Guerra da carne: entenda a acusação de monopólio da Friboi e JBS

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Maior empresa do setor, JBS enfrenta acusações em empréstimos e por suposto monopólio da Friboi
Maior empresa do setor, JBS enfrenta acusações em empréstimos e por suposto monopólio da Friboi

Fundada em 1952 pelo desconhecido José Batista Sobrinho, a JBS é uma das maiores empresas do mundo no setor alimentício. Aqui no Brasil a companhia é mais conhecida pela sua marca chefe, a Friboi, que abastece quase todos os mercados brasileiros com carne suína, bovina e derivados. A sul matogrossense JBS e a Friboi ganharam a atenção dos brasileiros em 2013 graças ao ator Tony Ramos que, em uma campanha de marketing avaliada em R$ 50 milhões, divulgaram o slogan “Se é Friboi, é bom”. Mas porque tanta gente reclama do tal monopólio da Friboi?

Embora a marca JBS tenha chegado aos ouvidos dos brasileiros há apenas três anos, os produtores rurais conhecem e temem a empresa há uns bons anos. Abastecida com um empréstimo do BNDES de R$ 7 bilhões, conforme informado pela senadora e ex-ministra da agricultura Kátia Abreu, a JBS compra pequenos e médios abatedouros ao redor do Brasil, além de grandes companhias internacionais. Mas porque é que os agricultoras tem pavor da JBS e do monopólio da Friboi?

Segundo as denúncias, a coisa funciona da seguinte forma: a JBS abre um frigorífico em uma determinada região. A partir de então, eles começam a comprar os concorrentes que atendem ao mercado vizinho a eles. Com cada vez menor opção de concorrência, os fazendeiros são obrigados a aceitar uma quantia menor pelo quilo da arroba vendida. Isso faz com que o negócio se torne menos lucrativo e, na maioria das vezes, deficitário.

Em 2008 a JBS tentou comprar a americanas National Beef Packing CO. e a Smithfield Beef Group Inc. Procuradores públicos de 13 estados americanos recorreram à justiça contra o negócio, alegando que isso criaria um oligopólio composto por apenas três empresas, a JBS, a Tyson Foods Inc. e a Cargill Inc. A própria senadora e candidata a presidência Hillary Clinton entrou na briga, condenando o negócio. No final, a JBS comprou apenas a Smithfield. Vale lembrar que o negócio foi feito com ajuda do banco público brasileiro BNDES, a um banco de fomento à industria local.

O primeiro crédito concedido pelo BNDES para a compra de outros frigoríficos no exterior veio em 2005, quando a companhia pegou emprestados R$ 287 milhões para absorver a Swift Co. na Argentina. De lá para cá o montante emprestado cresceu, assim como as aquisições, que transformaram a JBS em um negócio que rendeu em 12 meses, em 2014, R$ 110 bilhões. Com US$ 17 bilhões gastos até 2014, a empresa tinha negócios em cinco continentes e 21 estados em território nacional.

Esse uso do dinheiro público para construir o monopólio da Friboi, motivou a senadora Kátia Abreu, do PMDB, a fazer críticas violentíssimas à JBS na tribuna do Senado ainda em 2013. Em 2012 os produtores chegaram a acionar o CADE, o Conselho Administrativo da Defesa Econômica, para investigar o chamado monopólio da Friboi. De lá para cá os agricultores já protestaram, paralisaram estradas e inclusive fizeram um boicote na venda de carne para os frigoríficos da empresa. A FTIA (Federação dos Trabalhadores da Industria Alimentícia) do Paraná denunciou em março o risco de demissões em massa devido à concentração de mercado.

Essa proximidade entre JBS e Friboi e o Governo Federal talvez explique a Operação Sepsis, deflagrada hoje pela Polícia Federal. A polícia realizou uma operação de busca e apreensão na casa do presidente da JBS, o empresário Joesley Batista, pelo suposto pagamento de propina para conseguir empréstimos via BNDES em 2012 para construir uma fábrica de celulose no Mato Grosso do Sul. Vale lembrar que em fevereiro deste ano o senador Ronaldo Caiado, de Goiás, começou a coletar assinaturas para instaurar uma CPI do BNDES para averiguar os empréstimos do banco, entre eles os contraídos pela JBS.

Resumindo: Monopólio e concentração de mercado são bons somente para o dono da bola, mas são péssimos para o consumidor, que tem pouca opção de escolha na gôndola do mercado, e para o fazendeiro, que não pode escolher para quem vender, e é assim que você deve reagir ao saber que há a suspeita que tudo isso foi feito com dinheiro público, conseguido de forma irregular:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

3 COMENTÁRIOS

  1. Em Rondônia é fácil ver isso, eles compraram os frigoríficos concorrentes e fecharam (abandonaram) as instalações.

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