Brasil sai da crise e economia melhora. Quem é o responsável? Temer ou Saci?

0
215
SAO PAULO NACIONAL 29/05/2017 Jantar por ocasião do Fórum de Investimentos Brasil 2017 (São Paulo - SP, 29/05/2017) Jantar por ocasião do Fórum de Investimentos Brasil 2017. Presidente da República, Michel Temer conversa com o Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Luís Alberto Moreno. NA FOTO TEMER,E MEIRELLES Foto: Marcos Corrêa/PR

Lembro como se fosse hoje. Publiquei o seguinte texto aqui no Econoleigo: Governo Temer vence inflação e recessão, e tira o Brasil da crise. No dia seguinte à publicação, Joesley Batista, da JBS, divulga áudio que implica Michel Temer e quase derruba o governo. O tempo passou, Temer não caiu, Joesley Batista foi preso e a gravação foi comprovada como adulterada. O Brasil seguiu em frente, apesar de tudo e todos. Resultado? A crise foi embora, mas a imprensa brasileira parece ignorar esse fato ou, o pior dos casos, os responsáveis por isso.

O fim da crise econômica brasileira

A depender do jornal ou da informação que você consome, provavelmente dois tipos de notícia chegam até você. Se você é progressista e acompanha sites como Carta Capital, Folha de São Paulo e as redes sociais dos políticos que deixaram o Brasil na situação de hoje, você certamente lerá que o Brasil vive uma severa depressão, milhões de desempregados vagam as ruas do país e que estamos a um passo de virar uma Venezuela.

Por outro lado, caso leia jornais como Estadão, O Globo e outros portais ditos conservadores, certamente você leu algumas notícias positivas sobre a economia, mas que o Brasil continua em crise, assolado pela recessão.

Será mesmo?

Vamos analisar alguns indicadores.

PIB do Brasil em 2017

Segundo governo federal, a economia do Brasil deve crescer 1,1% em 2017. Especialistas do mercado apostam no crescimento de 0,9%. É pouco? Sem sombra de dúvidas, mas é importante observar a imagem acima. O número de 2017 ainda está desatualizado, mas perceba que embora 1,1% seja pouco, é um número altíssimo se considerarmos a queda expressiva dos dois últimos anos. Se compararmos apenas a variação do terceiro trimestre de 2016 com o terceiro trimestre de 2017, o PIB cresceu 1,4%. A economia está esquentando rapidamente.

O governo projeta crescimento de 3% em 2018. Um número excelente, devido às circunstâncias.

Produção industrial

O gráfico acima exemplifica a produção industrial do Brasil nos últimos 9 anos. O eixo do gráfico é a variação da produção em relação ao ano anterior. Como pode ser visto de forma clara, a produção vem em queda sistemática desde 2012. Quem acompanha política lembra que, durante a eleição de 2014, a oposição e economistas afirmavam que o Brasil estava para entrar em uma recessão e crise severa. O governo Dilma negou. Teve até o caso de uma analista do Santander que informou investidores que, caso Dilma fosse reeleita, o Brasil quebraria. O governo fez força e a analista foi demitida. O que aconteceu? Dilma foi reeleita e, vejam só, o Brasil quebrou.

Por que a produção industrial é um indicador importante? Simples. A industria, principalmente a automotiva, são a força motriz das finanças de um país com economia diversificada. A produção das fábricas em alta aponta, de forma clara, que o comércio está comprando porque a população consome. Ou seja, se a produção industrial aumentou entre 2016 e 2017 é porque o brasileiro voltou a comprar. E o brasileiro voltou a comprar porque tem dinheiro, tem poder de compra.

No início do governo Temer, em maio de 2016, a variação acumulada da produção de veículos entre janeiro e maio era de -24,3%, ou seja, uma queda de quase um quarto da produção. O acumulado de janeiro a novembro deste ano é de +27,1%.

Alguns indicadores desse “fenômeno”:

Produção de veículos sobe 27,1% no ano até novembro, diz Anfavea

Volks vê retomada de demanda por caminhões e suspende férias …

Mercedes-Benz do Brasil melhora previsão para mercado de …

Desemprego no Brasil

A taxa de população desocupada, ou desempregada, é um dos principais indicadores econômicos de um país. Desemprego em alta significa que há pouco poder de compra, o que tem impacto na industria e também na construção civil, além do setor de serviços. O desemprego atual é alto? O número atual é de 12,2%, o que é inegavelmente alto.

