Economia de Roraima: É pequena, pode crescer, mas governo não ajuda

0
234
Conhecendo um pouco mais da economia de Roraima
Conhecendo um pouco mais da economia de Roraima

A região norte do país é uma nobre desconhecida do restante do país. De lá sabemos que vieram algumas das figuras mais tradicionais e controversas da nossa política, o açaí e que temos uma floresta que é objeto de desejo de todo o mundo. E o que mais? Dos estados da região norte, já falamos sobre o Tocantins, que nos parece mais relacionado com o centro-oeste, até mesmo por sua história, cultura e características geográficas. Hoje, no entanto, iremos falar sobre Roraima, o estado menos populoso do país, com o menor PIB estadual e com a capital mais distante de Brasília. Ao contrário do que eu um dia pensei, Roraima serve para outras coisas além de me fazer confundir qual estado representa a sigla RO na aula de geografia.

Quando se fala da economia de Roraima, uma das primeiras coisas que nos vem à cabeça é o PIB, que com R$ 9.027 bilhões, representa menos de 0,5% do PIB nacional. É importante ressaltar, entretanto, que o estado teve o maior crescimento econômico da região norte e o governo estadual vem buscando arduamente melhorar esses números.

Até a promulgação da Constituição de 1988, Roraima era um território da União denominado Rio Branco. Até então, principalmente graças a uma ideologia montada no governo militar, o objetivo por trás dos territórios era ocupar regiões não habitadas, garantindo a soberania nacional. Como a região não era muito atrativa para imigrantes, o governo fez grandes pacotes que iam desde passagens e hospedagem a terras e insumos para o plantio.

O desenvolvimento da região esbarra em muitas variáveis e que afetam a economia do Brasil como um todo. Mais de 70% do território do estado é considerado área de proteção ambiental ou indígena e a exploração econômica dessas áreas obedecem à legislação específica. Outro grave problema é a distribuição de energia elétrica irregular, o que é um verdadeiro gargalo na expansão comercial do estado. É bom lembrar que o Brasil só conseguiu se industrializar, de fato, a partir de 1995, quando o governo federal começou a privatizar as transmissoras de energia elétrica.

Monte Roraima/RO

As peculiaridades da economia de Roraima

A economia do estado é fortemente apoiada em serviços, especialmente o turismo. A grande estrela desse segmento é o Monte Roraima que atrai turistas do mundo todo e é reconhecido na comunidade científica como local de proteção especial, tendo em vista que novas espécies são encontradas todos os anos. O Monte tem uma forte mística, os índios acreditam que o monte é sagrado e que suas águas ajudam a encher o Rio Amazonas e Sir Artur Conan Doyle (sim, o “pai” de Sherlock Holmes) escreveu uma história fascinante inspirada na região. Ficaram curiosos? Leiam O Mundo Perdido.

O setor primário vem apresentando grande crescimento, com exportação expressiva de madeira, couro e água mineral. A agricultura tem sido muito prejudicada com a inconstância na transmissão de energia elétrica o que dificulta utilização de técnicas mais modernas de irrigação e cultivo, além de colocar obstáculos na logística de escoamento. Apenas a título de curiosidade, hoje a irrigação de 1 hectare de soja custa R$ 2 mil apenas em combustível – se contar manutenção das máquinas o custo aumenta. Caso a energia elétrica fosse constante, o custo com irrigação poderia baixar para R$ 450 por hectare.

Pouco industrializado, Roraima se dedica principalmente à produção de refrigerantes. O extrativismo mineral já não é mais a principal atividade no setor secundário, especialmente depois da demarcação da reserva Yanomami, o que criou outro problema: a extração ilegal de ouro e pedras preciosas. A Polícia Federal estima que essa operação movimentou cerca de R$ 1 bi entre 2013 e 2014.

Escrever essa série tem sido um maravilhoso exercício. Confesso que conhecia pouco sobre alguns estados do que já falei e Roraima foi realmente uma surpresa. Um dos símbolos do estado são os cavalos selvagens, os últimos do Brasil, alguns nascem e crescem sem nenhum contato com os humanos e são conhecidos por sua resistência, inteligência e capacidade de se adaptar e extrair o melhor, mesmo na adversidade. Acredito que é um belo exemplo de como são é o estado de Roraima: pouco conhecido da maioria, mas que desperta fascinação quando conhecemos um pouco mais, e é assim que você deve se sentir ao saber um pouco mais sobre a economia de Roraima:


Este texto do faz parte de uma série semanal sobre a economia de cada um dos estados de nossa federação: o que produzem, quanto produzem e como funciona o dindin em todos os cantinhos do nosso Brasil. A cada texto publicado, atualizaremos este post e colocaremos o link para o conteúdo aqui.

  1. O PIB do Brasil
  2. Espírito Santo
  3. Tocantins
  4. Minas Gerais
  5. Santa Catarina
  6. Brasília/Distrito Federal
  7. Goiás
  8. Roraima

mm

O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here