O que é a dívida pública de um país e sua consequência

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Entenda o que é a dívida pública e seu impacto no futuro de um país

Ao contrário do que algumas pessoas pregam, nem toda dívida é ruim, isso vai depender do tipo do endividamento e sua qualidade. Por exemplo, pagar 60% do salário em crediários de lojas de varejo é uma dívida ruim, pois vai forçar o trabalhador a recorrer ao cheque especial e empréstimos, normalmente consignados, com taxas de juro predatórias. Por outro lado, ter uma dívida de financiamento de uma casa, ou do financiamento de novas máquinas para uma empresa é algo positivo. É uma dívida que possibilita o investimento no patrimônio.

Não é só empresa ou pessoas que devem, os governos também fazem parte desse bolo. Quando precisa de dinheiro emprestado, o governo faz como o cidadão comum e recorre aos bancos, mas ele não vai em uma agência de rua, mas a bancos internacionais e investidores, que compram títulos da dívida pública. É como um pequeno carnê. As condições dependem, mas para vamos usar um exemplo para ficar mais fácil. O Governo precisa de mil reais para comprar uma televisão. Ele então faz um carnê com dez “cotas” de cem reais cada e vende no mercado. Este carnê tem prazo de validade de cinco anos, ou seja, o governo (seja ele de qualquer país, pois o modelo é o mesmo) vai pagar os credores em até 60 meses. Vamos dizer que se um trabalhador fosse atrás do carnê, o juros seria de 20% em 5 anos, mas para o governo essa taxa é de 12%. Por que é então que alguém empresta dinheiro para país e não pessoas comuns? O calote governamental é arriscado, logo, o risco de inadimplência também cai. É aquilo. Você pode comprar dois bilhetes de loteria, um te dá 90% de chance de ganhar um prêmio de 10 mil reais e o outro te dá 50% de chances de ganhar 30 mil. Em qual você investe sua grana?

Existe também empréstimos de órgãos públicos como FMI, mas ai a questão complica muito. No geral, a regra é a mesma, o governo que precisa de dinheiro faz uma consulta por crédito no mercado internacional e as empresas e instituições fazem suas ofertas. A que for mais atrativa leva, e ai o governo acaba se endividando.

Saiu hoje pela manhã uma reportagem no Valor sobre o assunto, dizendo que se continuar do jeito que está, o Brasil terá uma dívida pública de 80% do PIB em 2018. O PIB é o Produto Interno Bruto, ou seja, é o valor de tudo que produzimos aqui dentro. Trocando em miúdos, o PIB é o salário do Brasil. Para que vocês tenham uma ideia da importância deste número, saibam que no ano passado, quando a crise explodiu, a dívida pública do Brasil chegava ao montante de 41% do nosso PIB. Ou seja, em três anos, ou três ciclos fiscais, nossa dívida duplicará de tamanho.

A dívida governamental não é um problema só da Dilma. Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, todos esses países são de primeiro mundo, e todos eles devem trilhões de dólares. Como falado no primeiro parágrafo, a grande diferença é o perfil da dívida e seu percentual. Trace o paralelo. Se você fosse o Brasil e 80% do seu salário estivesse empenhado em parcelas de financiamento, você se consideraria saudável economicamente ou não?

Antes que você fique em pânico, é importante deixar claro uma coisa. A dívida pública não é a certeza de um boleto bancário na caixa de correio todo mês, muito pelo contrário. Os prazos para pagamento são alongados, em muitos casos ultrapassando 30 anos. Se bem gerenciada, a dívida pública é pagável. O governo Lula, mesmo tendo criticado FHC por ter feito exatamente isso, aplicou a política do superávit fiscal, que é o seguinte: gastar menos do que arrecada. O que “sobra” no final do ano, é aplicado para pagar os “boletos” da dívida pública que não vencem naquele mês. Sabe quando sobra aquela grana e você não paga só a parcela daquele mês do carro, mas também a última do carnê? É a mesma coisa. E é ai que mora o perigo.

O Brasil está em recessão severa. Ano passado nosso PIB encolheu quase 4%, e isso fez com que houvesse um déficit fiscal de 0.8% em 2015. O déficit fiscal é o contrário do Superávit, ou seja, ao invés de sobrar dinheiro para pagar a dívida pública, acabou faltando, e isso vai incorrer no aumento de juros, que faz com que acabamos devendo ainda mais. O que acontece quando alguém se torna inadimplente? O juros do empréstimo sobe, e é isso que está acontecendo com o Brasil.

Como disse em seu artigo de hoje o banqueiro Saul Sabbá, presidente do Banco Máxima de investimentos:

“O capital público já foi maltratado ao extremo com projetos de péssimo retorno, mas poderia certamente ser melhor utilizado para reduzir alguns impactos como o crescimento da dívida pública e em outros projetos que pudessem melhorar o impacto no curto prazo.”

Resumindo: Temos potencial para fazer melhor do que estamos fazendo. Se o Brasil voltar a trabalhar de forma competente, vamos conseguir colocar nossa economia nos trilhos e voltar a reduzir a dívida pública. Se a coisa continuar como está, daqui dois anos não teremos dinheiro nem para fazer crédito para negativado, e é assim que você deve se sentir ao finalmente descobrir o que é a dívida pública.

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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