Primeiro salário: poupar, investir ou gastar em chiclete?

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Dilema do primeiro salário
O que fazer com o primeiro salário?

Todo jovem sonha com o primeiro emprego. Os pais, pobres, pensam que eles querem a responsabilidade, quando o adolescente quer mesmo é o primeiro salário. Lembro quando consegui meu primeiro emprego: office-boy no escritório de advocacia da minha mãe. Com o pagamento de enormes R$ 100, meio salário mínimo à época, comprei meu primeiro aparelho celular: um Nokia 2280, o famoso “Nokia Azulzinho”. Não sobrou um mísero centavo. O meu primeiro salário no segundo emprego foi gasto comprando uniforme do Palmeiras, a primeira da minha coleção que hoje já passa de trinta. O primeiro salário no primeiro emprego, já maiorzinho, pagou a capota da minha antiga pickup e um aparelho de som. Enfim, em todo emprego da juventude o primeiro salário durou pouco, mas até hoje lembro com carinho deste dia como um misto de felicidade, independência e um pouco de “e se eu tivesse colocado um pouco na poupança?”

Fruto do meu primeiro salário
Fruto do meu primeiro salário

Conseguir o primeiro emprego e receber o primeiro salário é um dos grandes marcos da vida adulta. Especialmente para os jovens, depois de anos vivendo com o dinheiro contado da mesada ou do troco das viagens ao mercado, o salário parece o Eldorado, o local sagrado onde moram todos os sonhos que terminaram com o famoso: querer sem poder.

Raros são os jovens que poupam desde o primeiro salário. Existem estudos que mostram que poupar desde a juventude garante a aposentadoria tranquila e mais cedo. Para corrigir isso é preciso alterar a cultura brasileira, e isso leva algumas gerações. Uma forma de se fazer isso é a educação financeira, matéria que deveria ser ensinada na escola. Um estudo inédito da Serasa Experian demonstra que, no Brasil, o endividamento dos jovens até 25 anos aumentou, contrariando a tendência das outras faixas e podemos dizer que a inflação e o fechamento de postos de emprego não são os únicos responsáveis por esses números.

Não há como negar que somos movidos pelos nossos desejos e aprender a navegar entre eles e o que é preciso para fazer com que eles aconteçam é o processo natural da maturidade. É importante comemorar a entrada em uma nova fase da vida, mas é também importante planejar o futuro. Eu diria que, na dúvida, o ideal é seguir o primeiro conselho que os pais dariam se consultados: poupem.

O que fazer com o primeiro salário

Um ponto positivo é que o porquinho começa a virar um objeto de museu. Muito melhor do que guardar no cofrinho, a poupança rende juros abaixo da inflação. Não é o ideal, mas dá ao jovem um ativo valioso nos dias de hoje: tempo. Para aprender, para planejar, para descobrir qual caminho seguir, o tempo é valioso para quem não tem experiência em investimentos. Especialistas em finanças pessoais são unânimes em afirmar que um bom planejamento é a base de uma vida financeira saudável e a poupança é essencial nesse aspecto. Ter dinheiro para negociar compras e imprevistos faz com que o jovem não caia em armadilhas de crédito fácil ou gastos impulsivos.

Investir desde o primeiro salário não é comum no Brasil – talvez por falta de educação financeira, como falei anteriormente – mas esse deve ser um dos primeiros passos para quem deseja obter a tão sonhada independência financeira. Ter objetivos é importante para o desenvolvimento pessoal e desbravar o mundo das finanças é um gratificante desafio e hoje em dia a informação é abundante em sites de referência. Iniciar o investimento em títulos de renda fixa e do Tesouro Direto podem fazer com que um jovem 20 anos tenha uma vida confortável aos 45 anos, sem necessidade de muito sacrifício.

Como podem ver, o primeiro salário é apenas a porta de entrada das possibilidades. Viver uma realidade assalariada pode ser o começo de uma grande aventura. Hoje em dia os jovens estão protelando a saída da casa dos pais, aumentando o tempo de estudos e vivendo uma confortável vida sem muitas responsabilidades com a manutenção doméstica. Dessa maneira sobram recursos para financiar os mais diversos empreendimentos, desde viajar o mundo, fazer cursos e especializações, começar uma empresa.

Precisamos aprender a nos relacionar com o dinheiro de maneira positiva, não como um fim em si, mas como um facilitador para nossos sonhos. No fim das contas, pouco importa como é gasto o primeiro salário, e sim como você gasta os outros milhares que vem depois. Entre poupar, investir e gastar, há somente uma única certeza, se você quer ter uma situação financeira sustentável e confortável no futuro, certamente o terceiro caminho não é o que te levará para o sossego.

Resumindo: Dinheiro na mão é vendaval, mas dinheiro investido daqui trinta anos vira furacão, e é assim que você deve se sentir ao ler isto:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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