Governo Temer vence inflação e recessão e tira o Brasil da crise

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Governo Temer vence recessão. Brasil saiu da crise?
Governo Temer vence recessão. Brasil saiu da crise?

Depois de um ano de vida muito difícil, ligado a todos os aparelhos disponíveis na UTI, o Governo Temer finalmente vive. Goste dele ou não, é impossível negar o sucesso do governo Michel Temer, o homem das medidas impopulares e grão-mestre de negociações políticas impossíveis até mesmo para FHC e Lula. Fruto de um impeachment traumático e até hoje não digerido pelos futuros hóspedes de Curitiba, a 37ª presidência do Brasil parece ter vencido. O Brasil saiu da crise? Ainda é cedo para saber, mas vamos analisar alguns pontos abaixo que sugerem que sim. O pior passou.

PIB voltará a crescer

O Ministério da Fazenda divulgou, de forma até tímida, que o IBC-Br do primeiro trimestre de 2017 foi positivo em 1,12%. O IBC-Br é um indicador criado pelo governo para tentar, de forma científica, adiantar e prever o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa antecipação é necessária pois, devido a metodologia adotada, o PIB só pode ser fechado e consolidado algum tempo depois do encerramento do período por ele analisado.

Embora o PIB do primeiro trimestre ainda seja uma incógnita, já que o IBC-Br nunca contém o mesmo valor do PIB, é possível saber que o país finalmente voltou a crescer. O último período de crescimento do nosso PIB foi no último trimestre de 2014, e foi um aumento de apenas 0,2%. Desde então, registramos quedas consecutivas. Especialistas estimam que o PIB do primeiro trimestre feche em 0,7%, chegando até a 1%. É um número péssimo que pode ser considerado como estagnação, mas mesmo assim excelente se comparado com a queda de 3,6% (a pior da história) em 2016.

As expectativas do governo e do mercado são de crescimento de 0,5% em 2017, um cenário de recessão, e 2,5% em 2018, com crescimento. É um número ruim, abaixo da média anual da Bolívia de 4,5%, mas uma notícia extremamente positiva para um país em recessão desde 2014.

Saneamento das contas públicas

Fernando Henrique Cardoso foi o presidente que domou a inflação. Lula foi o presidente do povo. Dilma foi a primeira presidente mulher. Nenhum dos três, entretanto, conseguiram aprovar as reformas orçamentárias propostas por Michel Temer. FHC foi longe e desburocratizou o país, mas não conseguiu mexer no sumidouro que é a previdência. Mesmo adepto do mensalão, o governo Lula não conseguiu tocar a reforma tributária, trabalhista e nem a previdenciária. Herdeira de uma base fiel de Lula, Dilma não teve forças para levar em frente a PEC do Teto.

Michel Temer conseguiu aprovar a PEC do Teto (leia mais sobre isso aqui) e, pasmem, está a poucos meses de aprovar a flexibilização da CLT e a reforma previdenciária (saiba porque ela é essencial para a sobrevivência do país). Essas três medidas nunca foram aprovadas por um único motivo:

O que tem potencial para salvar o país, tem potencial para enterrar um político.

A PEC do Teto impede que o apetite do governo por dinheiro, sempre utilizado para apadrinhar e fazer liberações, acabe tornando a máquina pública um sumidouro de recursos públicos (ouviu, Dilma?). Ao fechar essa torneira pelos próximos 20 anos, Michel Temer retirou o poder de barganha e de controle que os caciques políticos e nossos parlamentares tinham sobre seus redutos eleitorais. Com a flexibilização da CLT, também chamada de reforma trabalhista,o governo Temer tira o poder dos sindicatos e os coloca nas mãos do trabalhador e do patrão, que poderão então acertar o que é melhor para os dois. A reforma previdenciária é importante pois garante que em um futuro próximo, coisa de dez anos, o governo não tenha que tirar dinheiro da educação para que nossos aposentados não passem fome.

Por que é que FHC, Lula e Dilma falharam, mas Michel Temer obteve sucesso? Pela idade. Quando saiu da presidência, FHC tinha 71 anos. Lula tinha 65. Dilma? Menos de 70. Michel Temer sairá da presidência beirando os 78 anos, muito velho para sequer tentar um segundo mandato. Como ele mesmo disse, seu futuro está nos livros e nas biografias, não no Distrito Federal. Para ele o sucesso não é mais o poder, mas sim ser lembrado como o presidente que tirou o Brasil de sua pior recessão.

O governo Temer é uma construção biográfica.

Inflação domada

A inflação do Brasil, sob controle desde 1993 com o Plano Real (saiba mais aqui), disparou para 10,67% em 2015, o maior índice desde 2002, último ano de governo FHC, quando o país esteve à beira do colapso financeiro. Com nossa moeda em processo de derretimento, alguns analistas mais desesperados chegaram a prever a volta da hiperinflação. Graças às medidas propostas pela equipe econômica de Henrique Meirelles, e pelo apoio do Congresso e do mercado, o governo Temer segurou o índice. Resultado? Especialistas já especulam inflação abaixo de 4% ainda em 2017, o que seria um número saudável para o crescimento.

Nota de investimento em recuperação

Uma das maiores conquistas econômicas do Governo Lula foi a obtenção do chamado “grau de investimento”, que é uma nota internacional atestando que é seguro investir no Brasil e também emprestar ao nosso governo. É uma espécie de chancela gringa contra o calote. Graças à crise e também à corrupção generalizada no governo Dilma, perdemos essas notas em 2015. A nota atual muda de agência para agência, mas atualmente temos um chamado grau especulativo, que é quando há risco de perda de dinheiro investido. O cenário parece ter revertido, e a agência Moody’s, melhorou a nota brasileira. Segundo a agência, uma das três maiores do mundo, se nada mudar o Brasil deve receber novamente o “grau de investimento” em 2018.

Política x responsabilidade

Ao fazer acordos com partidos e ceder cargos em troca do voto “suicida” nas emendas, Temer garante a aprovação de matérias extremamente danosas para qualquer reputação, mas essenciais para recolocar o país em rota de crescimento. Com aprovação abaixo de 10%, tão ruim quanto a da Dilma, Michel Temer provavelmente seria vaiado em qualquer restaurante que ele tentasse frequentar. Ao invés de aumentar salário mínimo, gastar bilhões em obras e conceder benefícios, todas medidas que caem bem com o povo, mas que não resolvem o problema, Michel Temer fez o que tinha que ser feito (e na opinião deste que vos escreve, fez até pouco, deveria ter ido mais longe), e é odiado por isso.

Resumindo: Goste do Temer ou não, ele é aquele médico que receita o remédio amargo, interna à força e que não se importa que você escreva uma carta à imprensa reclamando do hospital. No final, é melhor um paciente infeliz vivo do que um morto sorridente, e é exatamente assim que você deve se sentir ao ver que tem gente que critica o que o presidente tem feito e defende a turma que colocou o país (e o Temer) nessa situação:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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