Crise: Lucro do Itaú cai 10% no trimestre, e isso é péssimo

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Crise aumenta inadimplência no banco e lucro do Itaú desaba. E isso é péssimo para o Brasil.
Crise aumenta inadimplência no banco e lucro do Itaú desaba. E isso é péssimo para o Brasil.

O relatório financeiro divulgado pelo Itaú na manhã de hoje é extremamente preocupante. Com um lucro recorrente de “apenas” R$ 5,6 bilhões, o banco sentiu uma retração de 10% em sua lucratividade. Já falamos isso anteriormente, mas é sempre bom reforçar. Ao contrário do que o senso comum prega, o banqueiro não é inimigo do povo e, embora o cidadão comum ame ver um banco tendo prejuízo, isso é extremamente ruim. Quando um banco perde dinheiro, é porque todo mundo está perdendo MUITA grana na crise.

Esse é um dado preocupante pois um banco ganha dinheiro, basicamente, de dois jeitos. Emprestando dinheiro para os outros e recebendo os juros das operações, e também aplicando o dinheiro dos clientes em investimentos. Esses R$ 500 milhões de prejuízo do Itaú significa duas coisas:

  1. Empréstimos: Não é segredo para ninguém que há uma gritante restrição ao crédito no Brasil. Já falamos sobre isso antes. Quando um banco prefere não emprestar, e ter prejuízo com isso, do que emprestar dinheiro para pessoas e empresas, é porque a situação está preta, pretíssima, preta asa da graúna.
  2. Investimentos: As aplicações financeiras pelo banco não estão dando resultado. Mas isto não é verdade. Até o momento, os investimentos do Itaú estão rentáveis e atrativos.

Sendo assim, fica claro que o problema de lucratividade do Itaú passa diretamente pelos empréstimos realizados pelo banco. Uma leitura mais clara do relatório divulgado pelo banco confirma essa hipótese.

Crise: Bancos também sofrem com recessão

Assim como todo o mercado, o Itaú está sofrendo com a crise e com a inadimplência, tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas. As despesas com provisões para devedores, que é a grana separada pelo banco para lidar com a falta de pagamento (não uso o termo calote pois a grande maioria dos inadimplentes não pagam porque não podem, e não porque não querem), chegou a R$ 7,2 bilhões. No primeiro trimestre do ano passado, as despesas com a inadimplência foram de “apenas” R$ 5,5 bilhões. No último trimestre de 2015, esse número foi de R$ 6,11 bilhões.

Essa despesa de provisões é o dinheiro que o banco precisa fazer “aparecer” no mercado para cobrir a inadimplência de um cliente. Se 100% dos clientes em empréstimo forem adimplentes, o banco deixa de ganhar dinheiro com juros maiores, mas ganha mais dinheiro ainda ao não precisar provisionar recursos para cobrir o buraco. Deu para entender?

Segundo o relatório do banco, a taxa de inadimplência superior a 90 dias foi de 3,9%. A um ano atrás, esse número era de meros 3%. Ou seja, em 12 meses, houve um aumento de 10% na taxa de inadimplência nas operações do banco. A inadimplência entre 15 e 90 dias, que é quando o cliente vira devedor, mas ainda está fora do setor de cobrança, é de 3,1% contra 2,9% no primeiro trimestre de 2015.

Não é só o Itaú que sofreu um baque. O Bradesco reportou semana passada, pela primeira vez em quatro anos, queda na taxa de lucro da instituição. A taxa de inadimplência acima de 90 dias do Bradesco foi de 4,22% e do Santander ficou em 3,3%.

Achou pouco? Para terem uma ideia da diferença entre os cenários entre 2016 e 2015, ano em que já estávamos em crise, e entender o porquê dos bancos não emprestarem mais dinheiro, é só olhar o prejuízo com as provisões do Bradesco e do Santander. O Bradesco viu as despesas com as previsões subirem 30% nos últimos três meses, e mais de 50% em um ano, chegando a R$ 5,44 bilhões. O Santander não divulgou os números, apenas disse que reduziria o orçamento para cobrir a inadimplência. Ou eles estão confiantes que daqui para frente todo mundo vai pagar em dia, o que é improvável, ou o banco simplesmente vai parar de emprestar dinheiro, o que é mais provável.

Um banco não deixa de emprestar dinheiro porque ele é malvado. Ele fecha a torneira simplesmente porque se ele for irresponsável na concessão de dinheiro, quem vai pagar a conta é o correntista pequeno, que pode ficar sem seu dinheiro poupado, e também o acionista, que investiu dinheiro para fazer a instituição financeira rodar. Uma instituição financeira nega um empréstimo não porque ele não gosta do empresário, mas porque seus analistas deduzem que a empresa não terá condições de pagar. Prova e resultado disso é o relatório que saiu hoje, apontando redução de 11,7% na produção industrial brasileira no primeiro trimestre.

O país está em péssimo estado. Os bancos não emprestam pois as empresas não tem condições de pagar. As empresas não pagam pois não conseguem vender, já que o país está em crise. O governo não tem dinheiro para salvar as empresas, já que gasta demais e arrecada de menos, afinal com 8 mil empresas fechadas em 12 meses e 11 milhões de desempregados, a arrecadação de impostos caiu drasticamente. Em cima de tudo isso está o governo que, preocupado em salvar a própria pele, deixa a economia à mingua.

E é por isso que a queda no lucro do Itaú é um péssimo sinal para o trabalhador. Um banco é o organismo que mais entende de dinheiro e economia de um país, e quando até eles estão perdendo dinheiro, é porque o mar não está para peixe, nem os pequenos, nem os grandes.

Resumindo: A situação é difícil, amigos, e é assim que você deve se sentir ao sair para trabalhar pela manhã sem saber se vai continuar empregado ou não:

Crise derrete economia do Brasil e lucro do Itaú cai 10%

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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