Case com quem você gosta de conversar

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Quando comecei a namorar com minha esposa, depois de ter saído de um namoro de seis anos, um dos meus melhores amigos me levou para almoçar. Fomos no Bar do Juarez, um tradicional restaurante na avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo. Quando estavamos no meio da refeição este amigo virou para mim, me olhou e disse: “vou hoje te dar o mesmo conselho que recebi quando comecei a namorar”. Esse conselho mudou a minha vida.

Já na mesa o Marcelo Vitorino me disse que um dia estava em um restaurante e, diferentemente de nós, estava preocupado e triste. O proprietário do restaurante chegou na mesa dele e sentou, trazendo junto uma porção de polentas. Naquela tarde junto com o Marcelo também teve polenta, o primeiro item do cardápio que ele pediu. Era a melhor da cidade, segundo ele. Voltando. O dono do restaurante então falou com ele o seguinte: “Meu jovem, você está com cara de quem vai fazer bobagem. É mulher?” E meu amigo disse que sim. Ele então continuou: “Imaginei. Deixa eu te mostrar uma coisa. Está vendo aquelas duas mulheres na cozinha? Isso, as duas senhoras. Uma é minha esposa, outra é uma amiga nossa. Quarenta anos atrás eu não sabia com qual das duas deveria casar. Uma era linda, outra me completava e tinha a melhor conversa. Hoje, quarenta anos depois, você sabe dizer qual das duas é a bonita e qual a com papo bom? A velhice acaba com a beleza, não com a pessoa. Case com quem você gosta de conversar”.

Meu amigo então virou para mim e perguntou se eu tinha entendido o conselho que ele recebera anos atrás, e que agora estava repassando para mim. Meu amigo há muitos anos, de outros relacionamentos, Marcelo me disse que eu estava feliz nos olhos, que eu passava mais tempo falando da minha namorada atual do que falando de qualquer outra coisa. E olha que eu falo bastante. Ele então me disse: “que você gosta dela eu sei. Mas se você gosta de conversar com a Lorrayna, então case com ela”. E foi o que eu fiz.

Foi uma daquelas situações em que as estrelas se alinham, ou talvez eu tenha colocado o pé direito no chão ao acordar, não sei, mas realmente dei sorte. Casei com uma mulher linda, inteligente, amiga e com quem eu adoro conversar. Talvez esse seja um dos motivos do nosso casamento dar certo.

Estou longe e não posso levar todos os meus amigos, conhecidos ou leitores no Bar do Juarez (mas por favor vá, a comida é deliciosa!), portanto uso este espaço para repassar o conselho do empresário, que permanecerá anônimo já que esposa nenhuma quer saber que o marido tinha uma queda pela melhor amiga, que depois foi repassado para o Marcelo, e que depois foi repassado para mim. Case com quem você gosta de convesar.

A cumplicidade é item obrigatório de fábrica em um casamento de sucesso. Os quilos vem e vão, a idade chega e os cabelos vão embora. O segredo do sucesso é estar com uma pessoa que vai rir das suas piadas imbecis, ignorar suas manias e, acima de tudo, saber como foi o seu dia quando os dois chegam do trabalho ou de qualquer compromisso que os separavam.

Case com quem você gosta de conversar. Eu fiz e deu certo.

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O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

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