O que é o turismo cinematográfico e porque ele fatura bilhões em receita

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Agosto, aquele mês gigante que dura o ano todo, é o início do planejamento das férias de verão para muitos brasileiros. Seja para as praias, serras, ou para o exterior, o momento de escolher o destino das férias é uma das partes mais divertidas desse processo e, acreditem ou não, o cinema é um dos mais importantes fatores dessa escolha. Isso acontece devido a uma modalidade chamada de turismo cinematográfico, e isso movimenta bilhões de dólares todos os anos em receita para países e organizações privadas.

O que é turismo cinematográfico?

Antes de responder a essa pergunta, pense rapidamente: o que Nova Zelândia, Inglaterra, Irlanda, Escócia e o Novo México tem em comum? Isso mesmo! Foram todos locações de filmes ou seriados – respectivamente O Senhor dos Anéis, Harry Potter (dentre outros), Game of Thrones, Coração Valente e Breaking Bad. Para quem não sabe, o fato de se escolher um destino para sua viagem baseado nas locações de filmes, seriados e outros tem um nome: turismo cinematográfico e pasmem, é um nicho que vem crescendo cada vez mais, ano a ano.

A Nova Zelândia é, sem dúvida, a grande campeã desse segmento. Quando foi lançado o primeiro Senhor dos Anéis, o país era destino quase que exclusivo de amantes de esportes radicais, mas a coisa mudou e o país abraçou com o orgulho o título de “Terra Média”, aumentando o turismo em mais de 50% apenas nos primeiros 10 anos desde o lançamento da saga. Parte do sucesso dessa empreitada se deu graças à parceria entre os produtores do filme e o governo. Graças a esse acordo, boa parte dos cenários e sets de filmagem da Terra Média foram preservados, o que proporcionou o turismo imediato dos fãs. Embora não seja possível afirmar com certeza, garanto que atualmente boa parte das pessoas imaginem a Nova Zelândia quando ouvem falar do continente Oceania, e não mais da Austrália. Para saber mais sobre o turismo na Terra Média, clique neste link aqui.

Um esforço conjunto entre o governo, que fez uma excelente campanha publicitária, e a população, que se esforçou para desenvolver a infraestrutura necessária para atender a nova demanda, foi fundamental para esse sucesso. Em pouco tempo o país se tornou cenário de diversos blockbusters e, além da trilogia do Senhor dos Anéis, foi locação de filmes como X-Men Origins: Wolverine, Kong: Skull Island, As Crônicas de Nárnia, Avatar, Prometheus, O Último Samurai e outros.

Não é do dia para a noite que um país se torna referência em locações cinematográficas. A estratégia da Nova Zelândia e de outros países foi fortalecer a film commission, uma instituição governamental que atua para facilitar a gravação das produções audiovisuais. Levantar a estrutura necessária para a gravação de um filme, por exemplo, não é tarefa fácil e o apoio das FC’s é fundamental nesse sentido.

O Reino Unido abrigou dois dos principais cases do chamado turismo cinematográfico. O primeiro foi o filme Coração Valente, que retrata a luta do escocês William Wallace contra a coroa inglesa em uma luta sangrenta pela independência escocesa. O sucesso do filme de Mel Gibson foi tanto que, além de impulsionar o turismo histórico escocês, ele também ressuscitou o movimento separatista escocês, transformando uma luta local em um fato histórico conhecido em “detalhes” pelo mundo inteiro. A romantização de William Wallace, que na verdade é bem diferente daquele retratado no filme, rendeu-lhe status de herói nacional e internacional, além de uma estátua com o rosto de Mel Gibson.

Outro caso interessante, e que é um dos responsáveis pelo início dos esforços governamentais na exploração do turismo cinematográfico, é a comédia romântica Um Lugar Chamado Notting Hill, estrelando Julia Roberts e Hugh Grant. O filme levou uma onda de fãs à pequena região inglesa e até hoje é um dos pontos turisticos de Londres. Quase 20 anos passaram desde o lançamento do filme, e toda vez que um imóvel pertencente ao set de filmagem do filme fica à venda isso vira notícia.

Turismo cinematográfico colocou o bairro de Notting Hill no mapa financeiro do turismo bretão.

As film commissions trabalham desde a construção de uma força de trabalho especializada, passando por conseguir licenças de filmagem em locais públicos como trabalhando para implementar políticas que apoiem a indústria e criando estratégias de marketing especializadas. Todo esse trabalho pode ser avaliado com os indicadores das indústria de turismo.

Em 2012, quase dez anos depois do lançamento do filme, o Ministério do Turismo neozelandês perguntou aos visitantes estrangeiros qual o motivo de estarem visitando o país e cerca de 1% informou que chegaram ao país para visitar as locações de Senhor dos Anéis. Parece pouco, mas foi o equivalente a aproximadamente US$ 27 milhões que movimentaram toda a cadeia de serviços do país.

A Croácia também está animada e espera conseguir o mesmo sucesso. As cidades de Split e Sibenik já tiveram um aumento na busca por informações de 120% e 60%, respectivamente. As duas são cenários de Game of Thrones (Meereen e Braavos) e vêem no turismo uma solução para a grande recessão do país, já que o setor teve um crescimento de 6%. A Irlanda do Norte também se beneficia do sucesso da série. A HBO estimou um gasto de US$ 149 milhões na economia local, mas os benefícios vão bem além disso.

O estado do Novo México aproveitou bem a onda de popularidade trazida pelo show Breaking Bad. Isso ocorreu em nível local, com empreendedores capitalizando receita em cima do seriado com a venda de produtos da região que aparecem na série, como a sacola usada por Heisenberg para carregar sua droga, ou então visitas ao interior de prédios usados como cenário, e também em nível macro, já que políticos da região aproveitaram o boom em interesse e reduziram em 30% o imposto cobrado no setor cinematográfico no estado. Resultado? Hoje essa é uma fonte de renda superior ao tradicional festival de balões de ar quente.

Ter uma estratégia de turismo sustentável vai além de oferecer benefícios fiscais ou cunhar moedas comemorativas. É preciso envolver toda a comunidade no trabalho, para que possam colher os benefícios.

Resumindo: O cinema e a televisão rendem muito mais para uma economia do que o imposto pago na hora da filmagem, e é assim que você deve se sentir ao perceber as vantagens de um setor de turismos e também de uma industria de cinemas forte:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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