O que são as reservas cambiais?

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O que são as reservas cambiais e porque não devemos usar essa grana para pagar o déficit
O que são as reservas cambiais e porque não devemos usar essa grana para pagar o déficit

Pergunte para político, desses que são irresponsáveis e bom de boca, qual a melhor alternativa para sairmos do temido déficit fiscal. Aposto com você uma carona no Uber do Lula que a resposta é: devemos utilizar as nossas polpudas reservas cambiais. Parece uma fórmula mágica e simples, daquelas que te faz pensar por que é que ninguém pensou nisso antes. Simples. Por que não é tão simples assim. Antes de te explicar o que são as reservas cambiais, algo que eu duvido que boa parte desses políticos saiba, vamos primeiro contextualizar o tamanho do buraco que, teoricamente, deveria ser tapado pelas reservas.

No ano de 2015 o Brasil teve um déficit fiscal de 115 bilhões de reais. Para este ano, a expectativa é que o governo feche dezembro com um déficit de R$ 79 bilhões. Ou seja, depois de muito apertar o cinto do governo gastão, o ex-ministro Levy e o atual ministro Barbosa conseguiram apenas diminuir o tamanho da gastança. Em dois anos, o Brasil deixou de ser um país que termina o ano no lucro, guardando o restante para pagar a dívida externa, para ser uma republiqueta que não consegue sequer balancear o talão de cheques. São R$ 194 bilhões de reais de dívida, em cima dos quais vão correr juros. É um absurdo.

Pois bem. De forma resumida, rápida e rasteira, as reservas cambiais são as poupanças do governo brasileiro ao redor do mundo. Temos essas reservas em dólar, nos Estados Unidos, em libras na Inglaterra, em euros na Alemanha, e assim por diante. Ao contrário do brasileiro, que compra dólar na casa de câmbio, um governo se capitaliza de moedas estrangeiras de outra forma. Nosso Banco Central, que é o responsável por essa tarefa, e também por administrar as reservas cambiais, fica atento no mercado internacional. Quando fica sabendo que um determinado governo, ou banco internacional, está vendendo moedas, mas ninguém quer comprar, nós fazemos uma oferta. Comprando quando ninguém quer, nós conseguimos um preço melhor. Feita a compra, nós transferimos reais para a conta deste governo ou deste banco aqui no Brasil, ou em outro país, e este governo, empresa ou banco, transfere o dinheiro para uma conta brasileira naquele determinado país.

Existem outras formas de arrecadação monetária que compõe uma reserva cambial. Se quiser entender a fundo, recomendo este excelente artigo do Ricardo Gallo. No mais, a coisa funciona mais ou menos dessa forma. Nós pegamos grana lá fora em momentos de necessidade ou oportunidade, e deixamos guardado.

Reservas cambiais: para que elas servem

A reserva cambial é usada para garantir nossa solidez financeira. Vamos dizer que o dólar nos Estados Unidos entre em parafuso. Nós usamos essa gordura de dinheiro que temos em terreno americano para administrar o impacto. Isso garante que o câmbio brasileiro não vá a loucura, pulando de R$ 3,78 para R$ 5,12 em uma questão de dias. Isso acontece quando o Brasil vende ou compra dólares para segurar a cotação. Isso é algo que se ouve bastante nos jornais.

Outra utilidade dessas reservas é obtenção de boa classificação junto às agências de risco. Como? É simples. Ter bastante dinheiro guardado no exterior mostra a essas agências que, em caso de problema, nós temos condições de pagar compromissos e empréstimos. Sabe quando você vai pedir um empréstimo e o gerente do banco sorri ao saber que você tem uma casa quitada em seu nome? É a mesma coisa. Nós temos uma boa reserva, mas nem isso foi suficiente para evitar que as três maiores agências de classificação de risco do mundo rebaixassem nosso grau de investimento.

Agora vamos ao problema. Torrar as reservas cambiais implica em muita coisa. Além da irresponsabilidade em si, não ter poupança expõe nossa economia a uma série de riscos. Uma economia que já está frágil. Outro ponto importante é ressaltar que, embora nossas reservas cambiais estejam atualmente em U$ 371 bilhões de dólares, ou o equivalente a R$ 1.4 trilhões, isso não significa que temos isso de dinheiro disponível. Uma parte desse dinheiro está emprestado a empresas, outra está reservada para pagamento de dívidas, e por ai vai. Apenas pedaço desse dinheiro está líquido, à disposição para saque.

