O que é a taxa cambial e como diabos ela funciona?

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Entenda o que é a taxa cambial
O que é essa tal de taxa cambial que muda tanto sua vida?

Tem mais de 30 anos? Então você se lembra que um dos momentos mais importantes do Jornal Nacional era o bloco de economia, quando o âncora falava sobre o fechamento da BOVESPA e da BVRJ, a finada Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, mas também sobre a cotação do dólar para aquele dia. No início do plano real a moeda americana costumava valer em torno de 90 centavos. No primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, o ministério deixou o dólar subir para a simbólica faixa de um real por dólar. Hoje nossa moeda, o já velho conhecido Real, vive num sobe e desce de valorização e desvalorização frente ao dólar norte americano. O nome desse balé financeiro é a taxa cambial. Vamos começar esse texto entendendo o que é a taxa cambial.

A taxa de câmbio é como uma medida de referência no mercado econômico, que serve para comparar o custo de uma moeda frente a outra moeda qualquer. Antigamente a referência para a valorização de uma moeda era o ouro, como já falamos anteriormente. Com a modernização da economia, o ouro deixou de ser referência em favor da Libra Esterlina que, anos depois, foi substituído pelo dólar norte americano. Sendo assim, todas as moedas do mundo são analisadas em frações de dólar. É por isso que se diz que um “Obama” vale, na cotação de agorinha, R$ 3,24 Temers.

Ok, agora que entendemos o que é a taxa cambial, vamos entender como ela funciona no Brasil:

Assim como na maioria dos países onde não há uma regulamentação oficial, a taxa cambial brasileira é flutuante e se comporta de acordo com o comportamento do mercado, que em determinadas situações força a oscilação de forma brusca para cima ou para baixo. Quando a taxa de câmbio é forçada para cima, significa que determinada moeda tem mais oferta que procura – e vice-versa. Nesses casos o Banco Central intervém no mercado de câmbio aumentando a oferta ou comprando dólares de modo a subir ou baixar a taxa.

O mercado cambial no Brasil é basicamente organizado em dois segmentos: dólar comercial (ou mercado livre) e dólar turismo (ou flutuante). As negociações em dólar comercial são utilizadas principalmente pelas empresas que realizam importação e exportação e investimentos estrangeiros no país. E o dólar turismo é o que compramos quando precisamos viajar para o exterior, basicamente, utilizado como parâmetro na conversão de valores gastos no cartão de crédito durante a viagem.

A nossa taxa cambial, por não ter uma regulação oficial, acaba ficando extremamente vulnerável às especulações e acontecimentos do mercado econômico mundial, mas também às condições internas, como a política. No primeiro semestre de 2016, por causa de toda essa turbulência política que estamos passando, o Real foi a moeda que mais foi desvalorizada no mundo em comparação ao dólar. Aliás, segundo acadêmicos, o Real sempre passa por essas supervalorizações (quando há disponibilidade de crédito) e desvalorizações (quando temos menos crédito). Esse sobe e desce é ruim para o equilíbrio do Brasil, tanto interno como externo.

Conversamos com o especialista em finanças e investimentos, Saul Sabbá, que tem a seguinte opinião sobre a política cambial no Brasil:

“O problema do câmbio no Brasil é operacional e não regulamentar. Um dos pontos defendidos pelo partido do presidente Temer em documento apresentado no Congresso ano passado é uma mudança na forma que o BC intervém no câmbio. Muito se fala sobre intervenção no câmbio, mas nem todos compreendem como a coisa funciona. Existem basicamente três formas de atuação estatal em câmbio: o Swap, que é adotado atualmente, o spot e o forward. Como o próprio nome diz, o Swap é uma troca, quando não existe a entrega da moeda, mas apenas uma liquidação financeira pela diferença de taxas de câmbio na data de vencimento, podendo ser positiva ou negativa para o BC. Isso é feito para que o governo consiga segurar o valor da moeda sem que suas reservas fiquem vazias, pois há a recompra. Se o BC não adotar essa linha e acabar passando para o spot, haverá o esvaziamento, pois essa operação implica na troca de uma moeda por outra, ou seja, vendemos dólar em troca de reais, euros ou qualquer outra moeda estrangeira. Precisamos saber o que farão.”

Mas o que causa tanta flutuação não é apenas o comportamento da economia global. Os juros muito altos causam um comportamento especulativo. O especulador é aquele que pega dinheiro emprestado numa moeda com juros baixos e aplica em moeda com juros altos. É o mercado futuro determinando o mercado à vista. Basicamente é um ciclo de apostas que influencia os preços no mercado interno: supermercado, a viagem ao exterior, os bens de necessidade básica. É isso que determina a inflação, a queda/alta do consumo, produtividade, etc. Esse tipo de investidor especulativo é o que chamamos de tubarão, é o cara que vai atrás de sangue. Risco alto, com retorno alto.

Existe também as ações benéficas à economia e não especulativas, que funcionam no mercado de derivativos, por exemplo, as operações de Hedge: empresas com dívidas em dólar, compram a moeda no mercado futuro e ficam imunes às oscilações cambiais, pois o preço é pré-definido.

Todos nós (todos mesmo!) somos afetados pelas oscilações das taxas cambiais. Se o Real valoriza, os preços no supermercado vão cair, mas se desvaloriza, os preços vão subir. Isso porque câmbio e inflação estão diretamente relacionados.

A taxa cambial determina o desenvolvimento e a competitividade externa das nossas empresas. Se desvaloriza, as tarifas de importação aumentam e de exportação são reduzidas. Com isso, as empresas domésticas são estimuladas a produzir e competir mais.

Resumindo: As alterações do câmbio não são sempre inflacionárias, mas sempre que há uma desvalorização do Real, também há a desvalorização do nosso salário, afetando o nosso poder de compras, e é assim que você deve se sentir ao descobrir que o valor do dólar americano tem tudo a ver com o preço do nosso arroz e feijão:

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