Doutrina Keynes: a economia baseada no consumo

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O que é a doutrina Keynes e como ela funciona
O que é a doutrina Keynes e como ela funciona

Uma família pode administrar um lar de duas formas, ou gastam ou economizam. Um país pode ser conduzido da mesma forma. De forma geral, existem duas maneiras de se conduzir uma economia. Uma é a filosofia da “economia de consumo”, e a outra é a “economia de investimento”. A economia brasileira se enquadra na primeira categoria, e isso explica muita coisa sobre nossa situação financeira, como já foi explicado neste texto. Sendo assim, se você não conhece a Doutrina Keynes, ou a “Economia do Consumo”, então o texto de hoje é para você.

Não há um consenso entre os economistas sobre o exato momento que nosso brasileiro conheceu Keynes, embora alguns estudiosos indiquem que Celso Furtado foi o principal entusiasta dessa escola de pensamento. Lembram do conceito do Juscelino Kubitscheck, de crescer 50 anos em 5? Foi elaborado por esse economista paraibano. A base dessa ideia veio das teorias de John Maynard Keynes, e colocava o setor público como peça obrigatória para o crescimento do país e não consigo visualizar um envolvimento maior do governo do que a fundação de Brasília.

O que é a Doutrina Keynes

Keynes criou a teoria de que a intervenção estatal é fundamental para o crescimento econômico. Segundo esse pensamento, o crescimento da demanda deve acompanhar o crescimento da economia, chegando a um ponto de equilíbrio. Na teoria, é quase como uma máquina de movimento perpétuo, com um circuito fechado onde as pessoas compram mais, e com isso as empresas aumentam a produção, o que gera mais emprego e salários, que os funcionários gastam no comércio, que consomem da indústria, e assim o ciclo fecha.  No papel é perfeito, mas esse sistema precisa de alguém que financie, e este alguém é o papai governo. Além disso, é preciso ter cuidado para que a inflação não cresça, o que desequilibra todo o sistema.

Quando foi lançada, essa teoria foi considerada moderada. Com a crise da bolsa de 1929, o mercado já tinha deixado claro que não era capaz de ser autorregulado, pois não existiam empregos para todos que queriam trabalhar e o estado precisou assumir a responsabilidade pela população. Tem até um nome para isso: estado do bem-estar social.

Entendendo a doutrina Keynes e a teoria da economia do consumo
Entendendo a doutrina Keynes e a teoria da economia do consumo

É curioso observar que o momento que vivemos hoje no Brasil já foi vivido em outros países, entretanto existe a ilusão de que somos únicos. A questão do bem-estar social, ou Welfare State, como prefere o inglês Keynes, é um exemplo disso, já que ele acreditava que o estado deveria intervir onde a iniciativa privada não chegava.

Sob esse aspecto, é importante lembrar que, nesta teoria, a população tem direito de receber educação, cuidados médicos, renda mínima de subsistência e todas as condições que mantenham a dignidade das pessoas. A constituição de 1988 reserva cinco capítulos sobre os direitos dos cidadãos, tornando a nossa uma das mais completas no sentido de assegurar e institucionalizar os direitos fundamentais básicos ao cidadão. Só que não é assim na prática, certo? É o Brasil ensinando ao mundo que, de fato, o papel aceita qualquer coisa.

E é aqui, meus amigos, que a rosca começa a apertar.

Desde que Margaret Thatcher informou ao mundo que o estado do bem-estar social não se paga, e cortou benefícios que os britânicos contavam como garantido, existe uma descrença com essas políticas. No Brasil e no mundo, os liberais e socialistas discordam se existe ou não dinheiro nos cofres, e se ele é concentrado ou mal distribuído.

As bases da escola keynesiana foram lançadas com o New Deal americano, quando o governo interviu fortemente na economia após a Grande Depressão. O objetivo era reerguer o setor privado para gerar emprego, renda e consequente consumo, fazendo girar aquela roda da economia. As medidas foram práticas, envolvendo estímulo à produção agrícola e exportações, execução de obras públicas, instituição de seguridade social, salário mínimo e empréstimo a bancos e empresas para evitar falências.

Como podemos ver, a intervenção estatal na economia é uma teoria que retorna sempre após períodos de graves crises. Bem aplicada, a doutrina Keynes é um remédio amargo que pode ser aplicado por um certo tempo, somente para levantar uma economia, mas não para sempre, e é isso que nosso governo não entende. O poder público precisa se retirar e deixar que a economia se desenvolva sozinha.

“Keynes disse que a dificuldade real não reside nas novas ideias, mas em não conseguir escapar das antigas e a situação econômica do Brasil é confirmação dessa máxima. A intervenção do estado não faz crescer a economia: continuamos presos a um ciclo que tem empobrecido nossa população, mesmo com os avanços sociais que tivemos.” – Saul Sabbá, via Twitter

Tanto o IPEA quanto o Banco Mundial já sinalizaram que o modelo da Doutrina Keynes não se sustenta mais em no Brasil. As pessoas não tem mais condições de manter o padrão de consumo, pois não aconteceu o tão sonhado equilíbrio econômico. O Banco Mundial [aqui e aqui] vai além ao mencionar nosso sistema político como um dos fatores que afasta os investidores e, como sabemos, sem investidores, sem crescimento econômico.

Resumindo: A Doutrina Keynes é um conceito arriscado, um remédio amargo, que deve ser tomado somente em casos de extrema necessidade, e somente por um curto tempo, e é assim que você deve se sentir ao saber que o governo brasileiro, infelizmente, acha que vai ser o único governo do mundo a aplicar a Doutrina Keynes por anos a fio sem a mesma consequência que todos que tentaram enfrentaram:

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