Ajuste econômico naufraga antes de sair do porto

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Antes de tudo, pedimos desculpa por ultimamente estarmos falando mais sobre política do que economia, mas a crise pela qual passamos tornaria indecente abordamos outra coisa além disso, pois a crise econômica é, antes de tudo uma crise política.

Retomando. Na segunda-feira o ministro Joaquim Levy anunciou uma série de propostas para acabar com o desperdício de dinheiro público e tentar evitar o déficit primário, ou seja, terminar o ano sem um real para comprar um pão com ovo na padaria. Na terça, o Econoleigo escreveu um texto explicando o que realmente significava o ajuste econômico e como ele não teria sucesso. Hoje, quinta-feira, sai a notícia que o governo já planeja modificações ao ajuste para que ele tenha chances (remotas) de sair do papel.

Pois então, podem dizer que o governo faz uma série de coisa, mas uma delas não é planejar. Atentem bem para o “timing” dos fatos e deduzam se isso é obra do acaso ou de planejamento. Se até mesmo um blog pequeno e escrito por amadores pode prever o fracasso da proposta, como é que um ministério que emprega milhares de pessoas não consegue?

De forma resumida, a nova versão do ajuste funciona assim:

CPMF: Alíquota fica como está e o prazo de duração reduz de quatro para três anos. Ok.

Funcionários públicos: Concursos continuam suspensos e salários permanecem congelados até abril e não agosto. OK.

Sistema S: O sequestro das verbas do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Sebrae, Senar e etc) deixa de ser de 30% e passa a ser 20%.

Verbas dos parlamentares: Governo sinaliza que não irá mais obrigar os parlamentares a usar a verba deles para cobrir os cortes que o governo federal planeja fazer na saúde, habitação e infra-estrutura. Ok.

Com essas medidas, a “economia” que o governo faria cai de R$ 26 bilhões para cerca de R$ 12 bilhões. O resto da grana, que é necessária para chegar aos R$ 66 bilhões que fariam o governo fechar 2016 no azul, e assim tentar recuperar o grau de investimento, viriam com impostos (sabe a CPMF? Então). Sendo assim, com a queda de R$ 16 bilhões nos cortes que o governo deveria fazer, restam dois cenários:

a) O Brasil encerra 2016 devendo R$ 16 bilhões, mantém o déficit fiscal, e o grau da nota de investimento não sobe novamente.

b) Os tais 0,20% de CPMF ou qualquer outro imposto irão subir para cobrir os R$ 16 bilhões que o governo não que cobrir, e você vai pagar mais uma vez a conta.

Resumindo: Na cara de pau, governo propõe ajuste econômico sem chances de virar realidade para dizer que tentou, deixando no fim a conta para você, e é assim que você deve se sentir a respeito:

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