Cigarro faz bem para a saúde… Da indústria tabagista

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Vender cigarro faz bem pra saúde... Das empresas.
Vender cigarro faz bem pra saúde... Das empresas.

O maior truque do diabo foi nos convencer de que ele não existe. A maior sacada da indústria do cigarro foi associar o ato de fumar a situações prazerosas. Acende-se unzinho depois de um café, uma refeição, antes e durante reuniões importantes e, em muitos casos, depois do sexo. Comer, beber, mexer com dinheiro e transar. É uma estratégia eficiente, criada anos atrás, muito antes de se fazer qualquer relação entre o câncer de pulmão e o fumo. Conseguir convencer alguém a comprar um produto que tem, no rótulo, um aviso de que aquilo vai te matar é uma façanha. E ela dá certo. A indústria tabagista fatura bilhões todos os anos, e são esses números que vamos explorar no Econoleigo de hoje. Quanto fatura a indústria do cigarro?

O texto de hoje foi incentivado pelo texto publicado dois dias atrás, “quanto custa um cigarro para você e para o sistema de saúde“, e também por um artigo publicado hoje pelo banqueiro Saul Sabbá, que fala sobre as chamadas ações do chamado “fundo dos vícios”, que são as empresas que lucram com os prejuízos gerados à saúde das pessoas e ao meio-ambiente. Vamos em frente.

Cigarro faz bem para a saúde de quem vende cigarro

No dia 21 de outubro o mercado do fumo foi pego de surpresa com a notícia de que a British American Tobacco, a BAT, fez uma oferta para comprar a Reynolds American por absurdos US$ 47 bilhões. Se for aceita, a venda transformará a British American Tobacco na maior indústria de cigarros do mundo. O que isso muda na sua vida? Muito. A BAT é a proprietária da Souza Cruz, a maior fabricantes de cigarro no Brasil.

Os dois principais “players” no mercado de tabaco do Brasil são a Souza Cruz, já conhecida de todos, e também a Philip Morris. A Souza Cruz é dona do Derby, do Free e do Carlton. A Philip Morris é dona do Marlboro e L&M. A Souza Cruz faturou em 2015 “modestos” R$ 4,6 bilhões, sendo que o lucro foi de R$ 2 bilhões. Na bolsa desde 1946, a Souza Cruz fechou seu capital, ou seja, a BAT, sua dona, comprou as ações de todo mundo, além dela, que tinha muitas. Foi uma negociação de R$ 10 bilhões, ou seja, o cigarro faz bem para a saúde de quem investe no tabaco. O faturamento da Philip Morris no Brasil em 2014 foi de, segundo o Valor, US$ 800 milhões.

Há também no Brasil um terceiro jogador muito importante no campeonato do cigarro: o mercado ilegal. Em uma indústria onde o preço do produto é composto, em média, por 80% de imposto, fica fácil imaginar que contrabandistas e falsificadores vão inundar o mercado com ilegalidades a baixo preço. É muito mais fácil para um viciado sem grana pagar R$ 2,50 em um maço, ao invés de R$ 5,50 ou R$ 6,00. É um “desconto” atrativo e que movimenta muito dinheiro. Segundo o Sinditabaco (sim, existe isso), o mercado ilegal movimenta em torno de R$ 6 bilhões por ano aqui no Brasil. O prejuízo disso na arrecadação de impostos é de, pasmem, R$ 4,5 bilhões. É muito dinheiro.

O cigarro é um negócio que gera dinheiro no mundo todo, embora o lucro esteja caindo ano após ano, já que seus clientes estão, ou morrendo de câncer, ou deixando de fumar. Ainda assim, a “vice bin”, ou Fundo do Vício, fatura muita grana. No ano passado as ações do “setor” cresceram 27,4%. Pouco, né?

A indústria do cigarro não se importa com a saúde do consumidor, mas sim com os lucros. Antes que os fumantes venham me acusar de terrorista, fiquem com um dado: o tabaco mata mais de 6 milhões de pessoas por ano. Sabem quantos judeus Hitler matou na segunda guerra inteira? 5,9 milhões. Como as pessoas estão fumando cada vez menos, as empresas tabagistas estão se movimentando para achar novas linhas de negócio.

Com 850 bilhões de cigarros produzidos em 2015, a Philip Morris teve uma receita bruta de US$ 74 bilhões. Tentando contornar o problema de um negócio onde fumar é cada vez mais mal visto e proibido, como por exemplo pela lei anti-fumo brasileira, que proíbe o ato em ambientes fechados, a Philip Morris planeja para o ano que vem um produto revolucionário. Conhecido como o iPhone do cigarro, o dispositivo será um tubo do tamanho de uma cigarrilha que aquece o tabaco puro. Menos química, menos poluição. Ele será mais “saudável”, ou, como prefiro ver, menos “letal”. No passado a indústria já “inventou” o Narguile e o cigarro eletrônico, o famoso “vape”.

Cigarro eletrônico: vape.

Resumindo: Mesmo com toda propaganda dos males do fumo, a indústria do cigarro rende bilhões de dólares por ano, e é assim que você deve reagir quando algum conhecido seu diz que está pensando em começar a fumar:

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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