O que é caixa dois e para que ele serve

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O que é o caixa dois e qual sua finalidade
Entenda como funciona o caixa dois nas empresas

O caixa dois entrou no cotidiano do brasileiro durante o mensalão. Ao invés de confirmar que desviada dinheiro do governo para o partido, com intuito de comprar votos de deputados e senadores, o PT disse que aqueles eram apenas recursos não contabilizados. Nas palavras de Gilberto de Carvalho, ex-assessor do ex-presidente Lula, o mensalão não passa de um caixa dois. Não, não era, mas isso não é assunto para o Econoleigo. Vamos ao que interessa.

Os chamados recursos não contabilizados do Gilberto de Carvalho fazem parte de uma prática conhecida ao redor do mundo como slush fund, ou então black fund. Chamados no Brasil de caixa dois ou caixa paralelo, o slush fund é uma reserva não contabilizada de dinheiro, que é quando um montante de dinheiro não é declarado às autoridades competentes, como por exemplo a Receita Federal, e quando não são pagos impostos sobre ele.

Como se monta um caixa dois

Um slush fund é formado por dois motivos:

  1. Não declarar origem: digamos que você recebe dinheiro em sua empresa de maneira ilegal. Digamos que através da prestação de serviços sem nota fiscal, sendo assim, sem pagamento de imposto. Essa grana então vai para no “caixinha”. Esse dinheiro então, caso você não seja um total e completo canalha, pode ser usado para pagar coisas miúdas, como almoços, gasolina nos carros da empresa ou mesmo fornecedores informais.
  2. Não declarar pagamentos: aqui é onde a coisa pega. Uma das maiores finalidades do caixa dois é paga pagar de forma não rastreável serviços que não podem aparecer. Digamos que você é um executivo de uma grande empresa e precisa pagar propinas para um fiscal da prefeitura ou, caso você seja dono de uma empreiteira e tenha negócios com o governo federal, precisa pagar o pixuleco para alguém do Partido. É óbvio que não pode aparecer no home banking da empresa uma transferência para determinadas pessoas, ainda mais sem nota fiscal. Esse dinheiro precisa então sair do caixa dois, já que esse dinheiro é, na teoria, inexistente. Sem rastro de documentos, essa grana não pode ser investigada pelas autoridades competentes.

Como você pode ver nos exemplos acima, não é nada correto utilizar caixa dois. Quando alguém te disse que aquela corrupção é mero slush fund, retruque. Por que é que o dinheiro não pode aparecer? Para não pagar imposto? Balela. Qualquer empresa séria prefere pagar imposto do que ter que se entender com a justiça e suas multas, sempre altíssimas. Uma empresa grande utiliza caixa dois quando quer fazer pagamentos de serviço que não podem aparecer. Simples assim. Em campanhas eleitorais o caixa dois é utilizado para usar dinheiro de doações ilegais, que não foram declarados à Justiça Eleitoral, e pagar serviços não declarados. As gráficas, responsáveis pelos panfletos e santinhos, são normalmente o serviço utilizado para isso.

Outro ponto a ser observado na questão do caixa dois é sua alimentação. Normalmente isso é feito através de doleiros ou lavanderias de dinheiro, conforme já explicado aqui no Econoleigo. Quando esse dinheiro é limpo pelo doleiro, ele então entra nos caixas paralelos das empresas, que estão assim liberadas para pagar serviços ou favores que não devem aparecer para os órgãos competentes.

Resumindo: caixa dois não é um nome engraçadinho e muito menos uma prática inocente. Quem utiliza um slush fund é bandido que sabe muito bem o que está fazendo, e é assim que você deve se sentir ao ouvir que alguém tenta negar um crime ao dizer que está cometendo outro:

Caixa dois é crime também

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