Jovens estão acabando com o fast food assim como computador matou a máquina de escrever

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Jovens estão matando a industria fast food.
Jovens estão matando a industria fast food.

Algum dia você já pensou que Mc Donalds, Pizza Hut e derivados pudessem falir? A única certeza na vida é a morte. O mesmo conceito pode ser aplicado nos negócios, pois nenhum tipo de negócio ou empresa são eternos. Quer uma prova disso? As companhias de trem, potências bilionárias no século passado, hoje arrecadam somente uma fração do que ganhavam antes. Antes viajar de trem era sinal de prestígio, hoje é caso de extrema necessidade. Essa mudança de gerações está agora impactando o mercado de restaurantes. Leia o texto de hoje e entenda porque o passar dos tempos pode fazer o Mc Donalds e outras empresas do ramo fechar as portas.

Existem alguns fatores que explicam a extinção de um segmento de negócios, mas dentre eles destacam-se dois, o gap geracional e a evolução tecnológica. Essa mudança de tecnologia é a principal responsável por segmentos inteiros deixarem de existir, como aconteceu com a gigante Olivetti. A fabricante italiana de máquinas de escrever era referência no país, sinônimo de uma atividade, assim como a Bombril e a Xerox. Com a chegada dos computadores e o barateamento dos componentes eletrônicos, ter um computador no escritório ou até mesmo em casa deixou de ser loucura. A Olivetti primeiro tentou resistir e passou a fabricar as famosas máquinas de escrever elétricas, que eram mais rápidas e, pasmem, permitia corrigir um texto antes que ele fosse batido no papel. Para os mais novos, fica abaixo um GIF explicando como funcionavam as tais máquinas de escrever. Quando ficou claro que computadores vieram para ficar, a Olivetti tentou fabricar o seu, mas falhou. A empresa então comprou a Telecom Italia (conhecem a TIM? Ela é a sigla para Telecom Italia Mobile) e mudou de ramo.

Olá, eu sou uma máquina de escrever.

O que é o gap geracional

Gap é uma expressão em inglês que significa a distância entre dois objetos. O conceito do gap geracional, ou a distância (ou espaço) entre duas gerações, tem sido utilizado há anos na administração. Ele serve para explicar desde as modificações no ambiente de trabalho aos avanços tecnológicos que tem acontecido nos últimos anos. O gap geracional tem repercussões não só econômicas, mas também no mundo da política, como o abrandamento do conservadorismo ano após ano, o que explica o encolhimento dos partidos de direita nos anos de 70 a 90.

Vindo para o mundo da economia, os grandes vilões do “gap geracional” são os millennials, ou quem nasceu entre 1980 e 1995, também conhecido como quem virou adulto ou adolescente na virada do milênio. Entrando agora no mercado de trabalho e, consequentemente, tornando-se parte atuante no mundo da grana, ou dos adultos, os millennials estão agora deixando suas pegadas no campo consumo e também do mercado de trabalho. Para termos uma ideia dessa brincadeira, segundo um estado encomendado pela Tetra Pak (a empresa da caixinha de leite) para a Goldman-Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, os millennials hoje gastam em torno de US$ 600 bilhões a cada ano, o que é suficiente para mudar a economia mundial. É uma geração que não vê barreiras para consumir o que deseja, fazem compras inteligentes mesmo quando impulsivas e são ávidos por novas experiências.

Os jovens e o fim do fast food

Os fast food, também conhecido como junk food, que em português significam comida rápida ou comida porcaria, respectivamente, são as primeiras vítimas nas mãos dos millennials. Conectados, informados e exigentes, os jovens adultos estão mudando as regras da publicidade para alimentação. Antes havia a pressão social que exigia que as pessoas comessem fora de casa ou, ao menos, comprassem a comida na rua, para não precisar cozinhar. Isso tudo mudou. De acordo com a Sally Smith, CEO da Buffalo Wild Wings (franquia americana especializada em vender asinha de frango e batata frita), a preferência dessa geração por comer em casa traz desafios que impactam nos lucros das empresas.  O motivo? Como é que você faz asas de frango e batatinha, que devem ser consumidas bem quentes, e entrega do outro lado da cidade? Implantar uma logística para entregas não é tarefa simples e a contratação não garante a qualidade dos produtos ao consumidor. Ninguém vai comer batata frita murcha e fria.

A entrega não é o único problema. Nos anos 60 e 70 o colesterol e a diabetes eram coisas desconhecidas, principalmente em um mundo onde o trabalho braçal era a principal fonte de emprego. Nos dias de hoje, quando precisamos trabalhar sentados a maior parte do dia, e com o conhecimento sobre todas as doenças possíveis a apenas um Google de distância, os jovens preferem alimentos saudáveis, que pode não ser o prato principal servido na maior parte das franquias.

