Milagre? Aleluia? Banco Central reconhece gravidade da crise

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Assim como um homem ou mulher apaixonado, o Banco Central costuma falar ao mercado pelas entrelinhas ou usando pequenas indiretas e pistas. No caso do BC, isso fica claro sempre que uma circular da Copom é divulgada ao mercado. Na ata enviada ao público sobre a reunião de ontem, o governo deixou claro que a situação é ruim e pior do que admitido anteriormente. Não, essas palavras não estão escancaradas nas páginas liberadas.

Foram dados dois recados pelo governo. O primeiro foi sobre o aumento dos preços que o consumidor sente no mercado. Antes era dito que a alta era prevista até “o final de 2016”. Ao invés de dizer que a inflação elevada deverá fazer parte da realidade dos brasileiros nos próximos anos, o Banco Central apenas substituiu a previsão do final do ano que vem por “horizonte relevante da política monetária”. Ao público leigo isso não significa nada, mas este é um jargão do governo para dizer que não há mais um prazo definido para a inflação abaixar. Basicamente foi dito que ela vai abaixar quando ela abaixar.

O outro recado foi a inclusão da palavra vigilante no relatório. Ela normalmente é utilizada pelo Banco Central para indicar, de forma indireta, que há uma tendência no aumento da taxa Selic de juros.

Além disso, as previsão de aumento nos preços controlados pelo governo, como os combustíveis, também foram declaradas como ajustáveis. Ou seja, se o Banco Central perceber que os preços ainda não estabilizaram (lembram quando eu disse que a inflação, embora alta, tinha chegado a um patamar estável?), pode haver um novo ajuste nessa previsão de aumento. Mas isso não deve acontecer, pelo menos não em breve.

Embora isso possa parecer ruim, o fato do BC assumir a gravidade da situação é muito bom, pois mostra que o governo finalmente está disposto a trabalhar sério para reverter o cenário econômico brasileiro. Além disso, a previsão do BC para a inflação e preço do dólar nos próximos anos continua conservadora, mas já não está tão inferior ao previsto pelo mercado.

Resumindo: O mar não está para peixe e nosso governo finalmente parece ter percebido isso. O mercado (principalmente as agências de risco) sempre recebem de forma positiva quando um governo para de fazer política, ou marketing, e começa a fazer de fato economia. Isso pode no médio prazo fazer com que os investimentos voltem a ter o Brasil como destino, mas isso está tão distante que para o cidadão comum, a relevância dessa notícia é mais ou menos essa:

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