deve ao alinhamento comercial realizado à China. Isso foi muito bom durante os anos anteriores, afinal com uma política de desenvolvimento interno extremamente acelerado, a China importou bilhões de reais em insumos brasileiros anualmente. Acelerando os anos, chegamos a 2015, onde o Brasil conheceu uma crise economia quase sem precedentes. Há também uma chamada crise chinesa, que por mais severa que seja, não chega aos pés do que ocorre no Brasil.

Para melhor entender o problema que um agravamento da crise chinesa traria para o Brasil, precisamos primeiro compreender a importância e a dependência econômica que criamos com o governo de Pequim.

Em 2001, o Brasil exportou cerca de US$ 2 bilhões para os chineses. Este número subiu ano após acho, chegando ao pico de 45 bilhões de dólares em 2013. O Brasil enviou anualmente para a china uma série de commodities, que são produtos onde não há nenhum tipo de capital intelectual embutido, e que as pessoas não podem viver sem, como petróleo, frutas, grãos, e etc.

Se você puxar bem em sua memória, vai lembrar que em 2013 ninguém falava sobre crise no Brasil. Essa conversa começou na metade do ano passado, principalmente através da oposição nas eleições presidenciais de outubro de 2014. Já no ano passado, houve uma redução de aproximadamente US$ 5 bilhões no volume de exportações brasileiras para a China. Embora o volume de exportações para a China em 2015 ainda seja satisfatório, seu ritmo de crescimento estancou.

Como nossa produção industrial está em declínio, com diversas fábricas e metalúrgicas paralisadas, é natural que boa parte da nossa balança comercial fique dependente de commodities, principalmente as agrícolas. Isso é ruim para a economia, pois colocar a industria de transformação ou de valor agregado em segundo lugar traz uma série de malefícios à economia. Basta lembrar que o Brasil era um país quase irrelevante internacionalmente enquanto nossa economia se baseava em exportar café. Foi somente com a industrialização pesada ocorrida na segunda metade do século XX que o Brasil tornou-se um player relevante no mercado internacional.

Pois bem. Voltemos à crise chinesa. Com a desvalorização do Renminbi, que é a moeda utilizada na China, que também é chamada de Yuan,  e com o desaquecimento da economia interna chinesa, é natural que os chineses parem de importar produtos de origem brasileira e priorizem o mercado nacional, ou mais próximo e com menor custo.

Um pequeno número vai mostrar a dimensão da importância que os chineses tem em nossa economia. Em 2015, o valor de nossas commodities caiu 12,7%, e deste montante podemos atribuir 5,2% diretamente à economia chinesa. Ou seja, o crescimento meteórico da China foi responsável por levar o valor do produto brasileiro às alturas, e a crise chinesa é responsável agora por trazer esses números para baixo. Do outro lado do pacífico, a economia americana continua em sólido crescimento, e a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos cresce mensalmente.

Como a política externa brasileira foi a de alinhamento com países mais ligados à ideologia social, como França, China, Venezuela e Cuba, por exemplo, o Brasil não tem tanta proximidade para reverter o fluxo de exportação da China para os Estados Unidos.

Ou seja, estamos imersos em uma crise interna perigosíssima, e nossas chances de sobrevivência dependem muito de como a crise chinesa vai se desenrolar.

Resumindo: Uma tática que deu muito certo nos últimos cinco anos agora está se tornando perigosa, e temos que rezar para que o governo de lá administre a crise chinesa melhor do que administramos a nossa própria, e é assim que você deve se sentir ao ler isto:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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