O inferno astral da economia brasileira

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Economia brasileira esté em frangalhos e inflação já passa 10%

Os supersticiosos dizem que o mês que antecede o aniversário é terrível e repleto de surpresas ruins, e batizam o período de inferno astral. Se isso de fato é verdade, e com a presidente Dilma fazendo aniversário no dia 14 de dezembro, a economia brasileira está vivendo o pior inferno astral de sua história.

A divulgação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de novembro mostrou um aumento de 1,01% naquilo que as famílias que ganham entre 1 e 40 salários mínimos estão acostumados a pagar. Para quem não sabe (explicação melhor aqui) o IPCA é uma forma de medir a inflação, pois ele é um índice que acompanha a subida ou descida do preço do pãozinho, da gasolina, da passagem e ônibus e etc. Com esse aumento de 1,01% de novembro, somente nos primeiros onze meses de 2015 a inflação já chegou a 9,62%, e o acumulado nos últimos 12 meses (entre nov/14 e nov/15) o IPCA já chegou a 10,48%, o índice mais alto desde 2002, último ano do governo FHC e quando o mercado reagiu desesperado (de forma errada, como ficou provado com o belo primeiro mandato do presidente Lula) com a possibilidade de Lula assumir a presidência.

Preocupado com a possível disparada da inflação, o governo já sinalizou que pode aumentar a taxa de juros da Selic para combater a subida de preços. O que isso significa? Ao subir a Selic, que é a taxa de juros que orienta todos os bancos, o governo torna mais caro emprestar e tomar emprestado dinheiro, ou seja, faz com que as pessoas financiem e consumam menos, o que tende a fazer com que os preços abaixem. Se isso vai funcionar é outra coisa, mas a turma de Brasília acha que sim. Aqui entre nós? É improvável. Nas palavras de Saul Sabbá, especialista em investimentos e presidente do Banco Máxima:

No meu ponto de vista, não vejo como uma alta de juros poderá contribuir para uma já tão combalida economia. Não estamos em um ambiente de pleno exercício de eficácia das ferramentas de juros e câmbio, mas sim em um ambiente maligno, no qual  já existe uma contração das linhas de crédito, como também os spreads bancários estão muito acima de uma situação de normalidade. Isso faz com que  a economia como um todo perca a sua dinâmica e impacte fortemente a cadeia de fornecedores e  consumidores. Este ponto é relevante, pois poderá o aumento de juros induzir a recompor as margens das empresas já tão impactadas pelas taxas altas dos empréstimos.

O que ele quis dizer? Simples: o tiro pode sair pela culatra. Nossa economia já está quebrada demais para que um estrangulamento no consumo mexa na inflação, e é alto o risco de que ao reduzir o crédito o governo acabe quebrando as empresas que já estão sofrendo com a queda no consumo.

Outro ponto a ser levado em conta nesse busílis todo é a notícia de que a agência Moodys vai revisar a nota de investimento do Brasil, que atualmente é considerada “estável”. Antes que possamos comemorar, já foi noticiado que a revisão será para um possível rebaixamento. Ou seja, depois da S&P categorizar o Brasil como um país ruim de investir, a Moodys desaconselhar o investimento aqui seria desastroso, pois a única coisa que ainda gira financeiramente em nosso país são as aquisições e fusões de empresas por parte de investidores estrangeiros. Se essa torneira fechar os dólares vão parar de entrar aqui, e além do dólar acabar subindo novamente, as empresas voltarão a ficar com os cofres vazios e a taxa de falência tende a aumentar.

É preciso ser sincero e dizer que essa notícia de que a Moodys vai rever a nota não pegou ninguém no mercado de surpresa. O rebaixamento do Brasil não é uma questão de se, mas de quando vai acontecer. A Moodys afirmou que a revisão do grau de investimento se dá pela fragilidade política da presidente Dilma, e o tombo que ela tomou ontem no congresso, tudo somado à independência declarada pelo vice presidente Michel Temer. Os problemas políticos do governo contaminam a economia, e levam o brasileiro a uma dieta forçada em sua conta corrente.

Resumindo: O inferno astral é da presidente, mas quem sofre com todo azar astrológico é o Brasil, e é assim que você deve se sentir ao perceber que aparentemente o governo comprou uma escavadeira para aumentar o fundo do buraco:

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