O que é o microcrédito e como ele funciona

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Qual a importância do microcrédito para uma economia?

Semana passada falamos sobre porque os bancos não estão emprestando dinheiro e chegamos à conclusão que o problema não é falta de dinheiro, mas de confiança. Ninguém sabe ao certo para onde essa crise vai nos arrastar e até quando vai durar e todos estão cautelosos. Bancos com medo do calote e as pessoas cortando custos e se preparando para tempos mais difíceis.

O curioso é que este momento da crise que estamos vivendo deixa bem visível uma característica inata ao povo brasileiro: a capacidade de se reinventar. Não é nenhuma mágica. O desemprego ou a necessidade de aumentar a renda fazem que as pessoas fiquem mais atentas às oportunidades e é aí que entra o nosso assunto de hoje: o microcrédito.

Sabe quando aquela moça chega ao seu trabalho vendendo bolo de pote? É sobre ela que estamos falando. De repente o salário dela e do marido eram a conta para chegar ao fim do mês, até que a taxa da inflação ultrapassou os dois dígitos. Ou a mensalidade da faculdade aumentou demais e foi preciso complementar a renda. Quem nunca ouviu uma história assim? Não estamos falando de quem começou vendendo bombom e criou uma grande rede de lojas de trufas espalhadas pelo mundo, mas de quem só precisa de uma oportunidade para manter a dignidade.

Leia este texto escrito anteriormente aqui no Econoleigo sobre uma plataforma social de microcrédito para países pobres.

Diz-se que o microcrédito foi criado na Alemanha, quando um rigoroso inverno deixou os fazendeiros endividados. Um pastor teria dado a eles farinha de trigo para que fizessem pães e utilizassem o dinheiro para saldar todas as dívidas. Lenda ou não, essa ideia transformou a vida de muitas pessoas, mas foi em Bangladesh que foi desenvolvido o modelo como o conhecemos hoje. O Professor Yunus percebeu que mesmo com a fome e os juros extorsivos, as famílias pobres não deixavam de pagar os agiotas. Ele oferecia seu próprio dinheiro, formava grupos de 5 famílias e todos ficavam responsáveis entre si pelos pagamentos, em um sistema que chamou de garantias morais mútuas. Revolucionário? Pode ser, mas baseado no antigo conceito – que perdura até hoje – que pessoas pobres tem apenas o seu nome e sua honra e não querem perder isso.

De volta à nossa economia, o Brasil foi um dos pioneiros ao ofertar microcrédito em áreas urbanas, pois até então eram amplamente utilizado apenas em áreas rurais. Sem acesso às linhas de crédito tradicionais dos bancos e cooperativas, milhares de pessoas não poderiam expandir seus negócios sem essa alternativa. Uma curiosidade no Brasil é que as mulheres são as que mais procuram esse crédito e pedem emprestados valores que vão de R$ 2 mil a R$ 15 mil reais, o suficiente para comprar algumas roupas para revender ou transformar um cômodo da casa em um salão de beleza.

Por todo o Brasil os bancos estaduais e municipais vem se readequando para não deixar de emprestar em meio à crise. Manter o comércio é uma estratégia para manter o dinheiro circulando e as pessoas consumindo e a economia local saudável mesmo em meio a crise.

Resumindo: Se você fica feliz em finais felizes de filmes e sempre torce para o trabalhador comum ter sucesso, é assim que você deve se sentir ao saber que ainda existe quem empreste dinheiro para as coisas mais básicas:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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