O que é o Pisa e qual sua importância mundial

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Manifestação do Tsunami da Educação pelo PISA 2019 e contra o governo bolsonaro
Manifestação do Tsunami da Educação pelo PISA 2019 e contra o governo bolsonaro

Vocês, leitores do Econoleigo, sabem o que é o Pisa e sua importância mundial?

O Brasil pegou fogo ontem dia 15 de maio. O chamado #TsunamiDaEducação levou estudantes e trabalhadores da educação para as capitais de todos os 26 estados do país e do Distrito Federal. Sem entrar no mérito das declarações do Presidente Bolsonaro, um trecho específico nos chamou a atenção. Reproduzimos abaixo.

“Agora educação também está deixando muito a desejar no Brasil. Você pega as provas do Pisa, que eu peguei agora, de três em três anos, de 2000 pra cá, cada vez mais ladeira abaixo.”

Tudo começa com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Fundada oficialmente em 1961, a OCDE é um organismo internacional que remonta ao período posterior à Segunda Guerra Mundial. Devastada pela guerra, a população não confiava em seus governantes e estes, vendo que suas economias eram interdependentes e que não sobreviveriam ao caos do período, aceitaram participar do Programa de Recuperação Europeia, popularmente conhecido como Plano Marshall.

A OCDE, à época denominada Organização de Cooperação Econômica Europeia – OCEE, foi criada com o objetivo de liderar a reconstrução daqueles países, seguindo princípios democráticos e que fomentassem o desenvolvimento econômico. Atualmente é composta por 36 países que, juntos, são responsáveis por quase metade da riqueza mundial. Ainda hoje seguem os preceitos de sua fundação e promovem políticas públicas para melhorar a economia e o bem-estar social em todo o globo.

Evidentemente, a educação faria parte desse esforço. O Pisa – Programa Internacional de Avaliação de Alunos é uma prova criada pela OCDE com o objetivo avaliar a competência dos estudantes nas áreas de Leitura, Matemática e Ciências, bem como Competência Financeira e Resolução Colaborativa de Problemas. Os resultados desses exames possibilitam traçar um cenário dos países participantes e promover políticas públicas para a educação.

E como funciona o Pisa?

As provas, aplicadas a cada três anos, enfatizam uma área do conhecimento. São avaliados alunos, professores e escolas. Para os alunos, é aplicado um teste amplo, que visa avaliar a compreensão, interpretação e capacidade de reflexão e resolução. Os outros dois grupos são avaliados em relação à estrutura de ensino, competências para transmissão de conteúdos, contextualização e aplicabilidade prática, gestão escolar e muito mais.

O Pisa foi aplicado pela primeira vez no ano 2000 e aplicado por amostragem para alunos a partir de 15 anos. O Brasil é o único país sul-americano a participar desde a primeira edição e o Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP é responsável por sua aplicação em nosso país. A última edição aconteceu em 2015, enfatizando a área de Ciências.

Não existem notas individuais, apenas o resultado por país, que por sua vez é emitida ao se avaliar sistema educacional e contextualizar a sociedade e economia.

E nosso país não está tão bem quanto gostaríamos. Na verdade, está mal mesmo. Ficamos entre os 10 piores colocados em todas as edições.

O desempenho geral dos nossos alunos está abaixo da média de países membros em todos os aspectos. Se manteve estável em ciências, desde 2006, e leitura, desde o ano 2000. Apenas em matemática aconteceu um aumento significativo de 2003 a 2015, voltando a decair a partir desse ano.

É importante destacar que custo dos nossos alunos corresponde a apenas 42% da média do que é gasto em países da OCDE, no entanto outros países ibero-americanos tiveram pontuação melhor em 2015 gastando menos. O Chile, por exemplo, gasta quase o mesmo que a gente e teve resultado superior.

Segundo Andreas Schleicher, Coordenador do Pisa, o Brasil tem sido bem-sucedido em aspectos que não são levados em consideração na construção da nota, como o acesso à educação para alunos de diferentes estratos sociais, sem queda na qualidade do ensino. Segundo ele, falta priorizar e fazer investimentos mais inteligentes, pois não falta comprometimento na melhoria da educação.

Resumindo. É assim que você deve reagir ao saber que mesmo gastando razoavelmente bem, o nível da educação brasileira está entre os 10 piores do ranking mundial:

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