Economia de Santa Catarina: um oasis no meio do deserto

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Conheça um pouco mais sobre a economia de Santa Catarina e as riquezas deste estado maravilhoso.
Conheça um pouco mais sobre a economia de Santa Catarina e as riquezas deste estado maravilhoso.

Considerada pela Organização das Nações Unidas como o 3º melhor estado brasileiro para se viver, Santa Catarina é o sexto estado brasileiro em volume de riquezas, com aproximadamente R$ 170 bilhões anuais de PIB. Parece pouco, mas não é, principalmente se levarmos em conta que Santa Catarina é apenas o 11º estado no ranking de população. Ser uma potência no IDH e na economia não é um feito para qualquer um. Por lá uma pessoa vive em média 75,2 anos, três acima da média nacional, o que mostra que o estado tem seus charmes e encantos. Não é a toa que foi lá que escolhi como meu segundo lar no Brasil. Vamos analisar um pouco a economia de Santa Catarina e o que faz deste estado, tão pequenino, especial e único.

Voltando muitos séculos no tempo, lá quando nossos patrícios aportaram seus barcos no litoral catarinense. Inicialmente habitado por índios carijós, a região foi rapidamente ocupado por portugueses. Isso explica, por exemplo, a arquitetura e cultura tipicamente açoreana encontrada em Florianópolis até hoje. A região também chamou a atenção dos portugueses, que usaram o estado como porta de entrada para o Rio da Prata, essencial para a conquista do Uruguai, Paraguai e Argentina.

Assim como eu, boa parte dos brasileiros decide migrar para Santa Catarina pela qualidade de vida dentro de suas fronteiras, e isso deriva do esforço público pelo aprimoramento da educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o chamado IDEB de Santa Catarina, foi divulgado na última quinta-feira e os resultados para as séries iniciais ficou muito além do esperado. Os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio estão entre os melhores do país, apesar de não ter sido batida a meta estipulada. Esses resultados do IDEB demonstram que mesmo um povo comprometido com a educação não é capaz de superar a grave crise na educação do país. Mesmo sendo desapontador pela expectativa, o resultado ainda é muito bom e seria recebido com entusiasmo por boa parte dos estados brasileiros.

A economia de Santa Catarina e sua composição

Diferentemente de alguns estados onde há concentração produtiva, a economia de Santa Catarina é diversificada, com destaque para a agroindústria. O principal produto é o milho, que serve de ração para a criação de suínos que, juntamente com a avicultura, teve enorme expansão nos últimos anos. A terra dos Barriga Verde é a maior produtora brasileiro de pescado e crustáceos, colocando essa atividade em posição privilegiada tanto para a economia local quanto para a composição do PIB estadual. O litoral catarinense é conhecido pela exploração da Tainha, iguaria adorada pelos locais.

Pesca de Tainha no litoral catarinense

A indústria têxtil e de mecânica são muito importantes para a economia de Santa Catarina, tanto que a industria Malwee (lembra da propaganda? “Malwee, gostoso como um abraço”) é de Jaraguá do Sul, no interior catarinense. Mesmo assim, é a indústria tecnológica que mais vem crescendo, e a cidade de Blumenau, antigamente conhecida como o lar da Oktoberfest, já hoje é conhecida nacionalmente como o Vale do Software, e o que inicialmente era apenas atendimento das demandas locais, já virou um negócio que movimenta R$ 11,4 bilhões anualmente e almeja ter a maior representatividade no PIB do estado em 15 anos. Para vocês terem uma ideia, Santa Catarina tem atualmente mais de 2,9 mil empresas que, juntas empregam mais de 47 mil pessoas somente na área de TI. O investimento em startups também é grande e o estado buscou recursos junto ao governo federal na ordem de R$ 15 milhões a serem aplicados nas áreas de inovação e pesquisa, privilegiando projetos que sejam competitivos no mercado.

Mesmo tendo indicadores tão bons, os barrigas verdes não conseguiram passar intocados pela crise econômica de 2014. De acordo com os dados oficiais do governo, a economia de Santa Catarina encolheu 5,1%, bem mais que os difíceis 3,8% do resto do país.

Dono de praias lindas, como todas as que contornam a maravilhosa Florianópolis, Bombinhas e muitas outras, a Catarina tem o turismo como parte essencial em sua economia. Com 12,5% de todo PIB estadual proveniente dos gastos de lazer de brasileiros e viajantes internacionais, o turismo funciona como impulsionador de boa parte do setor de serviços do estado. Se a crise econômica prejudicou uma parte das finanças do estado, o turismo pode ajudar a equalizar essa conta, já que a dificuldade financeira faz com que os brasileiros deixem de ir gastar no exterior e passem a gastar no destino nacional.

Já se disse que um fator preponderante para saber se um estado era, de fato, desenvolvido o suficiente, era a presença ou não de uma montadora em suas fronteiras. A abertura de uma fábrica da BMW em 2014 na cidade de Araquari, no interior catarinense, mostra que o estado é ambiente propício para o desenvolvimento industrial, não dependendo apenas do extrativismo e da exploração de recursos naturais através do turismo. Segundo dados do governo, 52% do PIB estadual vem em decorrência da atividade industrial, e algumas das maiores empresas do país foram criadas no estado entre o Paraná e Rio Grande do Sul. Intelbras, Tigre, Fundação Tupi são algumas delas.

Terra de gente que faz e acontece, com perfil empreendedor, Santa Catarina é orgulho dos brasileiros, e é assim que você deve se sentir ao saber que o estado tem muito mais a oferecer do que as praias de Florianópolis e os barracões de cerveja da Oktoberfest:


Este texto do faz parte de uma série semanal sobre a economia de cada um dos estados de nossa federação: o que produzem, quanto produzem e como funciona o dindin em todos os cantinhos do nosso Brasil. A cada texto publicado, atualizaremos este post e colocaremos o link para o conteúdo aqui.

  1. O PIB do Brasil
  2. Espírito Santo
  3. Tocantins
  4. Minas Gerais
  5. Santa Catarina
  6. Brasília/Distrito Federal
  7. Goiás

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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