Como funciona a economia de Game of Thrones e os reinos de Westeros

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Como funciona a economia de game of thrones
Como funciona a economia de game of thrones

Com seis temporadas de televisão e cinco livros já escritos, você provavelmente esteja bem ambientado com o universo de Game of Thrones, ou como a série deveria ser chamada se fosse 100% fiel ao livro: Crônicas de gelo e fogo. Se você é como eu, um bicho curioso por natureza, também já deve ter se perguntado como funciona a economia de Game of Thrones. Se não estava curioso antes, tenho certeza que agora você quer saber como é que o dinheiro troca de mãos em Westeros e como a Patrulha da Noite consegue dinheiro para financiar a manutenção daquela muralha imensa. Não tema, filho do verão, pois o Econoleigo está aqui para te proteger da noite eterna da curiosidade. Para facilitar, vou denominar o título oficial de Rei, que é quem senta em King’s Landing, como o Rei ou Rainha da Coisa Toda.

Atenção com este texto, pois você pode receber alguns spoilers. Leia por conta e risco.

Economia de Game of Thrones

Estrutura política e econômica de Westeros

O que existia em nosso planeta durante a idade média, que é a era mais próxima do contexto histórico onde Jon Snow e Cersei vivem? Basicamente exploração de commodities, que são produtos de baixo valor agregado, ou seja, basicamente coisas que são plantadas, criadas ou mineiradas para venda. Como podemos ver no decorrer do show, nenhum dos sete reinos e também nenhuma das cidades livres de Essos passaram pela revolução industrial. Em decorrência disso, não existem industria de transformação ou equivalentes que modernizem os meios de produção.

“Uma garota precisa de um dinheiro”

O mundo de Westeros (que é onde a maior parte da história se passa) é composto por monarquias autocráticas agrárias ou extrativistas, tudo em um sistema de castas muito bem definido. As terras trabalhadas pelos camponeses pertencem aos nobres locais, que cobram uma boa parte do que é produzido a título de imposto. Esses lordes repassam parte do que é arrecadado por eles como imposto para a coroa. Atualmente quem recebe dinheiro dessa forma são :

  1. Lannisters: Por serem detentores da coroa oficial e ocupantes de King’s Landing, a capital de Westeros, os Lannisters recebem tributos de todos os reinos e lordes que reconhecem Cersei como a Rainha da Coisa Toda.
  2. Starks: Os Stark sempre governaram o norte. Antes como reis de um reino livre, depois como guardiões de um território pertencente ao Rei dos Sete Reinos (antepassados da Daenerys Targaryen) e agora novamente como um reino livre. Por ser Rei do Norte, Jon Snow não paga mais tributos para Cersei, mas recebe tributos de todos os lordes que juraram lealdade a Winterfell.
  3. Targaryen: Recém-chegada de fora do continente de Westeros, Daenerys e seu exército ainda não possuem reinos locais que lhe repassam impostos. Por outro lado, as cidades “livres” de Essos que foram libertadas por ela provavelmente pagavam esses impostos no esforço de guerra.

Com o que os plebeus pagam imposto? Pense na europa medieval e você vai descobrir: criando ovelhas, porcos, bois, cavalos, pescando ou caçando ou plantando grãos. A mineiração de metais preciosos ou de carvão, recursos estratégicos, ficam sob controle do rei ou rainha.

Os mais ricos e os mais pobres de Westeros

Os Lannisters são os mais ricos e os Greyjoy são os mais pobres, embora recentemente o papel de família mais rica tenha ficado a cargo dos Tyrell. Os Lannisters sempre foram os mais ricos, e só estavam na penúria ultimamente porque o antigo patriarca da famía Lannister emprestou uma boa fortuna para o marido de sua filha, Robert Baratheon, que era o Rei da Coisa Toda. Quando a filha sentou no trono, ela herdou a dívida da coroa com os Lannister. Como a coroa não tinha dinheiro para pagar os Lannisters, dívida ficou em aberto. Some a isso o fato das minas de ouro e pedras preciosas dos Lannisters ter secado. Problema? Não depois do episódio de ontem, quando os Lannisters voltaram a ser os mais ricos.

“Já ouviu a frase rico como um Lannister?”

Outro fato interessante. O reino dos Lannisters é mais ao sul de Westeros. Como os outros reinos ficam ao norte, e no mundo de Game of Thrones os invernos e verões duram anos, às vezes até decadas, os Lannisters são os que se dão melhor com as estações. Muitos anos de verão significam boas colheitas e rebanhos grandes e saudáveis. Durante o inverno, quando todos os outros reinos estão congelados e praticamente sem ter o que comer, os Lannisters têm as despensas cheias de alimento e os cofres recheados de ouro, já que comercializam com os reinos ao norte o que os outros precisam para não morrer de fome.

E porque os Greyjoy são os mais pobres? Simples. Além das Ilhas de Ferro serem minúsculas, o que gera uma pequena população, elas também são impróprias para a agricultura e pecuária. Toda riqueza e alimento da ilha vem do mar, seja em forma de pescaria ou de pirataria. Como ninguém consegue viver só de peixe, boa parte do que eles têm é fruto de invasões e roubos nas terras dos outros.

