Inadimplência sobe 20% em janeiro. O que isso significa?

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The businessman - bankrupt

Talvez um dos maiores indicadores da saúde de uma economia, o número de títulos protestados no Brasil em janeiro subiu 20,6% no primeiro ano de 2016. O protesto de título é quando, de fato, uma empresa ou consumidor reclama sobre a não prestação de uma obrigação comercial. Quando uma empresa protesta um consumidor, é porque este não pagou a conta, e quando a situação inverte, é porque provavelmente a empresa não entregou o que foi contratado. Nos dois casos, isso normalmente ocorre quando falta dinheiro, ao cliente para pagar a conta, e à empresa para comprar os materiais necessários para executa-lo conforme combinado.

Segundo os dados divulgados pela Boa Vista SCPC, o número de consumidores que protestaram empresas aumentou 21,2%, uma diminuição de aproximadamente 28% em relação a dezembro. Já o número de empresas que negativaram consumidores aumentou 20,3, um aumento de 15,3% em relação a dezembro. Ou seja, vemos que as empresas estão prestando mais serviço, talvez sem caixa, mas para não perder cliente, enquanto os consumidores, por não terem dinheiro, estão dando ainda mais calotes.

Agora vamos aos botões de pensamento do Econoleigo.

Já disse antes: o novo Ministro da Fazenda acredita que a solução dos problemas econômicos do Brasil é conceder mais crédito a empresas. Segundo o pensamento do governo, com mais dinheiro as empresas vão voltar a contratar, o que vai diminuir o desemprego, e com isso nossa economia volta aos trilhos. Isso é apenas parcialmente verdade. Como podemos ver nos números acima, as empresas estão entregando, mas os consumidores não pagam.

Precisamos desmitificar o “calote” do consumidor. Um cidadão não é negativado no SPC porque gosta, mas por não ter dinheiro para cumprir suas obrigações. Quando um trabalhador chega ao final do mês com 10 reais na carteira e duas contas de 10 reais para pagar, uma de luz e outra do carnê da loja, a escolha é simples. Ele não vai ficar sem luz com uma TV desligada para assistir. O trabalhador opta pelos itens de necessidade básica e serviços essenciais. O supérfluo é supérfluo. Por outro lado, enquanto ele conseguir crédito, ele vai continuar consumindo, pois quando faltar dinheiro, ele vai simplesmente deixar de pagar.

Neste mesmo universo de falta de controle de gastos, o governo trabalha incessantemente para aumentar as fontes de arrecadação, ou seja, os impostos, enquanto não fecha as torneiras de gastos. Leia-se: corrupção, desperdício, “favores” eleitorais e o milhão de ministérios e secretarias desnecessárias, todas pendurando uma série de cabides de emprego.

O que o governo não entende é que o problema econômico do Brasil não é ligado ao crédito, mas à forma como o poder público conduz nossa economia. A questão é estrutural e comportamental, não de liquidez. Essa postura de acreditar que basta injetar grana que o país volta a crescer é errônea, é como aumentar o limite do cartão de crédito de uma pessoa que vai continuar recebendo o mesmo salário. É a velha armadilha bancária que pega muita gente: achar que o limite do cheque especial é igual a dinheiro líquido na conta. Não, não é! E o juros em cima disso é pesadíssimo. O Brasil veio trabalhando no cheque especial de 2010 até 2015. A conta chegou e nos jogou no buraco. Como o governo quer corrigir isso? Pedindo mais limite no banco.

O que isso tem a ver com a notícia do aumento da inadimplência? Tudo. Será mesmo que injetar crédito em uma economia onde a inadimplência aumenta mês a mês é mesmo a solução? Segundo todos os especialistas, não. Mas o governo acha que sim.

Resumindo: Vai dar M#$&$ e é assim que você deve se sentir ao ler isso:

E mais isso em relação aos nossos governantes…

Sim. Hoje o Econoleigo fecha com dois GIFs.

mm

O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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