Governo estuda nova pedalada para pagar pedaladas

0
53

Antes de começarmos, gostaríamos de pedir desculpas por mais uma vez falar em política e governo por aqui. Como todos sabem, estamos vivendo uma crise econômica sem precedentes e, como ela tem origem quase que exclusivamente política, é essencial que levemos o blog mais para perto de Brasília para que vocês possam entender como nossa situação financeira está sendo resolvida. Dito isso, vamos voltar à pauta do dia.

Lembram que na semana retrasada, mais especificamente no dia 07 de outubro de 2015, o Tribunal de Contas da União reprovou as contas do governo Dilma devido ao caso das pedaladas fiscais, que foi quando o governo “sequestrou” o dinheiro da Caixa, BNDES e derivados para que ao final do ano tivesse dinheiro em caixa, e assim a situação política não ficasse feia? Então, as pedaladas condenadas pelo tribunal ocorreram em 2014 e, segundo dados do próprio governo, continuam ocorrendo também em 2015.

Para evitar uma nova condenação do tribunal, o que possibilitaria abrir mais um processo de impeachment, o governo estuda uma forma de pagar um débito de R$ 24.5 bilhões que o governo tem com o BNDES, fruto de verbas que por lei deveriam ter sido liberadas pelo tesouro para o Banco Nacional de Desenvolvimento Social, o BNDES. Mas como pagar essa bolada se, graças à gastança desenfreada dos nossos políticos, não há dinheiro sequer para pagar o aluguel do Consulado Brasileiro em Nova Iorque há três meses? Oras, com uma nova pedalada.

Antes de explicar como vai acontecer a pedalada, entenda seus motivos:

Se o governo simplesmente pagar os R$ 24.5 bilhões que deve, ao final do ano o déficit primário (que é o vermelho das contas públicas (Entenda mais sobre isso lendo AQUI)) será ainda maior, o que vai acelerar o processo de rebaixamento da nota de investimento do Brasil (entenda o que isso significa AQUI). Como o governo é extremamente impopular, a aprovação de novos impostos é impossível, o que acaba com a possibilidade de novos recursos para pagar o rombo causado pela má administração federal.

Sendo assim, o governo encontra-se em uma sinuca de bico: Se pagar a dívida, vai fechar o ano devendo e vai piorar a crise econômica, o que vai tornar a situação política da presidente ainda mais difícil. Se não pagar a dívida, o risco de uma nova condenação do TCU é enorme, o que também vai tornar a situação política da Dilma mais difícil.

A solução então é recorrer a um artifício que parece ter se tornado especialidade de quem está no poder, a maquiagem administrativa, também chamada de pedalada. Quer saber como pretendem fazer isso? Nós explicamos:

O governo precisa pagar R$ 24.5 bilhões ao BNDES, mas não tem essa grana. O banco possui alguns empréstimos com o governo, mas que só deverão começar a ser pagos em 2020, com prazo até 2040 para ser quitados. Os técnicos do governo estão trabalhando no seguinte artifício: no mesmo instante em que o governo transferir R$ 24.5 bilhões ao BNDES, o banco faria um adiantamento de R$ 24.5 bilhões de reais referentes ao pagamento da dívida.

Entenderam a malandragem? É a tal facilidade de dever para si mesmo: um finge que paga, o outro finge que recebe. Mas o que impede que isso seja feito? Uma coisa chamada Lei, mas que parece não ter muito valor atualmente. Além da legislação não permitir esse tipo de maracutaia, há também as clausulas do contrato de empréstimo entre o BNDES e o tesouro, que prevem o pagamento APENAS em 2020. Porque isso foi feito? Bom, no mínimo o governo sabia que a situação no BNDES era crítica, talvez graças a uma série de empréstimos internacionais feitos de forma nebulosa, e não queria deixar o banco em uma situação ainda mais crítica.

Resumindo: Governo gasta demais e gasta mal, estoura o orçamento, ignora a lei e comete irregularidades, e para corrigir a situação a pedido do tribunal, estuda ignorar a lei mais uma vez e cometer novas irregularidades, e é assim que você deve se sentir ao ler sobre isso:

mm

O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here