A história da Odebrecht: do nascimento à corrupção da Lava-Jato

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SP - OPERAÇÃO LAVA JATO/ODERBRECHT - GERAL - Polícia Federal cumpre mandado na sede da Oderbrecht, em São Paulo (SP), na manhã desta sexta-feira (19). A ação faz parte da 14ª fase da Operação Lava Jato (Operação Erga Omnes) e está sendo cumprida em quatros estados pelo país. 19/06/2015 - Foto: MARCOS BEZERRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

Até 2014, o sonho de 11 em cada 10 engenheiros formados no Brasil era trabalhar na Odebrecht. Não fosse possível chegar lá, uma vaga na Mendes Junior, Camargo Correa ou OAS serviria. Pelo menos até uma vaga de trabalho na Odebrecht surgir no horizonte. Em 2017 a situação é diferente. Antes orgulho nacional, hoje a construtora enfrenta a vergonhosa situação de ser expulsa do Peru pelo próprio presidente do país. Mas de onde saiu a construtora Odebrecht? Como ela ficou tão rica e poderosa? Conheça a história por trás da construtora responsável pelo maior escândalo de corrupção do mundo aqui no Econoleigo.

 

A história da Odebrecht

Norberto Odebrecht, o criador

A primeira aventura da família Odebrecht com a construção civil começou em 1918 com a abertura da Isaac Gondim e Odebrecht Ltda, por Emílio Odebrecht, o avô da dinastia. A empresa não sobreviveu à Segunda Guerra Mundial. Em 1944, Norberto Odebrecht, o “Odebrecht pai”, fundou então a Construtora Norberto Odebrecht em 1944, com sede em Salvador, na Bahia.

Graças às amizades com poderosos locais, a Norberto Odebrecht começou a ganhar contratos com o governo local. A história da companhia começa a mudar em 1953, com a fundação da Petrobras (lembrem disso) pelo presidente Getúlio Vargas. Como o primeiro presidente da petrolífera, o militar Juracy Magalhães era da Bahia, as pequenas empresas da região começaram a ganhar contratos com a Petrobras.  Foi ai que a relação entre a Odebrecht e a Petrobras começou, com a construção de gasodutos e pequenas obras no nordeste.

Norberto inspeciona obras – Crédito: Tribuna da Bahia

 

Crescimento da Odebrecht, um presente da Petrobras

Sem ligação com Juscelino Kubitschek, a empresa de Norberto não participa da construção de Brasília, que ficou a cargo de outras empresas, como a mineira Rabello, falida desde 1970. A chegada dos militares ao poder, entretanto, começou a mudar essa situação, como aponta o historiador Pedro Henrique Campos, especialista na ligação entre as empreiteiras/construtoras e a ditadura/governo. Segundo ele, a construtora entrou para o rol de “adultos” quando ganhou o contrato para construir a sede da Petrobras no Rio de janeiro. Reparem como a Petrobras continua junto na história.

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro. Crédito: Odebrecht

O “boom” da companhia, entretanto, ainda estava por vir. Grande, mas não gigante, a Odebrecht continuou a comer pelas beiradas, se consolidando como um orgulho nacional, sem ligações com potências externas. Foi esse patriotismo que tornou a construtora na gigante que é hoje. Com medo de expor obras de segurança nacional aos gringos, a Ditadura Militar vetou a participação das maiores empreiteiras na construção das duas cerejas do bolo brasileiro: o Aeroporto Internacional do Galeão, e a Usina Nuclear de Angra dos Reis. Até então ela era a 19ª empreiteira com maior faturamento do Brasil. Um ano depois, em 1973, ela pulou para 3ª.

 

Odebrecht, a Petrobras, a Lava-jato e o maior escândalo de corrupção do mundo

De mãos dadas com a petrolífera desde o começo, a Odebrecht está enrolada até o pescoço no escândalo de corrupção da Lava-Jato. Marcelo Odebrecht, o neto e presidente da companhia, está preso e negociando um processo de delação premiada. Segundo jornalistas políticos, a delação dele é chamada de “delação do fim do mundo”. A partir do momento em que toda corrupção envolvendo a Odebrecht e a Petrobras vir a público, dizem, a república vem abaixo. Prova da ligação umbilical da empresa e a Petrobras é que a Braskem, empresa formada pela fusão de empresas pertencentes ao grupo empresarial do Marcelo: Copene, OPP, Trikem, Nitrocarbono, Proppet e Polialden. A Petrobras é dona de 36% das ações da Braskem, que trabalha na área do petróleo, e também está enrolada com a Lava-Jato.

Investigada pelos governos do Brasil, Estados Unidos, Suiça, México, Peru, Equador, Argentina, Colômbia, Guatemala, República Dominicana, Panamá e daqui a pouco até por Marte, a Odebrecht está respondendo por processos de corrupção mundo afora. A acusação é a mesma: a empreiteira, através do pagamento de propinas, ganhava obras com o governo de determinado país. Há boatos que quem fazia a apresentação da empresa a esses governos era, pasmém, os antigos membros do governo brasileiro, depostos pelo impeachment.

O dinheiro movimentado pela empresa com a corrupção era tão vistoso que, vejam só, a empresa decidiu comprar um banco no Caribe, em um famoso paraíso fiscal, mas circular e esquentar esse dinheiro. O nome do banco? Meinl Bank Antiqua.

É importante ressaltar que a Odebrecht não é a única vilã da história. Todas as grandes empreiteiras brasileiras estão enroladas em esquemas de corrupção, seja na operação Lava-Jato, na Castelo de Areia, entre outras. Isso demonstra que as empresas não são monstros ou vilãs, elas apenas faziam negócio da forma que sempre foi feito no Brasil: pagando propina. A grande diferença é que nos últimos anos esse negócio foi profissionalizado e industrializado. A prova disso é que antes restrita às salinhas dos fundos das empresas, a construtora chegou a criar o setor institucional da propina, o Departamento de Operações Estruturadas.

Juntas, a Braskem e a Odebrecht pagarão somente em multas e acordos com o governo brasileiro, o montante de R$ 7 bilhões aos cofres públicos. Imagina-se quanto elas faturaram com isso.

Por fim, lembramos que a Odebrecht não ganhava as obras devido aos seus lindos olhos azuis e carteira cheia. A qualidade das obras da empresa são de fato acima da média. Some isso à participação da companhia em grandes obras nacionais. Isso criou o gigante que era a empresa, orgulho nacional e sonho de consumo de todo profissional. Quem não queria trabalhar na maior construtora do país? Na crise de hoje, ninguém recusaria um emprego na construtura, mas o que antes era um sonho, hoje é apenas necessidade.

Resumindo: A história da Odebrecht, assim como de grandes outras construtoras, está ligada diretamente ao governo e estatais, e é assim que você deve se sentir ao saber que a crise econômica começou quando todas as construtoras caíram no colo do Moro, e que infelizmente sem a corrupção das empreiteiras, nossa economia parou:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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