Mas por que não injetar dinheiro no orçamento do governo, evitando assim que fechemos o ano no vermelho? Por que isso não funciona. Talvez tenhamos fôlego para, com segurança, quitar o déficit fiscal usando as reservas cambiais por dois, três anos. Depois disso, sem considerar as complicações imediatas que isso acarretaria, dessas já citadas acima, teríamos problemas seríssimos mais adiante. Como explicou o banqueiro Saul Sabbá em um artigo lá em novembro, quando se aventou a possibilidade do governo intervir no Banco Central para mexer nas reservas. O negrito é por nossa conta

“Falar em mudança na abordagem do BC em relação a intervenção é para inglês ver. Pretendem fazer o que? Congelar o dólar como foi feito na Argentina? Deixar que ele flutue livremente em um ambiente com fragilidade estrutural e conjuntural? O problema é operacional e não regulamentar.”

Do ponto de vista administrativo, e explicado de forma básica para vocês entenderem, fazer isso é uma irresponsabilidade, fruto de total desconhecimento do que é gerenciamento de finanças. É como se o seu patrão cortasse o seu salário, o que é aliás uma realidade no Brasil em crise, e ao invés de parar de jantar fora e ir ao melhor cinema da cidade, você sacasse dinheiro da poupança para suprir esses mimos.

Resumindo: Usar as reservas cambiais para pagar a conta é a mesma coisa que vender a janta para pagar o almoço, só que feito não por emergência, mas por incompetência e preguiça de trabalhar, e é assim que você deve se sentir quando ouvir alguém defendendo essa estupidez:

O que são as reservas cambiais e porque não devemos usar essa grana para pagar o déficit

Ou como esse pessoal adora o Caetano Veloso, reaja assim:

O que são as reservas cambiais e porque não devemos usar essa grana para pagar o déficit

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

5 COMENTÁRIOS

  1. Fale-nos mais sobre o governo gastão, esse do rombo de 170 bilhões aprovados rapidinnho pelo congresso para 2016…

    • Não foi aprovado um rombo, foi aprovada a constatação do estrago causado pelos orçamentos executados pela presidente anterior. Aprovar um orçamento positivo era impossível, pois não havia como cortar tanto em tão pouco tempo.

  2. Concordo plenamente quando se diz utilizar para pagar a conta que seriam, na realidade, os NTN, LTNs, LFT, entre outros, embutidos nas aplicações de Bancos (ex: juros-divida interna) e divida externa que representam em torno de 4% dos 3 tri, porém, quando se utiliza para incentivo ao consumo, vendas, novos investimentos, ou seja, pagar subsídios destinados a abaixar os juros de financiamentos, quando se utiliza para subsídio destinado a abaixar os juros de renegociação de dívidas das empresas, pessoa física e produtor rural em situação de insolvência. Quando se utiliza para incentivar a produção e o investimento do produtor rural, entre outras situações, que incentivariam todo o setor produtivo brasileiro, entendo que, não é atitude errada.
    Explicando melhor, se voce aumenta a venda da empresa: aumenta emprego e ela não quebra; Aumenta incentivo a novos investimentos: significa novos empregos, mais impostos, novos concorrentes, menor preço; Recupera empresas, produtor rural e pessoa física quebrada: significa reintegração a uma vida normal, aumento de empregos, aumento de impostos, entre outros.
    Resumindo: empresa vendendo mais,exportando mais, novas empresas abrindo, significa mais empregos, maior arrecadação de impostos para o próprio governo que pode ajudar a diminuir o rombo de 3 tri. O índice de confiança e a quantidade de empregos aumentariam automaticamente, porém, sem nenhuma ação nesse sentido e sem abaixar essa taxa SELIC absurda, sem incentivar o setor produtivo brasileiro, não há nenhum aumento em índice de confiança e tudo continua da forma que está. Concluindo quando tiraram a Dilma, tínhamos 375 bi de dólares em reserva cambial ou internacional e, depois de quase um ano, continuamos com os mesmos 375 Bi. Completando, ela pegou com 257 Bi e entregou com os 375 Bi, ou seja, na gestão dela, houve aumento e, nesse governo, não mudou nada até agora. Amo o meu Brasil e espero que meu comentário seja visto de forma positiva. Essa é minha intenção a de ajudar nosso Brasil a sair dessa crise que se encontra.

  3. O Paulo, li seu comentario, voce conseguiu me esclarecer muito bem, é isso mesmo que esse governo idiota tem que fazer, o Rodrigo Teixeira iniciou o texto ja falando mal dos pensadores diferentes dele, como um bom capitalista que é, realmetne nao faz sentido jogoar as contas para gente pagar, se tem poupança, so um um burro para pensar diferente, ok

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