Como funciona a economia dentro de Star Wars

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Entenda toda complexidade financeira dentro do universo Star Wars.

Desde o lançamento do primeiro filme da saga Star Wars em 25 de maio de 1977 até os dias de hoje, a franquia já faturou entre brinquedos, cinema, DVDs e licenciamentos diversos mais de US$ 28.000.000.000,00 dólares. Sim, em quase quarenta anos George Lucas foi o responsável direto pela geração de quase trinta bilhões de dólares em dinheiro. Somente como comparação, a estimativa do PIB anual da Jamaica em 2014 foi de US$ 24.099.000.000,00 dólares. Ou seja, tudo o que o país caribenho produziu ao longo do ano passado não foi capaz sequer de chegar perto do que o mundo de Guerra nas Estrelas gerou em receitas.

Com o lançamento do sétimo filme da saga no final do ano, fiquei pensando em como funcionaria o sistema econômico do mundo criado por George Lucas. Gostaria de deixar claro que, embora tenha assistido a todos os filmes, não li os livros, compêndios, revistas em quadrinhos e derivados que servem para ilustrar ainda mais a saga. Todas as suposições que farei aqui derivam da minha experiência no mercado financeiro com o que aprendi assistindo às películas, além de algumas buscas na internet para ilustrar e quantificar o texto.

Se fazer negócios somente no planeta Terra com seus 191 países e diversas moedas já é difícil, imagine a complexidade da atividade financeira em um universo com 1.7 milhões de planetas habitáveis. Assim como na terra onde países se juntam em blocos, e assim adotam uma moeda em comum, há em Star Wars o chamado Império, que agrega uma quantidade quase incalculável de planetas, todas agrupadas desde os tempos da República e seu Senado. Todos esses planetas, ou sistemas, adotam uma moeda chamada Crédito Padrão Galáctico. Essa unificação monetária de planetas já existia antes mesmo do Império Galáctico, tendo já se chamado Wupiupi, por exemplo.

Mas nem tudo foi tranquilo. Durante a Guerra dos Clones (ocorrida entre o segundo e terceiro episódio), preocupados com o futuro da economia galáctica, o Clã de Bancos Intergalácticos criou novas moedas a um ritmo de vinte novos tipos por dia. Em um universo com 1.7 milhões de planetas, imagine a complexidade financeira que isso gerava. Assim como na terra, onde temos um sistema cambial que permite que viajantes e empresários troquem moedas de diferentes países, em Star Wars há o Sistema Cambial de Troca Interplanetária. Isso possibilitou, por exemplo, que um viajante de Tatooine chegasse no Espaço Hutt e trocasse seus Drugatts por Trugut, a moeda local.

Outro ponto interessante e que deve ser levado em conta é a logística. A transferência de recursos entre bancos de um mesmo país pode levar até dois dias, se for feito um DOC. Já em uma operação internacional, conhecida como Swift, isso pode levar até uma semana e tem um custo elevado, cerca de US$ 100 por transação. No universo de Star Wars, além do dinheiro em espécie, o Crédito pode ser disponibilizado em chips, o que significa que uma transação entre planetas separados por vários sistemas solares e estrelas podem ocorrer instantaneamente, desde que haja comunicação entre as instituições. Sabendo que o dinheiro já é praticamente digitalizado em chips, e com um sistema galáctico de câmbio em funcionamento, é possível deduzir que transferência interplanetária de dinheiro é possível e provavelmente corriqueira.

Entendendo como era possível que diversos planetas negociassem entre si, é preciso entender agora como funciona toda máquina de guerra do imperador Palpatine e Darth Vader. Para terem uma ideia, em 2012 a revista Forbes divulgou que estudantes da Lehigh University calcularam o custo para construir a Estrela da Morte em absurdos US$ 8.100.000.000.000.000, também conhecidos como 8 quatrilhões de dólares. Para terem uma ideia, isso é 13 mil vezes a riqueza somada gerada anualmente por todos os países da terra.

Com o final da Guerra dos Clones, o Império começou um processo de pacificação e expansão da economia em toda galáxia. Além da nacionalização de diversas corporações, as empresas que apoiaram o imperador foram premiadas com concessões em diversos planetas que antes eram controlados por opositores. As empresas tinham liberdade para agir na galáxia, cada vez mais expandida e controlada pelo Império, que exigia em troca o pagamento de uma taxa de 3% em cima de lucros, 9% em material e 20% em cima de elementos raros extraídos ou produzidos pela iniciativa privada. Ou seja, o império funcionava como qualquer governo que conhecemos atualmente: manutenção de um equilíbrio que suporte o sistema financeiro, e em troca há tarifação nos resultados.

Mas então como os rebeldes financiaram sua luta contra a tirania? Antes de tudo, é preciso entender que não eram somente indivíduos que enfrentavam Palpatine e seus soldados Stormtroopers, mas uma série de planetas não alinhados ao Império. Havia também o fluxo de recursos provenientes de algumas facções criminosas e corporações privadas, que para combater o império que atrapalhava seus negócios, financiavam o funcionamento do aparato militar rebelde. Podemos deduzir também a existência de mecenas, ou indivíduos muito ricos que contribuíam à causa com recursos do próprio bolso.

Não podemos esquecer do capitão Han Solo, e sua Millennium Falcon, empregados pelo temido Jabba, o Hutt. A pirataria praticada por Solo e uma tropa incontável de outros pilotos servia para financiar contrabandistas como Jabba, mas também forneciam o dinheiro tão necessário à resistência. Além do aspecto financeiro, a pirataria também servia para comprometer a capacidade militar e mercantil do império, que além de ficar sem suas mercadorias, ainda precisava remanejar tropas para defender um objetivo cujo inimigo agora conhecia as fraquezas.

Como podemos ver, embora em uma escala infinitamente maior, o universo de Star Wars funciona de certa forma como o que conhecemos hoje em dia na terra. Existe o Estado e seus tributos, os contrabandistas, os bancos e também uma série de mercados e moedas diversos, que adicionam complexidade e vida ao universo criado por George Lucas. Uma pergunta que fica é em relação a administração da coisa como um todo. Seria o papel carbono, os protocolos e a burocracia uma invenção do Lado Negro da Força, ou os rebeldes também sofriam com isso? E o câmbio, será que ele flutua mesmo em gravidade zero?

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

1 COMENTÁRIO

  1. É bem parecido com o Brasil, mesmo, veja que a ‘comissão” do Império é igual à cobrada pelo PT nos contratos da petrobrás , 3% !! Deve ser alguma ‘herança cultural ” passado pelo Patriarca Dirceu VADER…

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