Entrevista com o Maurício Quadrado sobre investimento, crise e economia

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Maurício Quadrado é um de milhares de administradores de empresa que tiveram que navegar os mares revoltos causados pela crise econômica. Assim como milhões de outros brasileiros, precisaram readequar o orçamento doméstico e tomar decisões profissionais que dessem fôlego às empresas em um momento de incerteza. A grande diferença que administradores de empresa são responsáveis por manobrar empresas imensas, que sustentam dezenas, centenas ou milhares de profissionais.

Economistas e administradores de empresa são como metereologistas. O sucesso de seu trabalho se dá, em boa parte, na habilidade de saber ler e interpretar corretamente os sinais e indicadores trazidos pela natureza (economia) e as influências causadas pelo homem (sociedade e hábitos de consumo). A crise econômica que aflige o Brasil à alguns anos tomou milhões de brasileiros de surpresa, mas profissionais atentos às migalhas de dados criadas pela economia, como a venda de automóvel, volume de crédito concedido e performance econômica, além de resultados eleitorais no exterior, conseguiram prefer que uma tempestada poderia se formar. E eles se prepararam para o pior.

A crise econômica está longe de terminar, mas quase cinco anos de resultados econômicos ruins para a nação e empresas, já é possível navegar nos mares turbulentos da economia brasileira com maior cautela, e fazer cálculos e previsões com maior precisão.

Entrevista com Maurício Quadrado

1) Você pode nos contar um pouco mais sobre sua trajetória profissional? Além da Corretora Planner, você teve uma passagem marcante pela rede de academias Runner, onde atuou na expansão da operação da empresa.

Mauricio Quadrado: Eu comecei a minha carreira no Banco Bradesco. Comecei a trabalhar direto no mercado financeiro, aos 16 anos de idade, e lá fiquei até os 38 anos. Quando sai do Bradesco era Diretor de Mercado de Capitais. Entrei então na Corretora Planner, onde fiquei um longo período. Recentemente decidi mudar de ares, e entrei como sócio no Banco Máxima.

 

2) Durante sua carreira profissional você vivenciou diversas crises econômicas. A hiperinflação dos anos 80, o impeachment e o derretimento da confiança nas instituições financeiras durante o confisco da poupança no governo Collor, a crise econômica americana em 2008, a crise russa no início dos anos 2000, e agora a crise econômica brasileira. Listei aqui apenas algumas das crises financeiras que afetaram o Brasil desde os anos 80. Qual a gravidade da crise vivida por nós hoje? Há algum paralelo?

Maurício Quadrado: Eu diria que se compararmos com este histórico que você mostrou, a nossa situação hoje é muito mais favorável do que era nas décadas passadas. O grande desafio atual é a manutenção da taxa de juros no patamar que temos hoje, isso porque juros baixos dão aos empresários a coragem de contrair empréstimos para investir, o que acaba aumentando a geração de empregos. É assim que o Brasil conseguirá mover o PIB, que está estacionado há muitos anos.

 

3) A cotação do dólar chegou ao patamar mais alto desde a criação do Plano Real em 1993. Em que grau o alto valor da moeda americana afeta nossa economia(?), já que ao mesmo tempo que ela é um enorme impeditivo para quem depende de insumos importados, ela também beneficia o mercado exportador.

Maurício Quadrado: Eu vejo que o dólar mudou de patamar e não voltará ao patamar de 3,00 reais. Toda movimentação financeira é causada por um fator, e é preciso observar o todo para entender o que acontece. A subida do dólar já era esperada com a redução rápida da taxa de juros. O dólar na faixa atual tem consequências, positivas e negativas, mas para o Brasil de hoje o saldo não é ruim, já que nossa economia depende bastante da extração e exportação de commodities como minérios e alimentos. Os exportadores brasileiros estão com faturamento alto, o que é bom para o Brasil.

 

4) O Banco Máxima é conhecido no mercado pelos rendimentos atrativos oferecidos por sua cartela de produtos, como o famoso LCI. Neste momento de crise a tendência é que o brasileiro médio, que não é adapto de investimentos em Bolsa ou fundos, mantenha as despesas baixas e invista o que sobrou na conta no final do mês. Qual o investimento ideal para quem é conservador ou não tem familiaridade com o mercado financeiro? Poupança, CDB, LCI?

Maurício Quadrado: Boa pergunta, e difícil de responder… Realmente o cenário brasileiro nas últimas décadas mudou radicalmente. Ao contrário dos grandes, o pequeno e médio investidor não ficou com muitas alternativas para investir. Para quem tem poucas reservas, ou ainda não está confortável com os riscos inerentes dos investimentos com rendimento e risco mais elevados, aconselho a ficar nas aplicações tradicionais como CDB LCI e similares com garantia do FGC, que garante o retorno do dinheiro aplicado em investimentos de até R$ 250 mil. Porém, a única maneira de conseguir uma taxa de retorno de razoável para boa é aplicar acima de dois anos. Quanto maior o prazo do investimento, maior é a taxa de retorno.

 

5) Uma última pergunta. Baseado na sua experiência no mercado de capitais, tanto pelo Bradesco quanto pela Planner Corretora, qual a porcentagem dos brasileiros que tem dinheiro investido acabam optando pela compra de ações? Para quem está começando, quanto da reserva deve ser colocado em um investimento de risco como a Bolsa, e quanto deve ir em um investimento seguro, como o LCI ou um CDB?

Maurício Quadrado: Na minha opinião, independentemente do patrimônio do investidor, o capital alocado em Bolsa de Valores nunca deve ser maior do que 1/3 do total do patrimônio líquido. Acima deste valor, principalmente para quem não é investidor profissional, acredito ser um risco desnecessário. O Brasil é historicamente um mercado muito volátil, que sofre influências externas e internas, e é importante considerar isso. Eu abriria um exceção se o investidor tiver sangue frio e comprar ações para 5 ou 10 anos, o que diminui o risco já que projeta maior prazo para recuperação em caso de flutuação ou crise. O resto da aplicação para quem tem um patrimônio líquido maior, na minha opinião, pode ser feita em fundos como o Imobiliário e FIDCs.

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