O que é o PIB e como funciona o Produto Interno Bruto brasileiro

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O que é o pib e outros detalhes financeiros
O que é o PIB do Brasil e como ele funciona? Entenda aqui.

Vencida a novela do impeachment, as atenções da população se voltam para a retomada do crescimento econômico do país. Existem diversas formas de medir se um país está indo para o buraco ou não, e o PIB, ou Produto Interno Bruto, é um excelente medidor para isso. O que é o PIB, Pibinho, Pibão? Todos ouvem falar do Produto Interno Bruto do Brasil, os noticiários noticiam com atenção como ele interfere na economia, mas sabemos de verdade o que é o PIB?

O que é o PIB

Sendo um indicador tão importante para a economia, como falamos anteriormente, o PIB é um ilustre desconhecido. Para quem não sabe ele é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em uma região ou país, durante um determinado período. O PIB é o principal indicador da vitalidade de uma economia, já que coloca na mesma conta rendas, lucros, gastos e investimentos de trabalhadores, empresas e governo. O PIB é uma referência existente em todos os países. A sigla internacional do PIB é GDP, ou Gross Domestic Product.

O que diferencia o crescimento do PIB entre os países é a capacidade investimento. Nos países mais ricos existe mais capital para geração de negócios e, por consequência, empregos. Com mais carteiras assinadas (por mais que o caderninho azul seja uma invenção brasuca) existe maior capacidade de consumo dos cidadãos, maior procura por bens e serviços. A renda aumenta, circula e todos são beneficiados.

Os gastos públicos são outra grande variável no calculo do PIB. Os investimentos do Governo em infraestrutura costumam gerar demandas no setor da construção, materiais e operários. Esses gastos públicos com obras de infraestrutura costumam acontecer quando há uma recessão, como foi o caso do New Deal do Franklyn Delano Roosevelt em 1933 nos Estados Unidos, durante a Grande Crise de 1929.

O grande problema dessa forma de governar, com o governo gastando pesado na infraestrutura, é que nos últimos anos os governos petistas utilizaram esses investimentos para aumentar o PIB de maneira insustentável do ponto de vista fiscal. Isso é o que chamamos de “Doutrina Keynes”, conforme explicado anteriormente aqui. É notório que esses gastos, que fizeram o Brasil dar um boom com Lula entre 2003 e 2010, contribuíram para consolidar a crise em que estamos passando.  Um dos maiores exemplos que podemos usar são os estádios da Copa.

De modo geral, economia não é fácil. São muito jargões, termos em inglês, teorias, números e variáveis que influenciam a sociedade como um todo. O PIB é apenas uma sigla, mas afeta nossa vida de maneira fundamental, desde o valor que gastamos nas compras de supermercado todos os meses, aos juros que recebemos em nossos investimentos. Entender o funcionamento desse sistema, e buscar o balanço ideal que beneficie a todos os setores da sociedade é importante para o crescimento da economia, mas também para projetar as ações que sustentem esse crescimento.

Como é composto o Produto Interno Bruto do Brasil

Aqui no Brasil, a distribuição da contribuição no resultado do Produto Interno entre os estados é muito heterogênea. São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná contribuem com 65% do PIB brasileiro, enquanto Acre e Roraima com menos de 1% cada. Essa diferença é enorme e causa de muitos conflitos entre os brasileiros, que propagam coisas como “meu estado paga muito e não recebe nada” ou “meu estado sustenta o seu”. São bobagens ditas por quem não tem o conhecimento de como funciona o calculo e as diferenças culturais e logísticas entre as regiões é impossível formar uma opinião mais isenta de paixões.

As características geográficas e históricas dos estados são importantes nessa análise. O Nordeste, com suas praias lindas, é um importante destino turístico e polo gerador de empregos no setor de serviços. O Sudeste industrializado tem a capacidade de prover o país de manufaturados. O Sul e o Centro-Oeste confirmam a vocação que o país tem para a agricultura. A região Norte é o tesouro de biodiversidade que atrai pesquisadores de todo o mundo. Além disso, as regiões que não são “produtoras” servem como consumidoras, o que movimenta a economia interna.

As particularidades das regiões brasileiras também afetam como os setores contribuem para a formação do PIB. Em 2015 fechamos o ano com R$ 5,904 trilhões, com a maior queda desde 1996, de acordo com dados do IBGE. Investimento, indústria e serviços tiveram retração significativa e apenas a agricultura registrou crescimento de 1,8% – um grande feito considerando o momento político e econômico. Parte do sucesso da agricultura tem relação com o crescimento também das exportações. Nos últimos anos, de valorização do dólar frente ao real, ficou muito barato comprar do Brasil e a qualidade dos nossos produtos agrícolas nos colocou em posição privilegiada no mercado internacional.

O PIB é o indicador usado pelos bancos e grandes empresas para calcular o rumo do país. Para o cidadão comum existe outro termômetro, e ele está em todos os mercados e padarias: é o pão francês, também conhecido como pão de trigo. Ele é o indicador não-oficial de inflação mais utilizado nos primórdios do Plano Real. O sobe e desce no preço do pãozinho é sinal que a economia vai mal, emprego e renda diminuem, juros e inflação aumentam, o crédito fica limitado e tudo pode ir pelo ralo.

Resumindo: O PIB é a soma de tudo que é gerado de riquezas dentro do país, indo desde uma empresa que faz pregos ao artesão que vende miçangas na rua (desde que emitindo nota fiscal), e é assim que você deve se sentir ao saber isso:

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Este texto sobre o PIB é o início de uma série semanal que estreará na próxima segunda-feira aqui no Econoleigo. Toda segunda-feira publicaremos um texto explicando a economia de cada um dos estados de nossa federação: o que produzem, quanto produzem e como funciona o dindin em todos os cantinhos do nosso Brasil. Respeitando a ordem aleatória e democrática desta pequena ditadura de um homem só, começaremos com o Espirito Santo. A cada texto publicado, atualizaremos este post e colocaremos o link para o conteúdo aqui.

  1. Espírito Santo
  2. Tocantins
  3. Minas Gerais
  4. Santa Catarina
  5. Brasília/Distrito Federal
  6. Goiás

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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