Sally Smith, a CEO da asinha de frango, afirmou que os millennials estão matando as cadeias de alimentação. Esse é um pensamento recorrente em todas as grandes empresas. Quer um exemplo? O termo “millennials are killing” (millennials estão matando” em português), virou meme na internet. Uma das acusações, segundo estudos, é que os millennials são responsáveis pelo desaparecimento das barras de sabonete das lojas e o aumento do sabão e sabonete líquido.

Ela não está errada, uma das tendências nos Estados Unidos são as “assinaturas de alimentos”: por uma taxa razoável, os clientes recebem em casa uma caixa com todos os ingredientes necessários para fazer uma refeição especial e até mesmo convidar os amigos. Um exemplo disso é a Startup Blue Apron. Lá você escolhe quanto quer gastar, que tipo de alimento deseja, se é vegano, se gosta de temperos, se curte comida étnica, e por ai vai. Basta assinar e você vai receber tudo que precisa para fazer uma refeição “caseira” na porta de casa, com frete grátis.

Outro exemplo dessa vocação culinária dos millennials está no Youtube. Segundo dados de uma pesquisa de 2014, nós (sim, eu nasci em 1986) somos os responsáveis pelo crescimento de 280% no número de inscrições em canais voltados a alimentação. E mais, os millennials consomem esse tipo de conteúdo em média 30% a mais que os outros extratos demográficos. De acordo com o Youtube, 68% das mães que assistem a vídeos ligados a culinária compram os produtos anunciados pelas Youtubers. Um exemplo disso está aqui em casa. Usar receita somente em último caso, prefiro achar um vídeo de alguém cozinhando o que quero e simplesmente vou seguindo as instruções na tela. O que é mais fácil? Interpretar “uma pitada de sal” ou ver quanto a pessoa joga e fazer igual?

Eu assistindo a programas de culinária no Youtube

Não quer cozinhar? Não tem problema. Se a proposta é experiência com alimentação, um exemplo são os food trucks que tem crescido como uma alternativa às lanchonetes e restaurantes – segundo os últimos dados do Sebrae, esse mercado movimentou cerca de R$ 140 bi em 2014 e ainda tem espaço para crescer. Os food trucks, aliás, têm sido uma excelente porta de entrada para quem sempre sonhou em cozinhar mas não tinha grana para construir um restaurante. Aqui no Canadá, ou nos Estados Unidos, tem aplicativos que mostram a localização dos food trucks pela cidade. Não quer ir buscar? Basta chamar o Uber Eats, que é a contratação de um motorista ou ciclista no aplicativo Uber para ir buscar seu rango para você.

A prova disso é que o Mc Donalds, como falamos no início do texto, está tentando se mexer para não encolher. Com as vendas em queda desde 2014, a empresa está se reinventando. Talvez inspirada pelo que listamos acima, ou pelo crescimento e popularização das lanchonetes “gourmet”, o Mc Donalds lançou no exterior a possibilidade de você montar o seu lanche, assim como no Subway, e usar somente produtos “saudáveis”. Se vai funcionar eu não sei, mas pelo menos aqui no exterior os Mc Donalds estão cada vez mais vazios. Somente em 2016 o Mc Donalds planejou fechar 500 unidades ao redor do mundo.

Outro setor impactado pelos millennials foi o mercado financeiro e os bancos, já que utilização da tecnologia é prioritária para essa geração. Nos últimos anos, os avanços vão desde a utilização de cartões de créditos e movimentações bancárias via computador e celular, até à utilização de serviços alternativos para pagamento como o Paypal e PagSeguro e a criação de uma moeda específica para a internet: o bitcoin (já falamos sobre isso aqui). Entender esses novos consumidores é fundamental para quem deseja sobreviver no mercado. Eles querem informações claras, objetivas e atuais, querem conexão, uma experiência perfeita nas compras e serviços, querem ser ouvidos e que as marcas sejam fieis à eles e não o contrário. Se pensarmos bem, o que eles querem não é muito. As gerações anteriores que nunca se autorizaram a exigir o mesmo que eles.

Resumindo: Para uma coisa nascer, outra tem que morrer, essa é a lei da vida, e é assim que você deve se sentir ao saber que provavelmente, você acabou fazendo parte de um movimento que representou a falência de alguma empresa e a ruína financeira de uma família:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

2 COMENTÁRIOS

  1. Adorei a matéria, muito interessante. Outra coisa que vem caindo nas venda que eu percebi são os refrigerantes. Antigamente minha família consumia em media de 4 a 5 litros por semana e agora não bebemos, faz tempo que não compro refrigerante e tenho visto o consumo cair em festas os convidados estão preferindo muito mais os sucos naturais ou de polpa congelada.

    • Muito bem lembrado! Aqui em casa nem temos refrigerante na geladeira, apenas sucos naturais e ainda que não tenham açúcar, glicose, sacarose e outros OSE no meio!

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