A economia do Tocantins: Esta terra maravilhosa é nossa

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Entendendo em detalhes a economia do Tocantins e sua contribuição para o PIB brasileiro.
Entendendo em detalhes a economia do Tocantins e sua contribuição para o PIB brasileiro.

Vamos falar hoje sobre a economia do Tocantins na série “Economia dos estados brasileiros”. No início dos anos 1800, quando D. João VI dividiu então a província de Goiás em duas comarcas, não imaginou que estava plantando a semente do que hoje é o caçula do país: o Tocantins, um estado que já nasceu com vocação para a luta. O norte do Goiás sempre foi uma região menos desenvolvida, tanto em razão da dificuldade de acesso quanto da forte ocupação indígena do local. Um dos primeiros a perceber a necessidade de independência, até mesmo para estabelecer comércio com Pará e Maranhão, os vizinhos mais próximos, foi Theotônio Segurado, que proclamou o Governo Autônomo do Tocantins em 1821. Não obteve sucesso, é verdade, mas essa ação foi considerado o primeiro grande movimento de criação do estado.

Foi só 160 anos mais tarde, já em 1988, com a promulgação da Nova Constituição, que o estado foi enfim, criado. Como já sabemos como é que foi criado o tal do Tocantins, vamos agora ao objetivo real deste texto. Qual a contribuição do Tocantins para a economia brasileira?

Entendendo a economia do Tocantins

Ao todo o Brasil tem 26 estados e um Distrito Federal, considerado o vigésimo sétimo estado da federação. O Tocantins ocupa a 24ª posição no ranking de contribuição econômica, com o total de R$ 35,5 bilhões. A desigualdade na distribuição de renda é notória, tendo apenas 20 municípios dos 139 respondendo por metade das riquezas produzidas no estado. É importante ressaltar que além de ter apenas 139 municípios, somente duas cidades do estado possuem mais de 100 mil habitantes. A própria capital, Palmas, possui 279 mil munícipes. É um número baixíssimo se comparado com outras capitais. Somente para comparação, o bairro do Grajaú em São Paulo abriga 444 mil pessoas, quase o dobro.

Terra de gente boa e simpática, caçula da federação, o estado pode ter poucos habitantes, mas é recheado de experiências desde o descobrimento. Devido às marcas na história, o estado tem um forte projeto expansionista e nos últimos anos recebeu importantes obras de infraestrutura como a Ferrovia Norte-Sul, a hidrovia Araguaia-Tocantins, o Ecoporto Praia Norte e o Terminal de Cargas do Aeroporto de Palmas.

Barcaça transportando carga na Hidrovia Araguaia-Tocantins
Barcaça transportando carga na Hidrovia Araguaia-Tocantins

Faz sentido todo esse investimento em logística de transporte quando descobrimos que a atividade agropecuária é desenvolvida por 72,6% dos empreendimentos privados no estado. Considerando que esta é a base do PIB nacional, o estado sai na frente com sua localização privilegiada em relação aos recursos hídricos e terras cultiváveis, entretanto ainda falta muito para apresentar mais do que o 1,1% de participação que representa atualmente.

Uma das grandes apostas para mudar esse cenário é a região do MATOPIBA, termo adotado para representar o celeiro agrícola nacional, composto por parte dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia, mas o Tocantins é quem puxa os índices de Desenvolvimento Humano para cima. A produção de soja, feijão, algodão, milho, arroz, pecuária leiteira e de corte e recentemente de frutas, vem apresentando recordes e consolidam a vocação do estado para a agricultura. Até julho de 2015 o Tocantins movimentou mais de US$ 630 milhões na cadeia produtiva do agronegócio e esse número pode subir.

Indústria na economia do Tocantins

A indústria tocantinense representa 24,1% do PIB e é praticamente toda voltada para o consumo interno. O estado possui jazidas de ouro, bauxita, cassiterita, calcário e gesso, no entanto o que se destaca é o cristal de rocha. O principal formador do PIB estadual, no entanto, é o setor de serviços. A concentração é na capital, Palmas, especialmente por conta da quantidade de instituições públicas, mas toda a marginal da rodovia Belém-Brasília se beneficia do intenso fluxo de pessoas.

O estado também é rico em belezas naturais, especialmente em parques que atraem visitantes do mundo todo. O Parque Estadual do Cantão, por exemplo, concentra biomas da Amazônia, do cerrado e do pantanal. O Jalapão é área de cerrado e oásis com cachoeiras e dunas de areia onde se pode andar dias sem ver ninguém. O estado, como podem ver, possui um excelente potencial turístico que pode impulsionar a economia do Tocantins, mas que por desconhecimento da população, e também por culpa do governo ao não divulgar corretamente, ainda não é explorado.

Turismo no Tocantins
Turismo no Tocantins

Um dos grave problemas do Tocantins, no entanto, é a confiança da população e dos investidores em relação ao governo. O estado passa por uma séria crise de administração pública, a ponto de o governo estadual ir publicamente pedir doações de comida para os pacientes internados em hospitais públicos. Greves deflagradas por várias categorias do funcionalismo nos níveis estadual e municipal mostram que não existe entendimento entre os servidores e as instituições. Outro ponto preocupante é o endividamento da população. Devido ao alto número de funcionários públicos amarrados ao empréstimo consignado (explicadinho aqui), que perdiam parte do salário na fonte com os descontos, a prefeitura de Palmas teve de proibir a nova adesão de consignados pois estava, literalmente, faltando dinheiro em espécie para circular nos comércios.

O Tocantins é o estado mais novo do Brasil e, assim como os mais jovens, é repleto de potencial econômico, mas ainda se enrola nas burocracias que fazem parte da vida de gente grande, e é assim que você deve se sentir ao saber que temos um estado promissor entre nós:


Este texto do faz parte de uma série semanal sobre a economia de cada um dos estados de nossa federação: o que produzem, quanto produzem e como funciona o dindin em todos os cantinhos do nosso Brasil. A cada texto publicado, atualizaremos este post e colocaremos o link para o conteúdo aqui.

  1. O PIB do Brasil
  2. Espírito Santo
  3. Tocantins
  4. Minas Gerais
  5. Santa Catarina
  6. Brasília/Distrito Federal
  7. Goiás

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

5 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo texto Rodrigo. Na pratica vc apontou o profundo divorcio entre Estado e dinâmica econômica da vida real. Ou seja, a ação sos empreendedores e o Estado incapaz de encontrar sua função nesse contexto tão complexo. Ao invés de solicitar comida da população deveria se fazer presente em feiras internacionais de Turismo visando mostrar as belezas naturais do Estado. Outra: o economês só oculta, nada revela. Parabéns!

  2. Acredito que o Tocantins têm grandes potencial econômico, porém precisa de uma estabilidade financeira e de confiança entre a população e o estado, e para que isso aconteça de fato as políticas publicas precisam de mudanças urgentes, precisa de uma RESPONSABILIDADE do estado com as classes desfavorecida,que e desvalorizada, no entanto é a principal responsável pelo crescimento do estado, isso mesmo a MÃO POBRE, que alavanca a economia,devido a massa tributária sair do consumo, então que realmente financia o crescimento? São os POBRES que ligam as maquinas, que recolhe os lixo, os pobre sustenta o estado e são o tempo todo inferiorizados, são vitimas de um crime social.

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