O que pouco se fala é que, se for feita uma analise de conjuntura, ou seja, de tendência, a taxa de desemprego de 12,2% é uma boa notícia. Na economia costuma-se dizer que o emprego é o primeiro a sofrer em uma crise, e o último a recuperar quando se sai dela. Isso acontece porque o empresário tem custo para demitir, e só refaz a contratação quando tem certeza que não haverá dispensa do novo funcionário. Além disso, a análise mensal mostra que estamos na primeira trajetória consistente de queda desde o início da crise, em novembro de 2014, com a reeleição da presidente Dilma.

Outro fator importante é a geração de novos empregos. Quando isso acontece é porque os empresários não estão só repondo as vagas em aberto, a demissão rotativa, mas também contratando novos funcionários. É um sinal importante que a economia está em franca recuperação.

O saldo de postos de trabalho entre janeiro de maio de 2016 foi de – 448 mil, ou seja, quase meio milhões de vagas fechadas. Como você leu acima, uma vaga fechada é muito pior do que uma demissão, já que esse emprego não é reposto. O saldo de postos de trabalho entre janeiro e novembro de 2017 foi de + 302 mil.

Caged mostra abertura de 1600 novas vagas de emprego no Piauí …

Ceará tem quinto mês consecutivo de alta na geração de empregos

Resultado de vagas criadas em outubro é o melhor desde 2013

Inflação

Desnecessário explicar o que é inflação. Se você não sabe, leia este texto aqui. O Brasil atualmente tem a taxa inflacionária mais baixa dos últimos 20 anos. Reparem na escalada da inflação desde 2010, quando a presidente Dilma e a Doutrina Keynes de gastar muito para o país crescer entraram em prática. Não obstante o recorde de baixa inflação, tivemos também uma queda monstruosa de 9,28% para 4,08% (em abril). Não é preciso dizer muito mais. Ah, precisa sim. A taxa de inflação em novembro deste ano era de 2,80%.

Enquanto isso a imprensa…

Então vamos lá. Desemprego caiu, inflação caiu, PIB subiu, produção industrial subiu, dólar baixou. Isso para não falar na taxa Selic, que deve chegar a meros 7% em 2018, e no fim da cobrança do juros rotativo do cartão de crédito, que virou lei. A análise completa mostra que sim, conforme eu escrevi em maio deste ano, Michel Temer e o governo atual tiraram o Brasil da crise. O país está em crescimento? Não. Mas também não está mais em crise. Para a imprensa, todos esses são fatos isolados, que provavelmente aconteceram por acaso. É uma extrema má vontade editorial. A economia de um país só melhora graças a dois fatores primários:

  1. Conjuntura internacional: Economia do mundo está em polvorosa, o que leva o país na rabeira. Foi a famosa época do Brasil entre 2003 e 2008, quando tivemos o chamado céu de brigadeiro.
  2. Ação governamental: Fernando Henrique em 1994, Roosevelt entre 1935 e 1944, Tatcher na Inglaterra nas décadas de 70 e 80. São exemplos de governos que empreenderam mudanças e políticas claras, com foco na recuperação econômica de uma nação.

Sendo assim, em um mundo assolado pela crise econômica (vide Estados Unidos, cuja crise econômica possibilitou a eleição de Trump, Grécia, Japão e América Latina), o único fator restante é o governo. Falemos o que quisermos de Temer. Eu não gosto da grande maioria do quadro ministerial, dos acordos políticos na Câmara e Senado e também dos figurões envolvidos com a Lava-Jato. Tudo isso é ruim. O que não podemos negar, entretanto, a disposição do presidente Temer em empunhar, sozinho, as reforças da previdência, a PEC do Gasto e uma série de outros temas de austeridade, além de dar autonomia completa para a equipe de Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda.

Ou o Brasil saiu da crise graças ao trabalho do governo atual, principalmente do presidente e do ministro da fazenda, ou então tudo isso é obra do Saci e do alinhamento de Júpiter com Mercúrio.

Quanto às reformas e ao mimimi de parte da imprensa e dos eleitores torcedores organizados, fica um recado: qualquer político incompetente consegue tomar decisões fáceis, o difícil é encontrar pessoas públicas dispostas a encarar medidas impopulares e decisões difíceis.

E é assim que você deve reagir quando ver os jornais estampando todas as notícias positivas, mas fazendo malabarismo para não dar o crédito a quem é de direito:

Sob o risco de ser repetitivo: goste do governo Temer ou não, é inegável que ele arrancou o Brasil da crise à forceps. Quer ver mais algumas coisas que o governo atual, que tem pouco mais de 18 meses de duração, fez durante seu tempo de vida? Baixe o relatório do balanço de governo de 2017.

mm

O Econoleigo é um site sem “economês”, para aqueles que não conhecem essa língua. É por mim, Rodrigo Teixeira, alguém até então pouco interessado em números, mas agora fascinado em transformar economia em algo que até eu mesmo consiga compreender.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here