Como funciona a cotação do dólar

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Você sabe como funciona a cotação do dólar? Não? Eu explico, mas antes saiba o que é notícia em todos os jornais: disparado desde que a presidente Dilma venceu sua reeleição, o dólar continuou a subir e hoje está sendo vendido a R$ 3,52, o maior valor dos últimos 12 anos. Impressiona, não?

Antes de explicar como funciona o câmbio do dólar, vamos primeiro tocar na razão de sua utilização. Nós usamos o dólar como referência em transações internacionais porque ele é o dinheiro mais utilizado para isso, simplesmente porque os Estados Unidos é o país mais poderoso do mundo. Até o começo do século de 1900, usávamos a Libra Esterlina, que é a moeda corrente da Inglaterra, até então a potência que dominava o globo. Com o crescimento americano e a decadência do reino da rainha, principalmente graças às duas grandes guerras mundiais, o dólar foi adotado como moeda de referência em transações internacionais em todo mundo. Isso não significa que o dólar seja o dinheiro mais caro do mundo. Esse título sempre foi, e sempre será da Libra.

Pois bem. Agora que sabemos a razão da utilização do dólar, vamos entender como funciona a cotação do dólar.

Existem três formas de comercializar o dólar no Brasil, cada um com seu respectivo valor: o dólar comercial, o turismo e o paralelo. O dólar comercial é aquele utilizado em transações comerciais entre empresas, governos ou bancos. O Turismo é quando você compra algo no cartão de crédito ou compra dólar em uma casa de câmbio. O paralelo é aquele que você compra de um agiota ou uma pessoa não autorizada a vender a moeda. No dinheiro, funciona assim: o dólar comercial é o mais barato, pois é o que tem mais volume. O turismo é o intermediário, mas o mais “popular” quando se fala em câmbio do dólar. O dólar paralelo é o mais caro pois, como não tem autorização e nem regulamentação do Banco Central, ele não é “rastreável”, e isso tem lá o seu valor adicional.

O valor do dólar como um todo, e que vai servir de base para as três cotações que mencionei acima, depende de quanto dólar tem no Brasil. Por exemplo, se a nossa economia está forte, os investidores trarão seus dólares para o Brasil, e isso vai fazer com que o valor da moeda baixe. Se estamos em crise, com juros baixo e inflação alta, os investidores vão procurar outro jardim para plantar suas sementes, e o valor do dólar vai subir. É a simples lei da oferta e da procura.

Como funciona a cotação do dólar

Vamos utilizar uma analogia para explicar melhor, sem erros. Independente de quantos dólares estiverem em circulação no Brasil, ele sempre será caro. É como uma mulher bonita. Ela sempre será atrativa, não importa onde esteja. Entretanto, se ela estiver em uma sala repleta de modelos de revista, que são tão bonitas quanto ela, ela será menos atrativa, pois o “comprador” terá mais opções para o xaveco. Sendo assim, ela não terá tanto poder de escolher, e pode às vezes acabar tendo que se contentar com o homem mais feio do local. Por outro lado, se esta mesma mulher bonita estiver no meio de uma festa com pessoas “normais”, ela terá mais destaque, atraindo a atenção de mais “compradores”, podendo então escolher aquele que ela acha mais atrativo, e que é desejado por todas as outras mulheres. A cotação de dinheiro segue exatamente a mesma lógica. Se tem muito dólar dentro do Brasil, ele torna-se menos atraente, e na escassez, ele torna-se caro.

Agora falando sobre a alta do dólar, é preciso entender o impacto que o aumento tem em nossa economia. Se por um lado um dólar a R$ 3,52 favorece a exportação, pois faz com que fique mais fácil para os gringos comprem o que temos a oferecer, por outro lado ele arrasa as empresas que precisam comprar insumos importados, como uma empresa que fabrica fraldas descartáveis e importa o nylon para fabricar o plástico de outro país. Com o dólar mais caro, essa empresa será obrigada a aumentar o preço cobrado pela fralda, o que fará com que a classe mais baixa deixe de comprar esse “luxo”,  e volte a utilizar as temidas fraldas de pano. Com menos gente comprando, a empresa é obrigada a diminuir a produção, o que vai acarretar em demissões de funcionários, que vão deixar de comprar outras coisas por simplesmente não ter dinheiro, e também no aumento do preço das fraldas na prateleira do mercado de bairro, que por comprar em menor volume, não tem tanta prioridade da fábrica, que vai preferir vender para as grandes redes, que pagam melhor e mais rápido. Com isso, menos pessoas vão comprar no mercadinho, que vai subir seu preço, e vão comprar nas grandes lojas, e em pouco tempo o mercadinho fecha a porta.

Está achando ruim o dólar custar R$ 3,52? Então saiba que alguns especialistas, e alguns leigos como eu, não acham difícil que o Papai Noel compre a gasolina para suas renas pagando um dólar a R$ 3,80.

Resumindo: Ao contrário do que os economistas sociais pregam, o dólar alto não é ruim somente para a dondoca que vai comprar esmalte em Miami, e é assim que você deve se sentir com o crescimento sem limites do dólar:

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