O brasileiro e seu amor imbecil pelo monopólio estatal

3
262
A imbecilidade do monopólio estatal

Petrobras e Correios. Duas das maiores empresas brasileiras, ambas de propriedade majoritária governamental. O que essas empresas têm em comum? São cenário de dois dos maiores escândalos de corrupção da administração atual. Além disso, as duas companhias atuam em regime livre de competição. No caso da Petrobras, há o chamado monopólio. Já com os Correios, existe um critério chamado de serviço público sob privilégio da união (SPSPU), ou seja, o estado controla devido à essência de sua existência para a manutenção do estado. Isso ocorre tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos (USPS), Canada (Canada Post) ou na Inglaterra, como o Royal Mail, que foi privatizado em 1969. Em outra ocasião tratamos do SPSPU, agora falaremos do monopólio.

Um monopólio ocorre quando determinada pessoa ou empresa domina uma fatia do mercado. Essa simples palavra é, junto da intervenção direta do estado, ou seja, quando um presidente interfere na economia para privilegiar determinada empresa, a pior ameaça de algo chamado livre mercado (o que é isso?).

Para explicarmos melhor o significado do monopólio, vamos usar como exemplo o posto de gasolina. Já reparou que em determinadas avenidas todos os postos cobram o mesmo valor pelo litro? Isso pode acontecer em duas situações:

Quando o dono de todos os postos é a mesma pessoa: Monopólio

Quando os postos pertencem a diversos empresários: Cartel

O monopólio ocorre quando um único indivíduo ou empresa determina o preço ou condições de venda de determinada mercadoria. O cartel ocorre quando todos os empresários se reunam e decidem cobrar o mesmo preço, ou exigir as mesmas condições.

As normas brasileiras proíbem a empresas estrangeiras a exploração direta do petróleo brasileiro. Motivo? Segurança nacional. Segundo a lei, somente a Petrobras pode explorar um recurso natural estratégico. Muitos dizem que a Petrobras é uma empresa, mas ela não é. Pela definição correta de práticas, a Petrobras é uma estatal, afinal seu orçamento e despesas são determinados por um conselho presidido por alguém indicado pela Presidência da República.

O monopólio da Petrobras se estende. Embora na prática a distribuição de combustível não seja garantida por lei à estatal, os privilégios da Petrobras deram a ela a condição natural de líder do segmento. Essa liderança não se significa excelência, apenas o controle de uma espécie de cartel oficial. O governo determina o preço de venda do diesel, gasolina e álcool etanol, e todas as outras empresas seguem.

O resultado disso? A gasolina é vendida a R$ 4,86 no Rio de Janeiro enquanto em Nova Iorque, capital econômica dos Estados Unidos, onde a exploração do petróleo é de livre mercado, o mesmo litro é vendido a U$ 0,56, ou R$ 1,89.

O brasileiro adora reclamar do preço da gasolina, mas basta alguém falar em privatização da Petrobras e liberação da exploração do óleo em território brasileiro e começa uma gritaria, com berros tresloucados de “entreguismo”.

Quem tem mais de 30 anos lembra dos berros da esquerda com as privatizações das Teles e Eletros. Graças à venda da Telesp, Telerj, Telebras e derivados, hoje uma linha telefônica custa módicos 0,00 reais, ao invés dos U$ 5.000,00 de 1994, e ter um celular é tão simples que basta comprar um chip na banca de jornal, e não entrar em uma fila de espera de meses para ter acesso à telefonia móvel.

Quem já é trintão também lembra dos constantes apagões, quando a luz desaparecia das tomadas quase diariamente. Hoje, embora o preço da eletricidade ainda seja alto (graças principalmente ao monopólio da geração de energia), as quedas de luz não são mais frequentes. Aproveitando o assunto, embora o presidente Lula adore se gabar do desenvolvimento do Brasil sob sua gestão, boa parte do mérito se deve à privatização das distribuidoras de energia (Eletropaulo, por exemplo), que possibilitou às empresas aumentar o coeficiente industrial brasileiro.

Meu pai sempre me disse que a melhor posição para se fazer negócio é quando a palavra “precisa” está presente. Ou seja, quando você não precisa comprar, mas a pessoa no outro lado da transação “precisa” vender. É nessa situação que você, como comprador, está em vantagem. Mas essa lógica pode ser inversa, e ai, meus amigos, quando é você que precisa comprar de um monopólio estatal, ela é terrivelmente perversa.

Como escrevi na segunda-feira, o governo federal conseguiu quebrar a Petrobras. Uma ação da empresa custava em 2008 R$ 47,00 e hoje sai por R$ 4,47. Ou seja, a gasolina no Brasil é tão cara que sai mais barato comprar ações e tornar-se sócio da estatal do que consumir seu produto.

Está cansado do serviço ruim prestado pelo monopólio estatal? A culpa é sua, que aceita e aplaude essa prática nociva de negócio.

Resumindo: O estado brasileiro é tão incompetente que, mesmo trabalhando em um monopólio, consegue falir uma empresa, e é assim que você deve se sentir quando alguém criticar a privatização:

mm

O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

3 COMENTÁRIOS

  1. Sobre o monopólio, não vi um comentário sobre os subsídios da gasolina e ao diesel entre 2010-2014.

    Inclusive, agora, no presente momento, há distribuidoras importando diesel e continuam praticando os preços da Petrobras. Belo monopólio onde se deixa outra empresa importar, hein?
    No caso da gasolina, o frete não compensa a importação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here