Mercados consumidores

É impossível manter um comércio saudável com poucos parceiros comerciais. A história nos ensina que as grandes navegações e o descobrimento de colônias foram os responsáveis pelo enriquecimento absurdo das potenciais européias. Westeros é uma grande ilha, e é impossível ficar rico e prosperar fazendo negócios somente com as mesmas pessoas, principalmente durante o inverno. Ai entra o continente de Essos. Como o mapa abaixo pode mostrar, se compararmos com Essos, Westeros não é quase nada. Vale lembrar que é ali que os sete reinos ficam e onde a história se desenrola.

O mapa de Game of Thrones: Westeros e Essos

Existem nove cidades livres em Essos. Essas cidades livres seriam denominadas no português político correto de Cidades-Estado, ou seja, são cidades que não pertencem a um reino, mas que possuem o poder, a estrutura e as riquezas de um grande Estado. Todas essas cidades fazem comércio com os reinos de Westeros e todas essas possuem seu próprio sistema bancário. Opa…

Sistema bancário

Embora somente o Banco de Ferro (Iron Bank) fique em evidência, cada cidade livre possue o próprio banco. Isso proporciona que os governantes das cidades tomem empréstimo, mas principalmente permite que cidadãos comuns possam levantar capital emprestado e aplicar em suas próprias empresas. Isso permite o surgimento da burguesia e o enriquecimento de famílias que não tenham sangue azul.

Não existem bancos em Westeros e nem um sistema bancário central. Os reinos de Westeros emprestam dinheiro entre si, ou então recorrem a empréstimos em bancos de Essos, como o já citado e famoso “Banco de Ferro”. Lembrem que Westeros, principalmente em Kings Landing, é uma sociedade dominada pela monarquia autocrática e pela religião. Criar um banco transferiria boa parte do poderio econômico do Estado para uma entidade privada. Por que o Banco de Ferro é tão poderoso? Porque ele nunca perde. Se ele empresta dinheiro para um reino e esse decide não pagar, o banco imediatamente empresta dinheiro para o inimigo do devedor. Por que? Para receber o dinheiro emprestado de volta e também para passar um recado: não existe calote contra eles.

Lembram das cenas que mostram os reinos de Westeros e as nove cidades de Essos? Enquanto em Westeros vemos tabernas, fazendas e muita gente suja, em Essos podemos ver comércio estabelecido e diversificado, além de pessoas melhores vestidas.

Quem financia a Patrulha da Noite

Não é mostrado na série de televisão, mas nos livros fica claro que a Patrulha da Noite é auto-sustentável, ou pelo menos deveria ser. Quando foi criada mais de 8 mil anos atrás, a Patrulha da Noite recebeu junto da muralha uma longa faixa de terra chamada de “The Gift”, ou “O Presente”. Isso foi feito para que a Patrulha não dependesse economicamente de nenhum reino, o que lhe garantisse neutralidade nos conflitos existentes em Westeros. A Patrulha da Noite tinha uma única obrigação: defender os sete reinos do que estava ao norte da muralha.

Para garantir o sustento, essa faixa de terra foi transformada em um enorme território agricola, que foi cedido para os camponeses trabalhar, e assim como acontecia com os lordes nas outras partes, a Patrulha da Noite recebia uma parte do que era produzido como imposto. Além disso, os membros da Patrulha da Noite que não eram aptos para o combate acabavam sendo mandados para trabalhar como fazendeiros nas terras do Presente. Com o passar do tempo, e graças aos ataques dos povos selvagens (os Wildlings), os camponeses acabaram fugindo das terras da Patrulha da Noite e foram para outros locais. Com menos pessoas cuidando de suas propriedades, a Patrulha da Noite foi ficando cada vez com menos recursos, o que gerou ao declínio da força de segurança. Antes a Patrulha era composta por 10.000 soldados e 19 castelos e atualmente conta apenas com 1.000 homens e três castelos na ativa.

Atualmente a Patrulha da Noite sobrevive graças aos poucos recursos gerados com suas fazendas, com doações dos reinos que reconhecem a importância de sua missão e também graças à força de trabalho gratuita que lhe é oferecida pois, como sabemos, o alistamento da Patrulha da Noite é eterno e não oferece remuneração ou herança.

Isso não foi mostrado na televisão, mas Jon Snow encontrou brevemente um representante do Banco de Ferro quando transportava os selvagens em direção à Muralha. Ele tem uma conversa com esse representante e pede um empréstimo para o banco em nome da Patrulha da Noite, já que à época ele era o comandante da Patrulha. O empréstimo seria usado para custear a sobrevivência dos selvagens durante o inverno. O plano de Jon Snow era alocar os selvagens nas terras do Presente e usá-los para plantar e colher, gerando assim recursos para financiar a Patrulha da Noite.

Resumindo: Westeros é uma terra que depende da agricultura, onde não existem bancos para te emprestar grana para comprar um cavalo novo e onde a Patrulha da Noite está com mais problemas financeiros que o Brasil, e é assim que você deve se sentir se alguém te oferecer um DVD com episódios inéditos de Game of Thrones:

Gostou? Então leia este texto e descubra a economia por trás de Star Wars.

Fontes: Investopedia, Business Insider, livros da série e Forbes.

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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