Economia do Goiás: muito mais do que exportar música sertaneja

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Entenda a economia do Goiás, a nona maior economia do Brasil
Entenda a economia do Goiás, a nona maior economia do Brasil

Embora o brasileiro pense que a única contribuição do Goiás para o Brasil seja a de seguradores de viola, a economia do Goiás é, atualmente, a 9ª maior do país. Encravado no centro-oeste brasileiro, Goiás possui todas as condições para exploração da atividade agrícola, com terras férteis, água em abundância e clima propício para plantio e colheita durante todo o ano. O Goiás surgiu na vida do brasileiro no século XVIII , quando os bandeirantes paulistas descobriram pedras preciosas no solo da região, mas foi somente após a construção de Brasília que a terra do pequi entrou de fato no mapa. Mas o que é que sai dessas terras do Cerrado? Entenda a economia do Goiás em mais um texto da série PIB do Brasil.

O PIB de Goiás foi de R$ 153 bilhões em 2013, cerca de 25 bilhões a menos do que o Distrito Federal, a unidade federativa com melhor desempenho no centro-oeste. Um ponto importante a ser destacado é que, embora tenha 246 municípios, 10 cidades produzem 60% das riquezas do estado, o que é um dado ruim, já que denota a clara concentração de renda.

Maior produtor brasileiro de sorgo, além de possuir um dos maiores rebanhos do país, o estado é reconhecido produtor de açafrão, pimenta, melancia e cachaça, com selo de indicação geográfica emitido pelo MAPA, o que confere ainda maior destaque desses produtos no âmbito nacional e até mesmo em mercados internacionais.

Plantação de Sorgo em Goiás

Um dos pioneiros no Brasil na utilização de sementes melhoradas, Goiás também utiliza bastante a tecnologia para alavancar a produção, o que coloca o estado em posição privilegiada em termos de crescimento econômico. Um dos grandes problemas, entretanto, é a distância que separa a utilização desta tecnologia para melhoramento da produção agropecuária e da conservação do cerrado. O desafio da produção sustentável tem sido uma constante para a agricultura goiana, considerada uma das melhores do mundo.

O crescimento da atividade industrial no estado também aumentou bastante em representatividade após o início da construção da Ferrovia Norte-Sul, que transformou a região de Anápolis em um polo logístico, que é também o mais próximo que existe hoje no Brasil de uma plataforma multimodal. Dessa maneira não apenas o escoamento da produção agropecuária foi privilegiado, mas a economia expressiva em frete tem atraído indústrias de vários segmentos. Um grande impeditivo para aumentar ainda mais a atividade industrial e agrícola no estado é a infraestrutura, com estradas de baixa qualidade, o que dificulta o escoamento da produção, e também os constantes apagões elétricos, fruto de má gestão na CELG, a companhia responsável pelo abastecimento elétrico no estado.

A região também é um dos maiores pólos farmoquímicos no país, gerando mais de 17.000 empregos diretos e indiretos, e contribuindo para o PIB estadual com recursos na ordem de R$ 1,5 milhão apenas neste setor. Conhecida pela base da Força Aérea instalada na cidade, Anápolis ainda é referência na fabricação de medicamentos genéricos no país, ficando atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo na produção de produtos farmacêuticos.

Turismo em Caldas Novas: destaque no turismo do estado.
Turismo em Caldas Novas: destaque no turismo do estado.

O turismo é outro setor de interesse, especialmente no que diz respeito ao turismo histórico. As festas tradicionais no interior, como as Cavalhadas, Festa do Divino ou o FICA, Festival Internacional de Cinema e Video Ambiental, atraem turistas durante todo o ano. O estado também possui sítios arqueológicos e a cidade de Goiás Velho é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, entretanto a maior atração turística é, sem dúvida, Caldas Novas que também é a maior estância hidrotermal do mundo. Para se ter uma ideia da importância dos visitantes, o turismo representa 80% do PIB da cidade.

Outro ponto a ser considerado sobre Goiás é sua luta, já prevendo a crise, em reduzir as despesas públicas e o tamanho da máquina estatal, o que permite aumentar a capacidade de investimentos do governo. Essa é uma vocação de seu povo, que fica comprovada com a participação do Deputado Thiago Peixoto na comissão que analisa a PEC 241. Thiago acredita que a PEC é uma ferramenta de recuperação da economia nacional e, se considerarmos o crescimento do estado nos últimos anos, o Brasil só tem a ganhar ao reproduzir essa experiência em escala nacional. Vale lembrar que Thiago Peixoto foi secretário do governador Marconi Perillo e ajudou a implantar lá no Goiás o limite de gastos públicos, que é o que Michel Temer tem tentado fazer no governo federal.

Como podem ver, o Goiás é muito mais que uma “roça asfaltada” e tem muito mais a oferecer ao país do que duplas sertanejas. Está mais para Cora Coralina, quando disse “Plantemos a roça. Lavremos a gleba. Cuidemos do ninho, do gado e da tulha. Fartura teremos e donos de sítio felizes seremos”, e é assim que você deve se sentir ao saber que existe algo chamado sorgo, e que Goiás é o maior produtor brasileiro dessa coisa:


Este texto do faz parte de uma série semanal sobre a economia de cada um dos estados de nossa federação: o que produzem, quanto produzem e como funciona o dindin em todos os cantinhos do nosso Brasil. A cada texto publicado, atualizaremos este post e colocaremos o link para o conteúdo aqui.

  1. O PIB do Brasil
  2. Espírito Santo
  3. Tocantins
  4. Minas Gerais
  5. Santa Catarina
  6. Brasília/Distrito Federal
  7. Goiás

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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