Brasil tem juros 263% de cheque especial e 410% no cartão de crédito

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Existem poucas coisas mais cruéis com o brasileiro do que os juros cobrados pelos bancos no cheque especial e o cartão de crédito. Aqui no Econoleigo sempre planejávamos escrever sobre o assunto, mas acabávamos esquecendo todas as vezes. A postagem no Twitter da jornalista Thais Herédia, do Globo, nos lembrou deste compromisso informal que já havíamos assumido com nossos leitores. Segundo a jornalista, atualmente as taxas de juros anuais cobradas do correntista chegam a beirar 263% no cheque especial, e hediondos 410% no crédito rotativo do cartão.

Aqui no Econoleigo nós gostamos de trocar em miúdos, simplificar a coisa como um todo. Portanto vamos primeiro explicar o que é cada um desses juros, e depois o quanto significam essas cobranças.

O que é o cheque especial

Antes de tudo, vamos acabar com o marketing. Não existe nada de especial no cheque especial. Aliás, de especial mesmo somente a dificuldade que a pessoa que entra nele tem de sair. É algo difícil mesmo. O cheque especial nada mais é do que o limite de uma conta. Sabe quando o gerente te liga para dizer que você tem um limite de mil reais? Então, isso é o cheque especial. Agora digamos que você tenha 300 reais em conta, de crédito, e resolve pagar o seu aluguel de mil reais no débito. Isso vai fazer com que sua conta fique negativa em R$ 700. O marketing diria que você está usando 700 Dilmas no cheque especial, mas isso significa que você deve R$ 700 ao banco.

Vamos dizer agora que você perca seu emprego e não consiga pagar esses R$ 700 reais, e essa dívida vá se alongando mês a mês, pois você não tem como saldar. Uma taxa de juros de 263% ao ano significa que, doze meses depois de você utilizar R$ 700 no cheque especial, você deverá pagar R$ 1.841 de juros, o que levará sua dívida para R$ 2.541,00. O cálculo é aproximado, mas dá para ter uma ideia do tamanho do rojão. Parece pouca coisa? Então aumente um zero na conta e faça de conta que você utilizou R$ 7.000,00 no cheque especial. A dívida vai pular para R$ 25.410,00. Muda de figura, né?

O juros do cheque especial é alto por um motivo: ele é um empréstimo sem garantias, ou seja, você não dá um imóvel ou um bem de valor ao banco para cobrir a dívida caso você não consiga pagar a parcela. Ou seja, o cheque especial é um negócio de alto risco do ponto de vista do banco, pois não há nada que ele possa fazer caso não haja o pagamento além de negativar seu nome. Nos Estados Unidos, por exemplo, se você deve e não paga, o banco tem todas as ferramentas para simplesmente tomar algo seu que honre a dívida. Isso faz com que a taxa de juros anual chegue a 2% por lá, contra 150% aqui. Há também a questão do Spread bancário, mas não vale a pena citar ou explicar isso aqui.

Um conselho do Econoleigo? Está devendo no Cheque Especial? Vá ao banco e pegue um empréstimo e pague essa dívida. Um empréstimo com garantias possui uma taxa de juros infinitamente mais baixa que o Cheque Especial, e há uma série de bancos que sobrevivem emprestando dinheiro para quitar esse tipo de dívidas. O Citybanc, o Banco Máxima ou até mesmo a Caixa Econômica Federal trabalham com esse tipo de operação. No Máxima, por exemplo, uma taxa pré-fixada de juros com garantia imobiliária fica em torno de 21%. É muito mais negócio que cheque especial.

O que é o juros do cartão de crédito

A dívida do cartão de crédito funciona de forma similar ao cheque especial, só que é muito mais caro. Se a dívida no cheque especial chega a 263% ao ano, no cartão ela pula para estratosféricos 410%. É bom lembrar que esses juros são aplicados ao inadimplente, mas elas acabam impactando também no juros pago no financiamento do adimplente. Para terem uma ideia, no exemplo usado contrair R$ 7.000,00 em dívidas, o custo final disso em um ano pularia para R$ 35.000,00. Preocupante, não?

Ou seja…

O Brasil está em um momento de recessão preocupante, que caminha para se tornar uma recessão severa em breve, e isso acarreta em uma série de demissões na indústria e no comércio, o que acaba correndo a renda das pessoas como um todo. Além das famílias estarem sem dinheiro, a preocupação com a inadimplência que cresce mês a mês faz com que os bancos restrinjam o acesso ao crédito, e isso faz com que as famílias endividadas acabem recorrendo aos empréstimos rápidos e fáceis, que são os listados acima.

Se você está endividado, evite recorrer ao cheque especial e PARE de usar o cartão de crédito. Fuja do crédito consignado como o diabo foge da cruz, pois este é praticamente impossível de terminar de pagar. Converse com seu gerente em busca de uma alternativa de crédito mais interessante. Essa história de que não há dinheiro no mercado não é exatamente verdade. Existe crédito disponível, o que falta é cliente que se qualifique para pegar o empréstimo, e isso nós do Econoleigo ouvimos de pessoas de dentro dos bancos.

Uma alternativa para abaixar a taxa de juros, e fazer com que a concessão de crédito como um todo fique mais barata é uma maior regulação do governo, mas não em termos de impostos ou tarifas, que é a praxe aqui, mas com incentivos para a concessão de crédito ao bom pagador e criação de instrumentos para que o mal pagador seja responsabilizado pela dívida. O sistema atual brasileiro faz com que o bom pagador pague a conta e o pato do mal pagador, ao invés de ser o inverso.

Mas enfim.

Resumindo: As taxas de juros no cheque especial e no cartão de crédito são altíssimas e desumanas, muito acima do limite de 12% um dia previsto em nossa constituição, e você deveria evitar sua utilização ao máximo possível. E é assim que você deve se sentir ao saber que o cartão de crédito custa mais de 400% ao ano:

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