IPCA de julho sobe pouco, mas inflação no ano preocupa muito

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IPCA de julho desacelera, mas alta continua e inflação chega próxima a 10%

Ontem no Twitter, conversamos com uma usuária sobre economia. Um amigo dela dizia que não havia crise, que bastava olhar os números para perceber que era uma conspiração da imprensa para instaurar o pânico na política nacional. Bobagem da mais pura. Disse o seguinte para ela: existem aqueles que fazem política e aqueles que fazem economia, e negar a crise é um ato político, não econômico. Um economista trabalha com números, e o político com palavras.

Disse tudo isso porque? Simples. A notícia nos principais jornais alinhados ao governo é que o IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo, desacelerou no mês de julho. Lendo dessa forma, e sabendo o que é o IPCA, isso parece uma boa notícia, mas não é. A verdade é que o IPCA cresceu em julho, mas cresceu menos do que poderia ter crescido. Isso não é uma notícia boa. Viram a diferença entre fazer política e “fazer economia”? Continuo.

A alta acumulada nos últimos 12 meses, sabendo o IPCA de julho, chegou a 9,56%. Sabendo que de acordo com os números oficial a inflação em 2015 não vai passar de 6,5%, fica fácil ver que há um descolamento entre a realidade do mercado e a publicidade da política. É claro que há uma diferença entre números de mercado e os números oficiais, que nunca são similares, mas uma diferença de 45% entre os dois números mostra que ou o mercado ou o governo estão errados, e dado a sucessão de erros que nossos políticos cometeram nos últimos anos, nós do Econoleigo achamos prudente acreditar no mercado.

Outro ponto. Podem dizer para você que a desaceleração do IPCA, ou da inflação, como o índice também pode ser mencionado, é uma notícia que a economia está reagindo. Errado. O mercado já esperava uma desaceleração no IPCA de julho. O motivo? É natural que em momentos de crise, os comerciantes, industrias e derivados abaixem os preços para tentar atrair um comprador que prefere não gastar. Essa redução nos preços puxa a inflação para baixo, mas isso é algo momentâneo. Além disso, é um fato histórico que há redução no IPCA de julho.

Boa parte do mercado, e o Econoleigo está com eles, acredita em uma nova desaceleração no IPCA de agosto, mas que ainda assim levará o acumulado nos últimos 12 meses para a casa dos 9,6%. Isso vai ser causado pela diminuição na alta de alimentos, no fato do consumidor já ter se acostumado com a alta na conta de luz e a contínua redução no preço das passagens aéreas, resultado da baixa procura.

Como o economista Fabio Giambiagi disse ao Broadcast do Estadão:

Estamos com um déficit público (nominal), nos últimos 12 meses, de mais de 8% do PIB. Tenho dito que estamos no regime do que eu chamo de “9 Bis”: a perspectiva para o ano está se aproximando de 9% de inflação e 9% do PIB de déficit. Talvez a inflação seja um pouco maior e o déficit, um pouco menor, mas são números assustadores. (…) Isso não vai dar certo, é uma rota para o desastre. Fonte

Outro especialista a falar sobre a questão do IPCA foi o banqueiro Saul Sabbá, presidente do banco Máxima. Segundo os Tweets publicados aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para ele o problema é claro, mas o governo parece não enxergar. Os salários sobem, mas nunca acompanham a alta dos preços. Além disso, o acumulado dos últimos 12 meses do Índice Nacional de Preços ao Consumidor em algumas capitais já ultrapassou os dois dígitos. Isso mostra a bagunça que estão as finanças do governo federal, que por mais que eles tentem esconder, são percebidas e afastam os investidores sérios.

É natural que a crise econômica seja agravada pela crise política em que o governo se enfiou. O vice-presidente Michel Temer veio a público implorar por um pacto político entre oposição e situação para resgatar o governo. Entretanto, é importante deixar claro que uma melhora excepcional na economia melhoraria a aprovação do governo federal, mas que um aumento na popularidade da presidente, que no final não passaria de marketing, o que é toda e qualquer popularidade, não teria qualquer efeito que não fosse apenas residual na economia. Números são números, propaganda é propaganda, e investidor e empresário gosta de ganhar dinheiro, não de tapa nas costas e uma foto bonita no jornal.

Voltando ao começo, onde falei sobre os números que comprovam a crise. A inflação está próxima dos 10% ao ano, 6,9% da população está desempregada, dólar disparou para R$ 3,52 e a economia vai encolher 2% em 2015. Isso pode parecer pouco, mas levando em conta que nosso PIB (tudo o que o Brasil produz de riquezas) é de R$ 5,2 trilhões, essa redução de 2% nos trará um prejuízo de R$ 11.042.5121.480,98, também conhecidos como 11 bilhões de reais. Viu o tamanho do buraco?

Resumindo: O IPCA continuou subindo em julho, o país continua em rota firme à crise severa e a perda do grau de investimento deixa de ser uma possibilidade e torna-se uma certeza. O governo continua fazendo publicidade e preocupado com a própria pele, e não com o bem estar da economia e do seu emprego, e é assim que você deve se sentir ao ler isso:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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